Re: Re: [S&C] Re: Café e Chico Buarque

Silvio Tadeu Chabes (silvioch@MANDIC.COM.BR)
Sun, 2 May 1999 02:01:18 -0300

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Valeu Romulo,

Voltei aos meus tempos de faculdade. (Opera do Malandro)

Um abraco.

-----Mensagem original-----
De: Romulo Provinzano <provinza@keynet.com.br>
Para: L-DISCUSSAO@SAMBA-CHORO.COM.BR
<L-DISCUSSAO@SAMBA-CHORO.COM.BR>
Data: Domingo, 2 de Maio de 1999 01:32
Assunto: Re: [S&C] Re: Café e Chico Buarque

>Ontem finalmente assisti ao fabuloso Cidades, com o Chico...no
meio do
>show lembrei da tribuna quando ele cantou cotidiano...tinhamos
nos
>esquecido dele...tem outras com o tema do cafe tambem.
>
>
>Cotidiano (Cotidiano)
> Chico Buarque/1971
>
>
> Todo dia ela faz tudo sempre igual
> Me sacode às seis horas da manhã
> Me sorri um sorriso pontual
> E me beija com a boca de hortelã
>
> Todo dia ela diz que é pra eu me cuidar
> E essas coisas que diz toda mulher
> Diz que está me esperando pro jantar
> E me beija com a boca de CAFÉ
>
> Todo dia eu só penso em poder parar
> Meio dia eu só penso em dizer não
> Depois penso na vida pra levar
> E me calo com a boca de feijão
>
> Seis da tarde como era de se esperar
> Ela pega e me espera no portão
> Diz que está muito louca pra beijar
> E me beija com a boca de paixão
>
> Toda noite ela diz pra eu não me afastar
> Meia-noite ela jura eterno amor
> E me aperta pra eu quase sufocar
> E me morde com a boca de pavor
>
> Todo dia ela faz tudo sempre igual
> Me sacode às seis horas da manhã
> Me sorri um sorriso pontual
> E me beija com a boca de hortelã
>
> O malandro
> Kurt Weill - Bertolt Brecht -
> versão livre de Chico Buarque/1977-1978
> Para a peça Ópera do malandro, de Chico Buarque
>
>
> O malandro/Na dureza
> Senta à mesa/Do CAFÉ
> Bebe um gole/De cachaça
> Acha graça/E dá no pé
>
> O garçom/No prejuízo
> Sem sorriso/Sem freguês
> De passagem/Pela caixa
> Dá uma baixa/No português
>
> O galego/Acha estranho
> Que o seu ganho/Tá um horror
> Pega o lápis/Soma os canos
> Passa os danos/Pro distribuidor
>
> Mas o frete/Vê que ao todo
> Há engodo/Nos papéis
> E pra cima/Do alambique
> Dá um trambique/De cem mil réis
>
> O usineiro/Nessa luta
> Grita (ponte que partiu)
> Não é idiota/Trunca a nota
> Lesa o Banco/Do Brasil
>
> Nosso banco/Tá cotado
> No mercado/Exterior
> Então taxa/A cachaça
> A um preço/Assustador
>
> Mas os ianques/Com seus tanques
> Têm bem mais o/Que fazer
> E proíbem/Os soldados
> Aliados/De beber
>
> A cachaça/Tá parada
> Rejeitada/No barril
> O alambique/Tem chilique
> Contra o Banco/Do Brasil
>
> O usineiro/Faz barulho
> Com orgulho/De produtor
> Mas a sua/Raiva cega
> Descarrega/No carregador
>
> Este chega/Pro galego
> Nega arreglo/Cobra mais
> A cachaça/Tá de graça
> Mas o frete/Como é que faz?
>
> O galego/Tá apertado
> Pro seu lado/Não tá bom
> Então deixa/Congelada
> A mesada/Do garçon
>
> O garçon vê/Um malandro
> Sai gritando/Pega ladrão
> E o malandro/Autuado
> É julgado e condenado culpado
> Pela situação.
>
>Se eu fosse o teu patrão
> Chico Buarque 1977-1978
> Para a peça Ópera do malandro, de Chico Buarque
>
>
>
> Os homens cantam:
> Eu te adivinhava
> E te cobiçava
> E te arrematava em leilão
> Te ferrava a boca, morena
> Se eu fosse o teu patrão
>
> Ai, eu te tratava
> Como uma escrava
> Ai, eu não te dava perdão
> Te rasgava a roupa, morena
> Se eu fosse o teu patrão
>
> Eu te encarcerava
> Te acorrentava
> Te atava ao pé do fogão
> Não te dava sopa, morena
> Se eu fosse o teu patrão
>
> Eu te encurralava
> Te dominava
> Te violava no chão
> Te deixava rota, morena
> Se eu fosse o teu patrão
>
> Quando tu quebrava
> E tu desmontava
> E tu não prestava mais, não
