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> A verdade me parece simples: mercadoria roubada. Depois que o cerco apertou
> falta mercadoria mas nao faltam compradores. Li que esses dias roubaram
> 100.000 copias do novo CD dos Raimundos (argh!) em Barueri, Sao Paulo, as
> vesperas do lancamento. Quer dizer, depois dessa quem garante que Paulinho
> da Viola -duplo- por 6,90 nao seja produto roubado tambem? Ou mesmo os que
> estao a venda por preco normal.
Olha, ja' vi os ultimos tres do Paulinho da Viola baratos em tantas lojas,
muitas de cadeias extensas (como a Seis de Ouro), que acho dificil que sejam
roubados.
Eu pesquisei precos de fabricacao de CD em diversas ocasioes. Na Sony, se
eu mesmo quiser fazer dez mil copias do meu CD, com um encarte relativamente
simples, sai por R$ 1,40 a unidade. Imagina quanto custam cem mil copias de um
CD da Sony, prensado por ela propria? O preco da unidade deve despencar para o
fundo do poco. Ou seja, dos 18 reais que custa um CD medio (ou muito barato,
se o parametro forem as lojas ridiculas dos Jardins e Higienopolis), sobram
uns dezessete. Duvido que mais de cinco por cento vao para o artista. O resto
e' gasto com o que? Com a promocao massiva do album da Miucha (publicidade no
horario nobre, aparicoes no Gugu)? No caso do Tchan, va' la', mas ao mesmo
tempo, eles vendem, quando pouco, centenas de milhares de copias, quer dizer,
imagino que compensaria um hipotetico preco mais baixo. Mais de uma vez,
artistas ja' disseram que vivem de show, nao de venda de disco. Nao que isso
em si justifique que se extravie o pouco (ou nao) que ganham com os discos,
mas me parece gritante que rola uma cara de pau extrema (da parte da
industria) nessas campanhas que se discutiu na semana passada.
Por ultimo, e' claro que nao acho que "principios sao coisa de rico".
Obviamente, estou fazendo muito mau uso da ironia, vou passar a evita-la.
Beijos e abracos para toda a familia,
Bernardo
ps: A respeito do seguinte (de outro autor):
>Mas é importante ser rigoroso com as afirmações. Por exemplo, não é
>correto que princípios sejam coisas de ricos exclusivamente (aliás, do
>jeito que a coisa anda, o mais provável é que não se encontre princípios
>nos julgamentos e ações dos ricos). Mais certo seria afirmar: "pessoas
>não letradas têm princípios sim; o que elas não podem ter é julgamentos
>complexos para chegar a princípios".
O correto seria afirmar que o analfabeto tem principios mas e' incapaz de
raciocinar com profundidade? (sem brincadeira, nao vejo outra interpretacao
para o trecho acima)