Re: Tribuneiro improvisando na Catacumba,

Luis Filipe de Lima (lfilipel@OPENLINK.COM.BR)
Sat, 1 May 1999 18:36:08 -0300

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Filipe tinha escrito:
>>- Puxa, o cara que voce mandou ontem e' sensacional! Aquelas notas todas
>>que ele da', que coisa incrivel! Por que e' que voce nao toca assim, desse
>>jeito?
>>E o veterano, com um sorriso:
>>- E' porque ele ainda esta' procurando as notas. Eu ja' achei...

E Lene respondeu:
> esse eh o dialogo mais ilustrativo que ja vi ao se falar em
>improvisaçao. Muito legal, gostei. Eh exatamente isso, ao se fazer escala o
>cara vai fazendo notas e colocando mais enfase (...) nas notas
>que ele acha que esta mais dentro do tema, e assim como uma cor na pintura
>nao eh? Realmente, aih, as academias nao podem ajudar muito porque se trata
>do inconsciente de cada um. O que trazes em vossa bagagem???!!!

Essa e' uma questao fundamental. Cada vez mais me dou conta de que o musico
toca aquilo que ele E'. Sua materia-prima e' ele mesmo, seu temperamento,
humor, gestalt (ui!), signo, orixa e tudo mais.

Por outro lado, queria lembrar de um papo que ja' rolou na lista ha' algum
tempo, sobre o improviso do choro, de uma maneira geral diferente do que se
faz no jazz. O improviso do choro, por tradicao, e' melodico, ou seja,
acontece a partir de variacoes melodicas e ritmicas do tema. Suas frases
sao organicas em si e entre si, e o tema e' uma referencia constante. Basta
ouvir mestres como Pixinguinha e Jacob para perceber que eles chegam a
construir novas melodias em seus improvisos. Nao se trata de uma sucessao
de escalas e frases de efeito (muitas vezes genialissimas, como fazem os
craques do jazz) desvinculadas do tema, a nao ser pela harmonia comum.

>Mas, por
>mais que tente um iniciante, eh sempre valido ele exercitar, pois estah
>caminhando, buscando e essas coisas nao sao simples, realmente isso, nao
>se aprende na escola.

E', Lene, uma antiga discussao aqui na lista...

[]s,
Filipe