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Sonia (soniaadv@RIO.NUTECNET.COM.BR)
Mon, 19 Apr 1999 22:54:53 -0300

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Querido Jorge,

costumo ler atentamente a opiniao dos que teem algo a dizer. Voce
certamente eh uma dessas pessoas aqui na lista. 'Coragem pra se libertar'
como diz a letra de alguma musica que jah nao me lembro qual.

Lendo o que voce escreveu sobre a juventude, menos dis-cordando e mais
querendo
a-cordar para o que implica ser jovem (o olha que dos meus 31 anos, jah n=
ao
se eh tanto assim...), gostaria de evocar - quem sabe para invocar - o
Mario Quintana: "O TEMPO o tempo eh a insonia da eternidade".

Somos sempre todos insones de alguma forma.

Os franceses que hoje preferem os caes aas criancas, talvez hoje nao seja=
m
capazes de distinguir a crianca do cao. Sem redimi-los (que merda nao
saber/querer tal diferenca!!!), o fato eh que cada um dah o que tem. Anos
depois, eles nao souberam o que fazer com aquilo que fizeram deles, usand=
o
uma maxima sartreana, bem a proposito. Mas este soh fato, nao os condena.
Antes, '68' jah foi um monte de coisa. Identificou, distinguiu, incendiou=
,
direcionou. Isto nao eh qualquer coisa, nao. Soh para citar um exemplo.

No Brasil, por exemplo, nao se pode 'aplainar', com uma linha soh, sem
cometer erros de avaliacao, os jovens da geracao dos anos 70. Wilson
Simonal (nem sei se devo usar maiusculas...) e Benito Di Paula nao foram
idolos de uma geracao, por mais que se tenha insistido ("norte a sul, do
meu Brasil, caminha cantando quem nao viu...". Ui!!!!!). Enquanto isso....
'Jovens' morriam assassinados. Eh fato. Sem exageros.

Ser jovem nao encerra em si uma virtude. Mas, por outro lado, tem signos
positivos.

Pra encerrar, o Chico Buarque, no livro do Zuenir Ventura, disse uma das
melhores frases que jah li sobre os inquietantes anos '68', os quais,
entendo, determinaram muito do que somos agora. Eh mais ou menos assim:
"nao demora muito pra gente perceber que nem toda loucura eh genial, como
nem toda lucidez eh velha".

Beijos joviais (sem provocacao)

