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Eu tambem estive em Paraty ha cerca de 15 anos atras, e tambem
frequentei uns barezinhos (nao lembro quais - a cachaca era boa
demais...), com seresta e samba de primeira.
Porem o que me impressionou demais foi uma festa que se deu em frente a
uma igreja, junto ao mar, onde havia musica de quadrilha, do jeito que
voce falou: sem eletronica, a gente do lugar dancando, ou seja, nao era
uma coisa folclorica "pra ingles ver"....
Mas fiquei ainda mais espantado com a variedade de ritmos e dancas que
vi e ouvi. A cada momento se anunciava um estilo diferente, e todo mundo
conhecia, e todo mundo dancava e cantava....
Pensei muito em como isso se preserva ha tanto tempo, e conclui que tem
a ver com o relativo isolamento daquela area do sul do estado do Rio.
Ate os anos setenta, o acesso por estrada era bem precario, e isso deve
ter permitido a preservacao de certos estilos de vida. Ainda hoje ha
comunidades caicaras por ali (existe ate um grupo de guaranis!) que
mantem muito pouco contato com a "civilizacao" (tal como a entendemos).
Claro que isso nao explica a boa musica nos bares de Paraty (a
explicacao deve estar ligada à qualidade da pinga...). Mas ajuda a
entender as coisas de que o Renato falou. Nao se trata de ser retrogado
nem de defender qualquer isolamento das comunidades, afinal seria muita
prepotencia....
Mas me preocupa pensar que os redutos em que se produzem essas coisas
tao bonitas e raras estao acabando. O grupo que tocava as quadrilhas
tinha muitos membros ja de idade avancada, entao... E tem mais, energia
eletrica eh bem estar para as comunidades do local, que tambem querem
melhores meios de transporte, receber gente de fora etc... So que junto
com isso, chegam tambem Xuxa, Shasha, Carla Perez.... ou seja, outras
formas de "quadrilha"'.... E ai, como e que fica?
Bem, essa carta e so um desabafo e uma perplexidade...
Um abraco para todos,
Helion
(Rio de Janeiro)
>
>Caro Paulo e demais tribuneiros,
>Este final de semana estive em Paraty e fui surpreendido por gratas
>surpresas:
>- No Margarida Cafe, tive a oportunidade de ver e ouvir uma jovem
>cantora
>chamada Graciana Antunes, dona de bela voz, interpretando musicas de
MPB
>conhecidas, mas com personalidade, sem se transformar em clone, e
>bonitas
>composicoes de sua autoria. No mesmo local, ainda, ouvi um trio
>instrumental ( violao, flauta e teclados - nao tinha nome ) tocando MPB
>muito bem.
>-No Bar Chameguinho , um boteco na R. Roberto da Silveira, correu samba
>-
>pagode VERDADEIRO - de primeira grandeza, so com violao e pandeiro.
>-No bar do Moura, outro boteco na mesma rua, tambem um bom samba.
>Por fim, ontem a noite, assisti algo que ha muito nao via: danca de
>Quadrilha, sem gente fantasiada, sem parafernalia eletronica, com a
>populacao local e turistas todos dancando e curtindo, espontaneamente.
>Vale a pena ir a Paraty, para curtir o BOM BRASIL Musical
>Renato - Rio - RJ
>
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