Caros Amigos (Era: Dudu Nobre)

Fernando Peixoto (nando_samba@HOTMAIL.COM)
Sun, 1 Aug 1999 20:08:03 EST

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Paulo Neves escreveu:

>O texto da entrevista que esta' no site deles segue abaixo. Todo mundo fala
>do
>tamanho extenso das entrevistas desta revista. Me parece que esta' bem
>pequeno. Alguem sabe dizer se edicao impressa a reportagem esta' maior?
>Eles
>autorizaram a reproducao do papo na Agenda e de repente era legal colocar a
>conversa inteira. Nao tem nada sobre o Dudu neste texto.
>

Com certeza, meu caro Paulo, a entrevista é bem maior! Pena que eu não
esteja com a revista para ver o trecho em que eles falam do Dudu Nobre...
Aliás, no novo disco do Zeca, de estúdio, tem uma parceria deste com o Dudu,
o ótimo partido "Chico Não Vai na Curimba".

Voltando ao Nei Lopes, aliás, nesta mesma entrevista da Caros Amigos o Aldir
Blanc faz a seguinte declaração: "Quando eu crescer quero ser igual a ele!"
Pra vocês verem a moral do Nei.

O repórter diz que os dois são salgueirenses doentes. Discordo! O próprio
Nei Lopes diz que começou no Salgueiro, mas está fazendo pós-graduação na
Vila Isabel... só podia ser, né???? ;-)

Tenho ouvido e assistido com freqüência o Nei Lopes, desde que lançou seu
maravilhoso "Sincopando o Breque", um dos melhores lançamentos do ano, junto
com o "Luís Carlos da Vila canta Candeia", ambos do selo CPC Umes (salve,
salve! Grande retorno!). Fui a quase todos os shows dele no Museu do
Telefone, inclusive em um deles o Luís Filipe brindou a platéia CANTANDO um
samba de breque, pareceria sua com o Nei. A verdade é que eu não me canso de
ouvir os sambas desse cara e estou com o Aldir Blanc e não abro.
Pra quem ainda não conhece o trabalho do homem, transcrevo aqui uma das
músicas que estão no cd.

LADRÃO de GALINHAS (Nei Lopes e Maurício Tapajós)

Foi num salão ali no Baixo-Cinelândia
Perto da Spaghetilândia, na Francisco Serrador
Que eu descobri que não tem bem que sempre dure
Conhecendo a manicure Ana Luzia Leonor
(com seu jeitinho encantador).
Foi a melhor dentre as comadres que eu já tive
Mulher de um detetive, ex-polícia especial
Era um vulcão e um pedação de mau-caminho
Tudo isso embrulhadinho num rostinho angelical
(se eu vacilasse na parada eu podia me dar mal)
Seu lindo corpo parecia uma escultura:
metro e meio de altura, cento e vinte de quadris
Mais cem de busto, vinte e cinco de cintura
Com uma pintinha escura um pouco abaixo do nariz
E esse nariz tão bonitinho e arrebitado
Parecia modelado pelas mãos de um Pitangui
E ainda por cima tinha covinha no queixo
E muitos outros apetrechos de fazer queixo cair
(e eu passeava por ali)
Mas certa noite na Rua Riachuelo
Um tremendo pesadelo fez a gente despertar
Passos na escada, ela gritou: - É o Nascimento!
Ele é um cara violento! é melhor tu te arrancar!
Pulei janela e estava já pulando o muro
Quando, no meio do escuro, Ana Luzia Leonor
Gritou pra rua: - Pega e lincha esse gatuno!
Ladrão inoportuno, ventanista e arrombador!
Ai, Nascimento, esse bandido me detesta
Se eu não sou mulher honesta, ele ofendia o meu pudor!
(E o Nascimento consolava: - Fica fria, meu amor!
É um larápio sem passado, é um pé inchado, é um amador!
É um ladrãozinho de galinha, não levou nenhum valor!
Vamos de volta pra caminha, tá quenitnho o cobertor!)

O que dizer mais?
Vida longa ao (verdadeiro) samba!

Fernando Peixoto
Rio de Janeiro

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