Velha Guarda da Mangueira Velha Guarda da Mangueira
João Pimentel
Berço de alguns dos melhores representantes do samba carioca como Cartola, Nélson Cavaquinho, Padeirinho, Zagaia, a Mangueira, ao contrário do que muitos apregoaram, não esgotou o seu estoque de bons frutos com a morte de seu último fundador vivo, Carlos Cachaça. No CD "Velha Guarda da Mangueira", primeiro lançamento da Nikita Music e do grupo, estão presentes nomes importantes como Xangô, primeiro diretor de harmonia e ex-puxador dos sambas da verde-e-rosa, Jurandir, um dos melhores compositores da história dos desfiles e o partideiro Tantinho, uma lenda do improviso.
A produção e os arranjos de Josimar Monteiro, violonista responsável por reunir a seleção de mangueirenses que andava dispersa, respeitam a cadência e a batida criada por Lúcio Pato, China e Baiano. Os ouvidos mais refinados talvez estranhem um pouco as vozes curtidas de alguns integrantes do grupo e a percussão acrescida apenas de violões e instrumentos de sopro. Antigamente era assim.
O mais importante é o registro de músicas como "Mangueira chegou", samba de terreiro de José Ramos dos anos 40; "Chega de demanda", de Cartola, primeiro samba da escola, e "Vale do São Francisco", samba-enredo campeão em 1948, de Nelson Sargento e Alfredo Português.
O CD também reserva espaço para seus filhos ilustres que fizeram o nome além do morro. Geraldo Pereira, mais conhecido pelas suas andanças pela Lapa e pelos seus primorosos sambas sincopados, é homenageado com a primeira gravação de "Incompatibilizado", com participação de Fernanda Abreu. Já Nelson Cavaquinho, é lembrado na também inédita "Insônia".
A madrinha Beth Carvalho marca presença no samba "Se foi bom pra você", uma parceria de Darcy da Mangueira e Darcy Maravilha. Jóias do tempo em que ainda era possível se fazer versos como "De palácio encantado é que chamo/ meu barracão de madeira", do samba "Palácio encantado", de Jurandir e Irson Pinto.