Sonia

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> De: Jorge Luiz Carniel <jorge@ACIF.COM.BR>
> Para: L-DISCUSSAO@SAMBA-CHORO.COM.BR
> Assunto: Re: [S&C] Pe=E7o um aparte, companheiro...
> Data: Sexta-feira, 9 de Abril de 1999 09:18
>
> A pior heran=E7a da segunda guerra, pior que armas atomicas, foi a
invencao da
> juventude...
> A juventude e' um estado de transicao entre a ignorancia infantil e=
a
> experiencia adulta. Nessa interfase a maior caracteristica e' um
individualismo
> exacerbado, uma constante contestacao quase que natural do "status quo".
> Mas em algum ponto de nossa historia ocorreu que esses jovens
dominaram o
> mundo e o consequentemente o mercado. E ai' veio o estrago: nos EUA
eles
> abandonaram Gershwin & Cia. para ouvir Elvis Presley. Mais tarde na
Franca
> inventaram o tao disseminado habito de criticar governantes so' pela
critica,
> sem propor nada no lugar, so' slogans bem feitinhos, coisa de gente que
cresceu
> com pouco estudo e muita midia. E os jovens cubanos revolucionarios
achavam
> natural matar quem quer que fosse contra suas ideias, isso sim o apogeu
do
> individualismo.
> Mas esses jovens envelheceram e nao tiveram nem um decimo da
dignidade de
> seus pais e avos. A tao rica cultura americana, que nos deu o jazz e o
blues na
> musica, que fez do cinema uma grande arte, virou uma pasmaceira medonha.
A
> Franca que xingava De Gaulle tem o que para mostrar ao mundo hoje?
Absolutamente
> nada, so' uma obscena obsessao de preferir cachorros a' filhos. E Cuba,
gracas
> ao jovem Fidel, conseguiu construir e destruir um sonho, onde hoje
assustados
> musicos so' sabem tocar o que havia antes de1959. No Brasil o jovem FHC=
,
que
> gritou muito em 68... bem, julguem por voces mesmos.
> E essa obscenidade juvenil destruiu todo senso de ridiculo da
sociedade.
> Vide meninas de 10 anos e av=F3s de 55, ambas querendo parecer que tem =
21
anos.
> Ser irresponsavel, "nao estar nem ai'", isso e' ser jovem e quem nao
consegue
> com o corpo tenta com a cabeca. Ser culto, ser inteligente, conhecer as
coisas e
> ter opinioes proprias nao sao ideais jovens, portanto ninguem quer isso.
> Isso afeta a musica sim pois nao se tem paciencia de estudar um
instrumento
> a fundo e, pior que isso, NAO HA' CURIOSIDADE em saber como se faz isso
ou
> aquilo. A morte da curiosidade e' talvez a pior coisa que pode ocorrer =
em
> qualquer civilizacao.
> Mas as coisas vao piorar: vem ai' a ditadura da infancia, que comec=
a
a
> ensaiar seus primeiros passos. Sentiremos faltas de todo esse pagode...
>
>
> P.S.: So' para esclarecer: tenho 36 anos. E nao gosto quando dizem que
Vov=F4 Beto
> Fields vendeu o Brasil. Um pais que pode ser vendido nao merece ser
comprado.
>
>
> Lene Francisco de Carvalho wrote:
>
> > Caro Alvaro e todos
> >
> > Na minha opinao, tudo tem a ver com a economia. Em decorrenc=
ia
da
> > mudan=E7a do modo de produ=E7ao, da maneira em que o homem trabalha =
foi
> > alterando tudo. A Inglaterra mudou violentamente os costumes apos a
> > beatlemania - fenomeno mundial.
> > Depois, os estudantes franceses cabeludos exigindo mudan=E7a na polit=
ica,
> > paralelamente, Cuba repercutiu com jovens revolucionarios
> > que entendiam profundamente de politica. Isso apenas para se referir =
ao
> > mundo ocidental.
> > Em contrapartida, foi muito forte a propaganda anti comunista a parti=
r
dos
> > anos 60, os presidentes americanos jogaram pesado. O Brasil, que at=E9
Getulio
> > era nosso, foi entregue, com ajuda de economistas muito inteligentes
como R.
> > Campos. O partido comunista todo o tempo, enquanto existiu, veio
repetindo
> > que em nosso meio ia crescer uma popula=E7ao burra.
> > A invas=E3o cultural a que estavamos sendo submetido so poderia dar n=
o
que
> > deu. Acabou com a informa=E7ao seria, voltada para o ser humano. Com=
os
> > ideiais, com espirito critico. A pseudo-classe media, a mais
entreguista,
> > porque ganhou alguns beneficios naturais da revolu=E7ao tecno-cientif=
ica
como
> > alguns colegas aqui da lista, acha a vida bela. Ela, a classe media,
como o
> > Chico Buarque diz em "Ela desatinou", juntamente com pequenos
produtores
> > rurais, nao quer saber do futuro, nao quer saber do proximo, ela nao =
e
> > solidaria, nao tem amor proprio porque ve seu proprio pais degradar e
nao se
> > preocupa com o que e mais importante na forma=E7ao do carater do home=
m
que eh
> > sua alma, sua cultura, sua musica.
> > Acredito, caro Alvaro Neder que tudo parte da economia. Sei qu=
e
eh
> > extremamente constrangedor discutir isso na lista porque muita gente
boa,
> > sabe o que =E9 choro, samba e gosta das melhores interpreta=E7oes do =
genero
mas
> > infelizmente vive no dogma moderno da classe media, segundo a teoria =
do
> > prazer, cuidando de si. Isso =E9 importante, mas se nao ver direito,=
nao
ver=E1
> > que cuidar de si implica em cuidar de nossos parques, nossas matas e
nossa
> > cultura e porque nao dizer de nosso povo. Vai ficando complicado porq=
ue
> > entre nos e o povo tem uma multidao de politicos ladroes, como se
fossem
> > verdadeiros representantes mas o que eles fazem =E9 roubar. Sao ladro=
es,
> > quantos rombos precisam realizar para deixarem de votar neles?
> > Vai virando economia e politica, nao vale a pena estender.
> >
> > [ ]s Lene