> Eu comprava outra morena
> Se eu fosse o teu patrão
>
>
> As mulheres cantam:
> Pois eu te pagava direito
> Soldo de cidadão
> Punha uma medalha em teu
> peito
> Se eu fosse o teu patrão
>
> O tempo passava sereno
> E sem reclamação
> Tu nem reparava, moreno
> Na tua maldição
>
> E tu só pegava veneno
> Beijando a minha mão
> Ódio te brotava, moreno
> Ódio do teu irmão
>
> Teu filho pegava gangrena
> Raiva, peste e sezão
> Cólera na tua morena
> E tu não chiava não
>
> Eu te dava CAFÉ pequeno
> E manteiga no pão
> Depois te afagava, moreno
> Como se afaga um cão
>
> Eu sempre te dava esperança
> De um futuro bão
> Tu me idolatrava, criança
> Se eu fosse o teu patrão
>Linha de montagem
> Novelli - Chico Buarque/1980
>
>
> Linha linha de montagem
> A cor a coragem
> Cora coração
> Abecê abecedário
> Opera operário
> Pé no pé no chão
>
> Eu não sei bem o que seja
> Mas sei que seja o que será
> O que será que será que se veja
> Vai passar por lá
>
> Pensa pensa pensamento
> Tem sustém sustento
> Fé CAFÉ com pão
> Com pão com pão companheiro
> Pára paradeiro
> Mão irmão irmão
>
> Na mão, o ferro e ferragem
> O elo, a montagem do motor
> E a gente dessa engrenagente
> Dessa engrenagente
> Dessa engrenagente
> Dessa engrenagente sai maior
>
> As cabeças levantadas
> Máquinas paradas
> Dia de pescar
> Pois quem toca o trem pra frente
> Também de repente
> Pode o trem parar
>
> Eu não sei bem o que seja
> Mas sei que seja o que será
> O que será que será que se veja
> Vai passar por lá
>
> Gente que conhece a prensa
> A brasa da fornalha
> O guincho do esmeril
> Gente que carrega a tralha
> Ai, essa tralha imensa
> Chamada Brasil
>
> Samba samba são Bernardo
> Sanca são Caetano
> Santa santo André
> Dia-a-dia diadema
> Quando for, me chame
> Pra tomar um mé
>
>
> Tereza tristeza
> Chico Buarque/1965
> MPB 4 - ELENCO
>
>
> Oh Tereza essa tristeza
> Não tem solução
> Tire o meu lugar da mesa
> Não me espere não
> Não vou, não
> Ao menos sou sincero
> Que te adoro
> Que te quero
> Mas não passo bem sem carnaval
> Não
>
> Oh Tereza essa tristeza
> Não tem solução
> Ser mulher é muito mais
> Do que pregar botão
> Não vê não
> Que o homem quando é homem
> Passa frio passa fome
> Mas não bem sem desse carnaval
>
> Diz que não tem CAFÉ
> Diz que não tem feijão
> Nem sandália pro pé
> Nem aliança pro dedo da mão
> Oh Tereza
> É tão pouca tristeza
> Tem gente que nem carnaval
> Não tem não
>
>
>
> Alô, liberdade
> Enriquez - Bardotti - Chico Buarque/1981
> Para o filme Os Saltimbancos trapalhões
>
>
> Alô, liberdade
> Desculpa eu vir
> Assim sem avisar
> Mas já era tarde
> E os galos tão
> Cansados de cantar
>
> Bom dia, alegria
> A minha companhia
> Vai cantar
> Sutil melodia
> Pra te acordar
>
> Quem vai querer tocar trombeta
> Pem pererém pererém
> Pempem
> Quem vai querer tocar matraca
> Tracatracatraca
> Tracatraca
> Quem vai de flauta e clarineta
> Fi firiri
> Firiri fifi
> Quem é que vai de prato e faca
> Taca cheque taca
> Chequetaca checá
> Quem vai querer sair de banda
> Pan pararan
> Pararan panpan
> Hoje a banda sairá
>
> Alô, liberdade
> Levanta, lava o rosto
> Fica em pé
> Como é, liberdade!
> Ah, dona liberdade...
> Vou ter que requentar
> O teu CAFÉ
>
> Bom dia, alegria
> A minha companhia
> Vai cantar
> Em doce harmonia
> Pra te alegrar
>
> Quem vem com a boca no trombone
> Pom pororom pororom pompom
> Quem vem com a bossa no pandeiro
> Chá carachá carachá chachá
> E quem só toca telefoneTrim tiririm
> Tiririm trintrim
> E quem só canta no chuveiro
> Trá tralalá tralalá lalá
> Quem vai querer sair na banda
> Pan pararan
> Pararan panpan
> Hoje a banda sairá
> Ah, sairá, sairá, sairá
> Laiaralaialaialaiá
> Hoje a banda sairá
>