Re: RES: [S&C] Academicismo no choro

Alvaro Henrique (psicodelico@NUTECNET.COM.BR)
Tue, 30 Jun 1998 19:22:44 -0300

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Dom divino? Esse papo ta parecendo coisa de Calvinista que acredi=
ta em
predestinacao. Voce nao acredita tambem em Papai NOel? Desculpe meu
sarcasmo, mas e mais facil acreditar nele que em dom divino. Esse negocio
de dom e uma besteira inventada para nao incentivar os que nao tocam bem
ainda e valorizar os que tocam bem, destacando-os da sociedade como
escolhidos de Deus, obra de graca divina e tudo mais. Sejam sinceros, meu
teocentrista e todos bons instrumentistas e compositores, inclusive o
Raphael RAbelo, voces comseguiriam tocar e compor bem se nao tivesse
estudado? Essa mentalidade da obra de Deus DEVERIA ser substituida pela d=
o
trabalho como causa do sucesso ja ha muito tempo. Quando sera que vamos
progredir?
[]s;
Alvaro Henrique

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> De: laj <laj@CABUGISAT.COM.BR>
> Para: L-DISCUSSAO@SAMBA-CHORO.COM.BR
> Assunto: Re: [S&C] RES: [S&C] Academicismo no choro
> Data: Segunda-feira, 29 de Junho de 1998 20:28
>
> Ola' pessoal,
>
> Permaneci a margem dessa discussao apenas como espectador ate' onde pud=
e,
> mas agora peco licenca para expor algo que para mim e' muito claro.
> Qualquer pessoa pode ser bom musico, até um grande instrumentista, um
otimo
> chorao. Basta que siga os passos basicos que esta discussao ja' tracou
ate'
> aqui. Digo isso porque ate' eu (e isso muitos vao entender oque estou
> falando), ate' eu faco musica, crio arranjos, faco acompanhamentos em
solos
> instrumentais de choro, de jazz que tambem gosto muito; isso tudo de
> cabeca, assobiando, imitando instrumentos como: trompete, sax, violao d=
e
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> cordas, e
> por ai vai. Nao e' que eu seja louco, e' que simplesmente nao sei coloc=
ar
> no papel uma nota sequer daquilo que crie, eu nao entendo absolutamente
> nada de teoria musical, mas apesar disso, nao sou surdo. A alguns anos
por
> iniciativa propria, relsovi entrar no mundo dos Srs. Pixinguinha, Noel
> Rosa,
> Nelson Cavaquinho, Cartola, Ernesto Nazare, etc..Interpretados entre
outros
> por ,
> Rafael, Rabello, Paulo Moura, Dino, Sebastiao Tapajos, Baden Powel, Pau=
lo
> Sergio Santos, Raul de Barros, Abel Ferreira, Canhoto da Paraiba,
etc..(os
> de sempre). Por isso tudo que pouco aprendi, algumas conclusoes tirei.
Umas
> delas e' que o choro realmente qualquer pessoa pode aprender, e ate'
tocar
> muito bem, mas o que diferencia um bom musico do excepcional e'
> simplesmente o dom*. E dom* e' divino, porque e' intrinseco do ser,
> absolutamente ligado aquela pessoa, alguem pode ate' imita-lo, ser
> parecido, mas jamais sera' igual, faz parte da alma do sujeito,
> indivisivel, e' aquilo que o diferencia dos demais. Justamente o que na=
o
se
> aprende na escola, porque o unico professor que tem a capacidade ensina=
r
> nao o faz; ao gerar Ele simplesmente coloca dentro do ser.
> E' uma esplicacao simples, ate' obvia, mais nao acredito em nenhuma
outra.
> O exemplo claro e' concordar com as palavras de Sergio Cabral sobre
Rafael
> Rabello: "Rafael nao se compara, separa-se".
> Sigamos com belissima essa discussao. Um abraco a todos,
> Claudio Vitor Gama Alves.
> Cidade do Sol, Natal/RN - 29/06/98
> * Dom, s.m. Dote natural; dadiva; donativo**; qualidade moral;
privilegio,
> poder.
> ** Donativo, s.m. Dadiva, presente, oferta.
> ----------
> > De: Moyses de Deus Lopes Filho <mdlopes@SIJNET.COM.BR>
> > Para: L-DISCUSSAO@SAMBA-CHORO.COM.BR
> > Assunto: [S&C] RES: [S&C] Academicismo no choro
> > Data: Segunda-feira, 29 de Junho de 1998 18:23
> >
> > Oi, Pessoal!
> >
> > Realmente, esta historia de academicismo esta' dando muito pa=
no
> > para manga... :-)
> > O Luis Francisco Camargo fez uma colocacao muito interessante=
:
> >
> > "Acho que a minha duvida passa por ai, sera que existe uma
> > receita para aprender o choro, ou qualquer genero musical? O
que
> > voces acham?"
> >
> > Realmente acho que o aprendizado passa por duas partes: a
> > vivencia e o estudo teorico.
> > Tanto que, na sua outra mensagem, o Luis Francisco diz:
> >
> > "O que tem um Rafael Rabello que o destaca dos demais? Ou um
> > Jacob?
> > Dar uma resposta a isso acho que e um desafio para qualquer
> > pesquisador.
> > Mas tenho uma opiniao: a historia de vida do sujeito."
> >
> > A questao da cultura individual, ou seja, toda a vivencia do
> > sujeito, desde o seu nascimento ate sua morte, e' de extrema
importancia
> > (pelo menos e' o que eu acho! :-)
> > Todas estas pessoas que se destacam, o fazem por um motivo ou
> > outro, geralmente diferente de um para o outro, mas em sintese, igual=
:
A
> > vivencia. E' por isso que temos politicos e GRANDES politicos; temos
> > medicos e GRANDES medicos; temos pintores e GRANDES pintores... Por a=
i'
> > vai! O que determina alguem ser acima da media acho que e' uma equaca=
o
> > bastante complicada de vivencia, estudo, momentos e oportunidades,
entre
> > outras coisas.
> > E isso ai', pessoal!
> > Esta discussao esta' uma beleza!
> > Grande Abraco,
> >
> > Moyses de Deus Lopes Filho - Porto Alegre - RS