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At 11:35 30/04/99 -0300, Kelly Araujo wrote:
>Recebi uma mensagem dizendo que meus e-mails estavam em HTML, entào estou
>reenviando, agora (espero) em Plain Text...
>
>Foi através da lista de discussão que soube da existência do Site do Grupo
>Só Pra Contrariar, como boa webdesigner curiosa fui ver como era a página,
>no meio da minha navegação encontrei este texto, digno de uma Vera Loyola...
>Fiquei tão estarrecida que achei que precisava dividir isto com alguém,
>escolhi vocês... :')
>Abraços e Boa Sorte para quem se aventurar na leitura...
>Kelly.
>
>Populares e bem produzidos, eles são a nova cara do Brasil.
>A cultura popular brasileira, hoje, tem a face de Alexandre Pires, vocalista
>do grupo Só pra Contrariar, campeão absoluto de vendas no país, com
>3 milhões de CDs. Tem também a boca de Ivete Sangalo, que colocou a axé
>music entre os gêneros musicais mais consumidos no Brasil. Mais que um novo
>rosto tem pernas: as de Carla Perez ou as de Scheila Carvalho, loira e
>morena catapultadas pelo grupo de samba É o Tchan! Ídolos populares aparecem
>e fazem sucesso de tempo em tempo, mas nunca tiveram a força dessa nova
>leva, que faz barulho em diferentes meios. Os nomes acima são,
>simultaneamente, campeões do mundo do disco, grandes chamarizes de audiência
>na televisão e garantia de altas vendagens de publicações especializadas; ou
>seja, onde aparecem, dão lucro. Há outra característica que os distingue das
>gerações anteriores de ídolos populares: romperam as fronteiras entre
>"brega" e "chique". Até pouco tempo atrás, cantores como Alexandre Pires só
>eram consumidos pelo chamado povão. Atualmente, lotam não apenas shows da
>periferia e rodeios no interior, como também casas noturnas dedicadas ao
>público classe A.
>O Metropolitan, no Rio de Janeiro, com capacidade para 8.500 lugares,
>apresentou, em 1995, doze atrações consideradas populares. Hoje, este número
>mais que dobrou: subiu para trinta. "O Só pra Contrariar atrai, hoje, o
>mesmo público de shows internacionais, aqueles que podem pagar mais pelo
>preço do ingresso e fazem questão do conforto de uma mesa", explica Silvana
>Cardoso, diretora artística do Matropolitan - casa que, há três anos,
>apresenta artistas como o espanhol Plácido Domingo, um dos três maiores
>tenores da atualidade.
>Hoje em dia, ninguém sente vergonha de admitir que gosta de artistas,
>anteriormente, considerados bregas. Luciano Huck, apresentador de TV e
>colunista social afirmou que "dos seis CDs que levo em meu carro, dois são
>do Só pra Contrariar.
>O grupo mudou o gosto da classe média brasileira, que antes ouvia gente como
>João Gilberto e congêneres. Seria mais correto dizer que mudou a expectativa
>das pessoas em relação aos produtos culturais. Por incrível que pareça, a
>noção de entretenimento voltou a entrar em cena, passada a longa ressaca do
>período ditatorial, quando as manifestações musicais e estéticas,
>especialmente aquelas que faziam furor entre os bem pensantes, eram
>predominantemente de cunho político.
>A função de divertir as novas bandas, eles cumprem com eficiência. Foi-se o
>tempo em que cantor popular tocava em churrascarias e lançava discos de
>vinil porque eram mais baratos. Agora, eles são produzidos e este é um dos
>motivos do sucesso entre um público classe A. Goste-se ou não de pagode, o
>show do Só pra Contrariar é um espetáculo digno de ser visto. O cantor
>Alexandre Pires chega ao palco a bordo de um elevador iluminado, num efeito
>claramente inspirado no show do mago David Copperfield. Os figurinos que a
>banda usa são baseados em moldes usados pelas grandes estrelas da música
>romântica internacional. Os cenários, as coreografias e a iluminação também
>têm matrizes em produções estrangeiras de sucesso; no caso, as turnês de
>Mariah Carey e Celine Dion. O fato de o Brasil ter criado, na música, um
>similar do pop americano garante ao país a primazia de ser um dos poucos do
>mundo em que há uma clara predominância do produto nacional.
>Adaptação do texto publicado na Veja em 13/05/98
>
>