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a proposito, se fosse o preco fosse 80 eu tambem nao iria. Continua
extorsivo.
[]
cesar
-----Mensagem original-----
De: Marcio Luiz Pozzer <MLPozzer@UCS.TCHE.BR>
Para: L-DISCUSSAO@SAMBA-CHORO.COM.BR <L-DISCUSSAO@SAMBA-CHORO.COM.BR>
Data: Sexta-feira, 27 de Agosto de 1999 02:29
Assunto: Re: Ainda o show do Chico Buarque
Realmente o brasileiro tem que rir da própria desgraça.
Em Porto Alegre o valor cobrado no show do Chico foi de 80 reais .
Colocar o preço de 160,00 e dar o desconto de meia entrada p/ estudantes e
profissionais liberais é sim uma maneira de cobrar preço unico !!!
Nao sou advogado mas a lei eh clara , em qualquer evento de ordem
recreativa, cultural ou eventos de semelhante cunho, o estudante tem direito
a meia entrada .Se nesse caso um profissional liberal tem um desconto de 50
por cento do valor de 160 reais, o estudante pagará a meia entrada desse
desconto, ou seja , 40 reais.
Marcio.
Fábio_Liberal_F._de_Santana <Fliberal@SENADO.GOV.BR> 08/26 12:16 pm >>>
Amigos,
sei que a discussao sobre os precos dos shows do Chico Buarque ja' deu o que
falar por aqui, mas os valores divulgados nesta reportagem me parecem muito
alem daqueles ja' citados.
(Desculpem os acentos)
Jornal de Brasília
26 de agosto de 1999
Ingressos na estratosfera
Preços de shows de Chico Buarque e
Caetano Veloso em Brasília provocam
debate sobre o acesso à informação cultural
160 (sur)reais. Quem pode sonhar em pagar esse valor para ver o show que
Chico Buarque fará na Sala Villa Lobos do Teatro Nacional no início do
próximo mês? O preço cobrado pelos ingressos é R$160, da fila A a J e 140
reais da fila K a Z. A produtora do espetáculo, em Brasília, a Artway,
argumenta que esse valor é determinado pela produtora responsável pela turnê
nacional do show As Cidades, a AQB. O fato curioso dessa cobrança é o
direito à meia entrada concedido não só a estudantes, mas a diversas outras
categorias como "profissionais liberais, professores, aposentados,
funcionários públicos, comerciários, bancários, assistentes sociais,
prestadores de serviços, comerciários, industriários", trabalhadores da área
de saúde e, ainda, "menores de 18 anos e maiores de 55 anos".
O procedimento nos faz especular se, na realidade, o valor de R$160 não
seria uma mera ficção. Ou será que se está fixando preço único para
estudantes e demais categorias? O debate está aberto.
O presidente da produtora mineira AQB, responsável pelo show de Chico
Buarque, Alessandro Queiroga (também presidente da Associação Brasileira de
Promotores de Eventos - Abrave) reconhece que são "raríssimas as pessoas que
não se enquadram no valor da meia", mas não concorda que os estudantes
sairam prejudicados com o preço.
A questão é que, em meio a essa salada de classes favorecidas com 50 % de
desconto, os estudantes são grandes prejudicados. Na prática, pode-se
antever, os valores (R$80 e R$70), prevalecerão. Seguindo este raciocínio,
os estudantes não teriam direito ao pagamento da metade desses valores. A
dúvida foi levada ao Procon. Segundo a entidade fiscalizadora, a produtora
que fixou o preço poderia estar burlando a lei distrital da meia-entrada nº
190/91, do deputado Agnelo Queiroz, que permite concessão de 50% de desconto
a estudantes no valor efetivamente cobrado nos ingressos.
O próprio Deputado Agnelo Queiroz (PCdoB - DF) afirma que,"neste caso, a lei
está sendo burlada". "Pretendemos entrar com uma ação junto ao Procon para
que a lei seja cumprida", garante o Deputado. A fiscalização do Procon está
verificando o caso e levanta a possibilidade de que os estudantes tenham
direito ao pagamento da meia entrada sobre o preço efetivo do ingresso.
