Re: [S&C] Aí Proveta chorou

Eleide Volponi Bérgamo Cabrini (evebe@BLV.COM.BR)
Tue, 2 Nov 1999 17:20:37 -0200

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Carmélio!

Você deveria pedir desculpas por nos deixar assim... babando no
teclado :-))))

A sua descrição é perfeita. Pude imaginar a festa e a emoção que
as apresentações
provocaram pois, a gente lendo já é de arrepiar, imagine ouvindo
e vendo tudo isso.

Parabéns por estar envolvido nessa confusão toda!!!:-)
O Grande Proveta... não é de se admirar que ele tenha chorado de
emoção: ele é puro carisma e sensibilidade. Trabalha feito louco
em várias bandas e com vários artistas quase que ao mesmo tempo.
Cara bom é isso, sempre muito solicitado.

Mas o que eu queria mesmo era ter visto tudo isso.
E o jeito é parar por aqui mesmo pois o meu teclado está à beira
de um afogamento!!! :-))))

Um grande abraço e pode demorar o tempo qeu for, mas nos dê
sempre boas notícias assim!

Eleide
Bauru/SP

PS - Vale ressaltar, para quem não conhece, Nailor "Proveta"
Azevedo é um "soprista" ( né Meg?!) de primeira grandeza. Já pude
ouví-lo tocando com Guinga, Celso Viáfora, Sérgio Santos, Banda
Mantiqueira... e se for enumera todos com quem ele já esteve no
palco ou em stúdio, o papel acaba :-)

-----Mensagem Original-----
De: Carmélio Reynaldo <carmelio@OPENLINE.COM.BR>
Para: <L-DISCUSSAO@SAMBA-CHORO.COM.BR>
Enviada em: Segunda-feira, 1 de Novembro de 1999 22:41
Assunto: [S&C] Aí Proveta chorou

> Pessoal,
> Andei muito ausente dos papos porque estive ocupado com
> coisas que normalmente faço por prazer. Estive envolvido com
> o Festival Nacional de Música de Câmera, que começou no dia
> 21 e terminou sábado, aqui em João Pessoa. Tinha tudo para
> não dar certo: o Ministério da Cultura cozinhou a liberação
> da verba para só no final de setembro negar, várias salas
> inicialmente acertadas para os concertos cancelaram as
> reservas, e em dois dias tive que aprender a fazer home-page
> e colocar o desastre no ar (por isso não avisei a ninguém).
>
> Porém, poucas vezes me emocionei tanto quanto na noite em
> que ouvi pela primeira vez a Camerata Brasílica, grupo
> formado por garotos, alunos dos cursos de extensão do
> Departamento de Música da UFPB. Com exceção do professor
> Francieudo Torres, nenhum dos outros 11 parece ter mais de
> 15 anos, mas tocam como gente grande. O que me arrepiava era
> imaginar que eles tinham todo o direito de fazer por
> convicção o que muitos grupos fazem por oportunismo - vestir
> com roupagem erudita coisas como Metallica ou Titãs. No
> entanto, o repertório era com Radamés Gnatalli, Villa-Lobos,
> Guerra Peixe, Chiquinha Gonzaga e um tal de Mateus de
> Castro, autor de um maxixe chamado Madá. Quando o autor foi
> convocado a apresentar-se, levantou-se um dos garotos dos
> violinos que, se muito, tem 14 anos.
>
> E não foi só isso. Na segunda-feira JPSax nos brindou com
> uma performance memorável, inclusive cantando os versos
> finais de Aldir Blanc para o Baião de Lacan para em seguida
> ingressar na beleza da composição de Guinga. No sábado
> anterior o Quinteto Brassil enfrentou com bom humor e
> improvisos a falta de luz no palco do Centro Histórico e a
> ventania que derrubava as estantes. O grupo Camena, de
> música antiga, com instrumentos e caracterizado como músicos
> da Idade Média, encontrou no Mosteiro de São Bento o cenário
> ideal... nunca ouvi tanta música boa ao vivo em tão pouco
> tempo.
>
> Simultaneamente ao Festival, foi realizado também o
> Encontro Nordestino de Percussão, e na noite em que o JPSax
> tocou, se apresentou também o Grupo Nordestino de Percussão.
> Quem estava no Teatro Paulo Pontes dificilmente esquecerá a
> jam session que Paschoal Meirelles e Mingo Araújo
> promoveram.
>
> Inesquecível também foi a apresentação das big bands do
> festival, no Adro da Igreja de São Francisco. Como eram
> muitos alunos, o professor Nailor "Proveta" Azevedo formou
> duas. Inadvertidamente ele tentou fechar o programa com
> Vassorinhas. Coitado. Ninguém avisou que em terras da
> Confederação do Equador esse frevo de Matias da Rocha e
> Joana Batista não é recomendável para conclusões, epílogos,
> finais, remates ou termos. Principalmente quando dentre os
> músicos se arrolam pândegos como Teinha (JPSax), Radegundis
> (Brassil), Zé Gotinha, Glauco Andrezza e Chiquito
> (Metalúrgica Filipéia). Resultado: os músicos saíram dos
> seus lugares, fizeram uma roda no meio do público e
> Vassorinhas teve uma execução de mais de uma hora, rica de
> improvisos. Pouco antes, quando apresentava os músicos,
> Proveta chorou. O cenário do adro, o céu claro - e, como ele
> próprio afirmou - a certeza de que depois da apresentação
> reporia as lágrimas nos bares do Centro Histórico, devem ter
> influenciado.
>
> O concerto de encerramento me deixou com água na boca. Se os
> deuses que habitam a mata do campus forem favoráveis, será o
> próximo lançamento do selo Classe X. A Orquestra de Câmera
> da UFPB e o Coral Gazzi de Sá (também da universidade)
> executaram a Gonzagueana, peça para orquestra, coro, tenor e
> cantador de viola construída sobre canções do repertório de
> Luiz Gonzaga. No papel desse último tivemos ninguém menos do
> que Oliveira de Panelas.
>
> Toda essa narrativa é para pedir desculpas pelas mensagens
> que deixei de responder nos últimos dias. Como vêem, andei
> muito ocupado e, pior, vou estar ainda por algum tempo, até
> colocar em dia tudo o que adiei.
>
> abraços,
>
> Carmélio Reynaldo
> Paraíba
> _____________
> Se tu for na minha casa
> Tem capim pro teu cavalo,
> Se chegar um filósofo
> Eu mando fotografá-lo
> Se chegar um fotógrafo
> Eu mando filosofá-lo
> (Zé Limeira)