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> A gestao Conde realmente nao demonstra nenhum comprometimento com a
cultura
> popular. Praticamente acabaram com o Baixo Gavea, depois com os bares de
> Santa Teresa, em especial o Sobrenatural, fazendo cumprir a lei do
> silencio. Uma lei que, como muitas outras, apresenta varios pesos e
> medidas. (Ah, parentesis: soube ontem de fonte segura que o Carne de Sol
> reabre em dois meses. Apesar das dividas, estao reformando a casa, que vai
> ganhar isolamento acustico.)
> Mas e' o que alguns ja' discutiram aqui na Tribuna: ha' improviso e
> improviso. Rola por ai' muita jogacao de nota fora, com direito 'aquelas
> escala todas 'a la Berklee, GIT etc. Isso me lembra uma historia que o
> Claudio Jorge gosta de contar, a do veterano guitarrista que tocava havia
> anos numa boate. O cara, que nao faltava nunca, precisou um dia mandar um
> substituto. Pois esse substituto chegou la' e arrasou: mil escalas,
frases,
> virtuosismo total. Impressionou muita gente, inclusive o dono da boate,
que
> comentou no dia seguinte com o titular, ja' de volta ao posto:
> - Puxa, o cara que voce mandou ontem e' sensacional! Aquelas notas todas
> que ele da', que coisa incrivel! Por que e' que voce nao toca assim, desse
> jeito?
> E o veterano, com um sorriso:
> - E' porque ele ainda esta' procurando as notas. Eu ja' achei...
>
> []s,
> Filipe
Filipe,
Esse dialogo me lembra uma frase do B.B. King: "Nao importa as notas que
voce toca, mas como voce as toca". Mas devemos lembrar que o improviso nao
requer velocidade, e nem uma elevada carga de notas, apenas liberdade (muita
ou pouca, depende do musico e/ou da musica) e criatividade. O improviso nao
estah desvinculado do sentimento e da beleza, muito pelo contrario, deve
estar a seu servico. Nao precisa ser um exercicio instrumental, pode muito
bem ser um delirio musical. Vc quer coisa mais leve e lirica que os
concertos do Keith Jarret? E sao puro improviso. Improviso e lirismo. O
mesmo podemos falar com relacao ao Sonny Rollins. Repito o que alguns jah
disseram por aqui: basta ouvir o musico certo e a musica certa. O problema
eh que sempre que falamos a respeito de improviso aqui na lista, vem alguem
citando Berkley & Cia. Ora, quando falamos em samba, citamos o SPC???? Nem
consideramos o SPC samba. (A maioria da lista, acredito). Acho que usam dois
pesos e duas medidas. Quando nao simpatizam com algum estilo, apontam o pior
como generico. E nem consideram a possibilidade deste pior ser
representativo ou nao. Temos excecoes na propria "escola Berkley". Jah
ouviu o Mike Stern? Quase todo ano ele toca no Mistura Fina (Rio). Eh um
guitarrista fantastico. Ateh o exigente e coerente Joseh Domingos Rafaelli
jah babou em um concerto dele. Estudou em Berkley, tocou com Miles Davis, e
depois com meio mundo, e hoje eh um dos grande guitarristas vivos (na minha
opiniao, eh claro). Falta criterio, menos paixao (isso eh meio dificil para
nos, neh) e um pouco mais de razao (isso eh mais facil).
Quanto ah Catacumba, pelo que sei, reformaram as estatuas do Parque e
abriram uma trilha que acaba com uma visao espetacular da Lagoa. A alegacao
de que o parque fica destruido apos os shows, nao eh minha, mas da
prefeitura. Eu cansei de deitar e rolar naquela grama....Concordo quanto ao
Parque dos Patins, o lugar nao eh dos mais felizes. O parque Garota de
Ipanema, tambem nao eh muito legal. A Catacumba foi muito importante para a
musica instrumental brasileira nos anos 80. Abriu espaco para muita gente.
Sinto saudades das tardes de domingo, saindo da praia direto para o Parque.
Agora nem praia mais nos temos.