Neste caso, o valor de uma verdadeira meia-entrada seria de R$40 e R$35.
O show que Caetano Veloso faz na Concha Acústica nesse sábado, tem também
preço elevado. O produtor Jaime Carneiro justifica que os custos são
elevados. "São 40 pessoas na produção, a equipe de iluminação vem toda de
São Paulo, além disso o cachê cobrado pelo cantor é muito alto". O produtor
não considera o preço do show de Caetano tão elevado. Segundo ele, "a Concha
Acústica permitiu deixar o preço mais baixo que o normal". Ele garante que
se o show acontecesse no Teatro Nacional, cobraria, no mínimo, R$160.
"Gostaríamos de estabelecer um preço mais acessível, mas não podemos. O
valor dos ingressos do show de Caetano está dentro da média".
Valdemar Cunha, proprietário da produtora Artway explica que "os mesmos
valores do show de Chico Buarque foram cobrados em outras cidades, como em
Goiânia e Belo Horizonte". Valdemar conta que a intenção da produtora foi
ampliar a meia-entrada para outras categorias, considerando que a lei que
obriga que se ofereça meia-entrada para estudantes não impede que outros
segmentos também tenham acesso ao desconto. A grande questão levantada por
Valdemar diz respeito à omissão desordenada de cateirinhas, assim como da
falsificação das mesmas, beneficiando pessoas que se passam por estudantes.
Ele conta que, em média 60% da bilheteria é destinada a ingressos de
meia-entrada, o que influi diretamente no preço integral do ingresso.
O dono da Artway conta que na prática, os estudantes acabam sendo igualados.
"Não é o caso do show do Chico" - acrescenta. Ele justifica que, com a
falsificação de identidades estudantis, muitas pessoas que não teriam o
desconto acabam favorecidas com um benefício que seria destinado a outras
pessoas. Ele afirma que o grande número de ingressos de meia-entrada
encarece a vinda de artistas no Brasil. "Há propostas junto aos Diretórios
Centrais Estudantis para estabelecer uma porcentagem de ingressos destinados
à meia-entrada, algo em torno de 20%", adianta Valdemar.
O fato é que mesmo o valor da chamada meia-entrada está fora da realidade
brasileira. Um trabalhador que recebe salário mínimo (R$128) vai continuar
sem ter acesso a atrações culturais. Em países como Estados Unidos e França,
por exemplo, onde a média salarial é muito maior, os espetáculos não são tão
caros assim. Shows exibidos na Broadway, como o Fantasma da Ópera, que
envolvem um elenco numeroso, orquestra e figurinos caríssimos, variam entre
US$ 15 e US$ 75. Na Europa, os preços são diferenciados. Estudantes e idosos
têm descontos diferentes sim, mas os valores são determinados de acordo com
a localização da poltrona. É possível, por exemplo, assistir à mesma
apresentação de uma orquestra sinfônica por US$100 ou US$10.
Ao comparar valores de espetáculos vistos em Brasília e em outras cidades, o
leitor Ézio Bazzo, expõe, em carta enviada ao Jornal de Brasília, sua
indignação a respeito do valor cobrado para assistir a shows como de Caetano
Veloso e Chico Buarque. "Em Nova York ou Paris, onde o salário mínimo é de
mil dólares, as pessoas vêem coisas muito melhores por um preço muito mais
barato. Por R$50, os parisienses podem ocupar uma deliciosa cadeira no
Opera, com uma acústica perfeita". Ézio Bazzo aponta um espécie de pacto
entre as elites e os artistas. "Os artistas acreditam que são divindades no
País e ninguém se atreve a criticar os preços dos espetáculos. Enquanto
isso, os produtores superfaturam os preços. É uma manipulação violenta",
desabafa o leitor. Ézio Bazzo lamenta que a classe média brasileira se renda
a essa situação: "é impressionante ver uma classe média falida,
desarticulada, passando dificuldades e acotovelando-se nas filas para
comprar ingresso".
Portanto, quem quiser ver Chico Buarque e Caetano Veloso e não tiver
dinheiro suficiente, terá de se contentar em ver A Banda passar ou ficar
cantando sozinho.
Renata Caldas
Repórter do Jornal de Brasília