Maria Teresa Madeira e Clara Sverner

Helion Povoa Neto (hpn59@HOTMAIL.COM)
Tue, 6 Apr 1999 11:13:19 -0300

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Jornal do Brasil de hoje:

Piano revive Chiquinha Gonzaga

Maria Teresa Madeira e Clara Sverner se apresentam na Sala

LENA FRIAS

Duas pianistas de escol, Clara Sverner e Maria Teresa Madeira, fazem
apresentação única na Sala Cecília Meireles no próximo sábado, às 20h,
no espetáculo Para sempre Chiquinha. Foi Clara quem redescobriu a obra
de Chiquinha Gonzaga e em 1980 gravou dois discos dedicados à
compositora. No ano passado, Clara criou o Ergo, selo próprio cujo
primeiro lançamento - o vigésimo primeiro disco de sua carreira - foi
inteiramente dedicado a Chiquinha. Um trabalho irretocável, como, aliás,
são todos os que Clara Sverner, uma artista culta, sofisticada e
sensível, realizou até aqui. Ela se prepara agora para uma turnê
nacional e internacional de lançamento de seu Chiquinha Gonzaga.

Maria Teresa Madeira, que interpretou a própria maestrina no musical
Forrobodó, encenado no Rio no ano passado, e era aquela pianista que
aparecia na vinheta final da recente minissérie da TV Globo, já gravou
sete CDs dedicados à música instrumental brasileira. Na carreira
internacional, Maria Teresa apresentou-se com Alain Marion, Alain
Damiens e Leopld La Fosse. No próximo semestre fará uma turnê pelos
Estados Unidos com o trombonista Radegundis Feitosa, divulgando o disco
Trombone brasileiro.

O recital Para sempre Chiquinha soma-se às homenagens à compositora
nascida na metade do século passado e que morreu em 1935. Uma
personalidade transgressora, ardente e corajosa que tomou as rédeas da
própria vida num tempo de repressão à mulher. Uma proto-mater, portanto,
do feminismo como atitude de luta pelos direitos civis e pela liberdade
feminina. A partir da série de TV, a revolucionária compositora
ergueu-se como uma super-heroína do imaginário nacional, realçando
trabalhos importantes de autores como Edinha Diniz - autora da melhor
biografia já escrita sobre Francisca Edwiges Gonzaga - e instrumentistas
como Sverner e Maria Teresa, há muito dedicadas ao estudo da vida e da
obra da pioneira.

O recital Para sempre Chiquinha, que vai oferecer desconto de 50% para
estudantes e tem o apoio da Associação dos Amigos da Sala Cecília
Meireles, apresentará um repertório que inclui peças conhecidas como Ó
abre-alas e Corta-jaca, em arranjo para dois pianos, e outras com que o
público ainda está se familiarizando, como Tupan, Bionne e Viva la
gracia - que Clara interpretará em piano solo. O cardápio luxuoso de
Maria Teresa inclui Plangente, Cananéia e Bijou na noite de festa do
piano brasileiro.