Re: Tribuneiro improvisando na Catacumba,

Luis Filipe de Lima (lfilipel@OPENLINK.COM.BR)
Sat, 1 May 1999 17:01:05 -0300

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At 15:13 01/05/99 -0300, Luis Fernando Marques-Santos wrote:
>Foram os improvisos da Catacumba que deixaram o Moreira de cabelos brancos.
>Se a Catacumba for reativada, o cara acaba careca ! E nos nao queremos isso,
>neh companheiro?

Sei nao, pode ate' ser bom pro cara. Afinal, tem gente que gosta...
"Nooooooos, nos os carecas / Com as mulheres somos maiorais / Pois na hora
do aperto / E' dos carecas que elas gostam mais, mais, mais, mais..."
(Arlindo Marques Jr. e Roberto Roberti, carnaval de 42).

Eu andei lendo em algum jornal, no final do ano passado,
>que o parque iria sofrer uma reforma, mas que os shows nao retornariam
>porque eles danificavam o parque.

Mas de que adianta um parque semi-abandonado e sem conservacao adequada?
Acho o Parque da Catacumba um lugar mais ainda mais apropriado pra shows do
que a nova "Praca dos Patins", no lado oposto da Lagoa. Na Catacumba, alem
de uma maior capacidade de publico, a infra-estrutura de palco, luz, som e
camarins e' bem melhor. Mas mesmo nos Patins, onde aconteceram shows
interessantes (cheguei a tocar la' em janeiro com o Arranco), a prefeitura
interrompeu a programacao musical, por reclamacoes de vizinhos influentes.

A gestao Conde realmente nao demonstra nenhum comprometimento com a cultura
popular. Praticamente acabaram com o Baixo Gavea, depois com os bares de
Santa Teresa, em especial o Sobrenatural, fazendo cumprir a lei do
silencio. Uma lei que, como muitas outras, apresenta varios pesos e
medidas. (Ah, parentesis: soube ontem de fonte segura que o Carne de Sol
reabre em dois meses. Apesar das dividas, estao reformando a casa, que vai
ganhar isolamento acustico.)

Pois a prefeitura ainda colocou agua na cerveja de um dos eventos mais
tradicionais do Rio, a festa de Sao Jorge, na igreja ao lado do Campo de
Santana. E' tao antiga quanto a festa da Penha, para se ter uma ideia.
Estive la' na madrugada de 22 para 23 de abril, quando acontece o toque de
alvorada em homenagem ao santo, sempre com a presenca de muitos sambistas,
devotos de Jorge. Nesse ano, a prefeitura limitou o numero de barracas e
ambulantes e proibiu sumariamente o tradicional show que acontecia num
palanquezinho. Motivo: barulho na madrugada. Ora, pergunto eu, pra acordar
quem? As cotias do Campo de Santana? Ali nao e' area residencial, e mesmo
as cotias podem se acomodar la' pras bandas do Souza Aguiar. Mesmo assim,
num ato de insistencia cultural, rolou uma roda de choro & samba da
pesadissima, em torno de umas mesas colocadas em plena rua, que so' parou
na hora da missa. Ogunhe^!

>Alvaro, estive pensando no que vc escreveu, e acho que voce tem toda razao:
>sou mesmo um rebelde, subversivo, e desajustado. (...) Se todos se
propusessem a
>eliminar um improvisador do mundo, este planeta seria mais, mais, eh.......2
>por 2, ou 4 por 4, ou .......

Mas e' o que alguns ja' discutiram aqui na Tribuna: ha' improviso e
improviso. Rola por ai' muita jogacao de nota fora, com direito 'aquelas
escala todas 'a la Berklee, GIT etc. Isso me lembra uma historia que o
Claudio Jorge gosta de contar, a do veterano guitarrista que tocava havia
anos numa boate. O cara, que nao faltava nunca, precisou um dia mandar um
substituto. Pois esse substituto chegou la' e arrasou: mil escalas, frases,
virtuosismo total. Impressionou muita gente, inclusive o dono da boate, que
comentou no dia seguinte com o titular, ja' de volta ao posto:
- Puxa, o cara que voce mandou ontem e' sensacional! Aquelas notas todas
que ele da', que coisa incrivel! Por que e' que voce nao toca assim, desse
jeito?
E o veterano, com um sorriso:
- E' porque ele ainda esta' procurando as notas. Eu ja' achei...

[]s,
Filipe