(no subject)

Helion Povoa Neto (hpn59@HOTMAIL.COM)
Fri, 9 Apr 1999 08:28:09 -0300

Clique aqui para responder esta mensagem

Estado de SP, 9 de abril de 1999
Musical recupera força poética de Vicente Celestino

`Acordes Celestinos' estréia hoje no Teatro Studium com um tributo ao compositor de `O Ébrio'

ANA WEISS

Depois de cinco anos pesquisando as possibilidades de montar um musical que fosse, ao mesmo tempo, atual e brasileiro, Gerson de Abreu resolveu mergulhar na discografia de Vicente Celestino. O pai de O Ébrio é o personagem central de Acordes Celestinos, que estréia hoje no Studium. Escrita por José Rubens Chachá, que também assina a direção em parceria com Ary França, a montagem reforça a vocação musical desse novo teatro do Bexiga, que já abrigou o musical A Cor de Rosa, sobre Noel Rosa, agora em cartaz no Cultura Artística.

"O maior tesouro do Brasil é a música e, mesmo assim, temos pouca oferta de musicais", comenta Chachá, que, ao lado de Gerson de Abreu, produziu o espetáculo com dinheiro próprio. "Há muito tempo estamos trabalhando nisso e não dá mais para esperar as altas e baixas das bolsas e a volta da segurança dos empresários."

Gerson de Abreu conta que a escolha de Celestino veio de algumas constatações tiradas da pesquisa. "Em primeiro lugar, ele foi um dos pioneiros na criação musical brasileira e popular." O ator observou também que, apesar de ser lembrado como o eterno demodê, Vicente Celestino é um dos compositores de maior sucesso em regravações."De tempos em tempos, sempre há alguém que interpreta uma canção sua, que acaba voltando às bocas de jovens e velhos."

Ele cita como exemplo a regravação de Caetano Veloso de Coração Materno, no primeiro Tropicália. Embora a crítica não tenha gostado da versão do baiano, a história do peão que arranca o coração da própria mãe em troca do amor de uma mulher voltou a ser cantarolada nas casas do interior e nos bares das capitais. "Recentemente, Celestino caiu na boca de todos com a versão que Agnaldo Rayol fez para a novela O Rei do Gado", exemplifica.

Durante a preparação do espetáculo, o grupo deu-se conta de que a carga dramática das canções de Celestino não correspondiam à sua biografia. Precursor do sentimentalismo trágico na música popular brasileira, ele teve a vida pacata de um homem comum. "Por isso, descartamos a possibilidade de apresentar um espetáculo biográfico", explica Chachá. Em vez disso, o grupo criou uma peça dentro de outra: a história de Vicente Celestino é mostrada na interpretação de suas músicas por uma trupe circense. "Também não se trata de uma homenagem e os dados históricos funcionam apenas como apoio para a ficção."

A história real liga-se com o enredo da peça no início do espetáculo, que é aberto com a morte de Celestino em 1968, quando veio a São Paulo, convidado por Caetano. Na montagem, entretanto, sua história se passa no céu, contata pelo grupo de circo, que revive outros personagens da música brasileira (como Carmem Miranda, vivida por Ângela Dip) perpassando por cerca de 40 canções de Celestino e de outros "ícones das décas de 30 e 40".

Com a direção musical dos maestros Abel Rocha e Miguel Briamonte, Acordes Celestinos tem toda a trilha interpretada ao vivo, com direito a convidados-surpresa e mudança de repertório, como manda o bom teatro de revista brasileiro.