Re: chico ao vivo

aviram@BR.IBM.COM
Mon, 1 Nov 1999 10:49:27 -0300

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Que bonito seu texto.
Pronto, já me convenceu. Vou hoje na Fnac comprar o Chico por 19 paus.

Saudações a todos da lista. Entrei hoje e tou vendo que o nível é realmente
alto.
Abraços,
Avi (de Sampa)
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Avi Alkalay <avi at br dot ibm dot com> - Linux & IT Specialist
Managed Internet & Intranet Services of IBM Global Services - Brazil
Tel: +55 11 3050-2327 / Fax: +55 11 3050-2300 / Tie-line: 842-2327

Valdir Mengardo <mengardo@MOBINET.COM.BR> on 01/11/99 10:05:34

Please respond to Valdir Mengardo <mengardo@MOBINET.COM.BR>

To: L-DISCUSSAO@SAMBA-CHORO.COM.BR
cc: (bcc: Aviram Alkalay/Brazil/IBM)
Subject: [S&C] chico ao vivo

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Prezados internautas do samba,

Ontem como o tempo me permitisse enviei duas mensagens falando sobre o CD novo
do Chico. A segunda, um tanto brincalhona, era assinada
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ôo vizinho
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ö e
ilustrava, meio que na gozação, meu estado de espírito frente a um trabalho tão
belo como aquele.
Na verdade, aqui em casa, escutamos o disco até à exaustão, melhor dizendo, até
a última cerveja, porque ninguém se cansa de ouvir Chico. Os vizinhos pagaram o
pato, mas creio que também gostaram pois ninguém veio reclamar.
Falando sério, como já tinha dito, o disco não apresenta grandes novidades no
repertório do Chico, são músicas antigas, outras mais recentes, algumas
recriadas com maestria e outras rearranjadas com sutileza e perfeição. Não li
ainda nenhum comentário sobre o CD, a crítica daqui, principalmente a Folha de
S.Paulo é muito mal-humorada. Falo por mim e pela descoberta que é estar
ouvindo estas antigas músicas do mestre.
Em Morte e Vida Severina, João Cabral descreve a trajetória de Severino
retirante pelo sertão pernambucano e, numa metáfora fantástica, afirma que,
depois de ter vistos tantos enterros pelo caminho, Severino chega à conclusão de
que era o seu próprio enterro que ele estava seguindo.
Transportando essa metáfora para o
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ômundo dos vivos
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ö, ouso afirmar que, depois
de mais de trinta anos ouvindo Chico Buarque, percebo que não era a sua música
que eu ouvia, mas minha própria vida sendo contada na ponta da agulha das minhas
vitrolas e, agora, no laser do CD. As personas que Chico incorpora não são só
dele, mas, com uma argúcia e sutileza, são na realidade,
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ôum pedaço de mim, a
metade exilada de mim
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ö.
Prosaico, banal, talvez até ouse dizer que isto é comum na arte.
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ôTodo artista
tem que ir aonde seu povo está
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ö. Mas esta qualidade só é encontrada em poucos e
verdadeiros artistas. É por isso que gosto (gostamos) dos poetas de morro e da
periferia de Sampa e de tantas cidades do Brasil. Eles sabem, como ninguém, ser
o fingidor que Pessoa tinha dentro de si, talvez pela pela dura realidade de
vida que enfrentam.(Mas é bom parar por aqui porque não sou sociológo)
Ouso de novo (mas que cara ousado!), traçar uma linha evolutiva (certamente uma
das tantas linhas que cada um vai fazer) que, para mim, passou por Noel, Sidney
Miller, Chico e Paulinho da Viola, dispostos, muito provavelmente, de maneira
não-linear.
Ouvindo trabalhos como o Chico ao Vivo, retomo os
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ôbolachões
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ö que na minha
infância se partiam com tanta facilidade, relembro tantos e tantos chiados de
Adoniram Barbosa, Orlando Silva, Luiz Gonzaga, Framcisco Alves, que meu avô
punha na velha e boa rádio-vitrola. Sinto que o círculo vai se fechando, ou
melhor, para não deixar a dialética de lado, a espiral se complementa. Rearranjo
o quebra cabeça da minha vida, através destes senhores. E sei que ainda existem
muitos outros pedaços por aí que a música e as pessoas maravilhosas que tenho ao
meu redor vão me ajudar a compor.
Quem canta comigo, canta o meu refrão, meu melhor amigo é meu violão
(Sem aspas porque estes sentimentos também são meus, sem nunca ter tocado
violão, mas Chico tocou por mim) .

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