En: [S&C] Toquinho

Danilo D'Addio Chammas (chammas@TSP.COM.BR)
Sun, 12 Sep 1999 18:12:18 -0300

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Só para dar o meu pitaco, venho dizer que achei fantástica
essa notícia da união de Paulinho e Toquinho. Aguardo
ansiosamente o lançamento do CD, o qual, não duvido, será
ótimo.

Toquinho é um excelente violonista. E poucos sabem disso. O
disco Aquarela (Ariola, 1983) traz uma boa mostra do que
agora falo. "Um abraço ao Papete", incluída nesse disco, é
ótima. É uma pena que poucos o conheçam "somente" por suas
composições com Vinicius ou aquelas para o público infantil.

E quem não se lembra de "O Bem Amado"? E "Chorando Pra
Pixinguinha"? Canções belíssimas...

Aliás, ao contrário do que foi dito por aqui, as composições
de Toquinho & Vinicius não perdem em nada para aquelas
feitas pelo poeta com seus outros ilustres parceiros. Além
das duas lembradas acima e das demais já citadas ("Um homem
chamado Alfredo", "Carta ao Tom 74" etc., lembrando que em
"Escravo da Alegria" a letra não é de Vinicius, mas sim de
Mutinho), eu poderia trazer tantas outras, lindíssimas. "São
Demais os Perigos Dessa Vida", em que Toquinho, contrariando
a lógica viniciana, musicou letra já feita o 'Soneto do
Corifeu', é outro digno exemplo.

Vou falar um pouco sobre uma de minhas preferidas, que se
chama "O Filho Que eu Quero Ter" (pra quem quiser eu mando a
letra).

Certa vez, tive a felicidade de poder conversar com Elifas
Andreato sobre seu relacionamento com os músicos cujos
discos eram ilustrados por ele. No momento mais emocionante
do papo, ele me contou uma bela história, que depois pude
conferir em seu livro "Impressões", que dele ganhei no mesmo
dia. Consta, no livro, o seguinte (o que está entre
parênteses é por minha conta):

"Em 1974, Toquinho, meu companheiro de futebol (ambos jogam
juntos no 'Namorados da Noite', eterno rival do 'Politeama',
do Chico), me pediu para fazer a capa do seu novo disco com
o poeta Vinicius de Moraes. Havia no disco uma canção, cuja
letra descrevia um pai no berço do filho, contava com poesia
irresistível o menino crescendo, fazendo perguntas, o pai
revivido, apaixonado, envelhecendo. E terminava com o filho
no leito de morte do pai pensando no filho que queria ter.
Eu havia decidido que não teria filhos (ele não se dava bem
com o pai, me disse), e a canção mudou meu jeito de pensar.
Dois anos depois, nasceu, inspirado na poesia, meu filho
Bento..." (E aí Elifas foi contar a Vinicius a novidade, que
a ele respondeu: "Que bom! Só assim você poderá entender seu
pai...")

Abraços, Danilo.

P.S.: Desculpem pela mensagem talvez extensa e
excessivamente apaixonada... Não consegui resistir.