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Preços de shows

Mensagem da Tribuna Livre, uma lista de discussão sobre samba e choro
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Autor: Marcelo Neder <celoneder(arroba)yahoo.com.br>
Data: Ter 15 Jan 2008 - 03:40:07 BRST

Eugênio, vou pegar um gancho no final do seu e-mail, porque acho que esse assunto vale a pena ser comentado.
   
  "O preço dos ingressos
condiz com a importância dos artistas e com o conforto atrelado ao
projeto. Não achei nada demais.
Paulinho da Viola esteve em BH e cobrou de 100 a 200. A Velha Guarda
da Mangueira esteve no Chevrolet Hall a 100 pilas. Acho justo."
   
   
  Quinta-Feira passada (10/01), estive num Hotel aqui de Salvador, para assistir a uma apresentação do Clube da Guitarra Baiana, promovido por Aroldo Macedo (irmão de Armandinho). Por sinal, muito bom, com toda a família Macedo (Armando, Aroldo, Betinho, André e cia...), vários músicos de Salvador, e alguns convidados ilustres como Pepeu Gomes.
   
  Pois bem. Qual não foi minha surpresa, ao sair do show e me deparar com ninguém mais, ninguém menos que Paulinho da Viola, sentado no saguão do Hotel, tomando um cafezinho. Paulinho fez um show na sexta-feira na Sala Principal do Teatro Castro Alves, com ingressos que chegavam a 120 reais nas primeiras filas e nao me lembro exatamente o preço dos mais baratos, mas acho que eram 60 ou 80 (Como o Castro Alves, não tem ponto cego na platéia, em qualquer lugar que vc sente tem uma visão perfeita - só que mais longe, naturalmente).
   
  Diante de um encontro inesperado daquele (e por acaso, eu estava com meu inseparável cavaco na mão - ô sorte!). Me apresentei, e falei com ele. Paulinho, todo educado, me convidou pra sentar e ficamos, eu e ele batendo papo no saguão do hotel. O próprio Paulinho, citou achar caro o preço do ingresso, e disse que se sentia muito incomodado em saber que de repente, mil, duas mil pessoas, não teriam acesso ao show dele. Questionei a produtora (não a produtora dele, mas a contratante que estava sentada tomando café com ele), sobre o porque de não ter feito na Concha Acústica do TCA, em que a lotação é maior (6000 pessoas, contra 1600 da Sala Principal do TCA. Isso permitiria entradas mais baratas.
   

  Ela me veio com a seguinte resposta:
   
- A concha não comporta o show de Paulinho, pois não é possível montar a cenografia, tem pouco espaço pra ganchos, etc... (explica-se: o show foi o do acústico, com toda a cenografia original do DVD, inclusive o próprio Elifas Andreato, tava aqui coordenando isso).
   
  Eu não quis falar nada, pra não ficar chato. Mas essa é uma mentira deslavada. A concha acústica ja´foi palco de inúmeras gravações de DVDs, muitos com cenografia cinematográfica. Cansei de ver operário pendurado com gancho de alpinista a 16 metros do chão montando cenário na concha (inclusive cenários muito mais complexos que o do DVD de Paulinho).
   
  Depois disso, quando Paulinho subiu para o quarto, ela se virou pra mim e disse a seguinte delicadeza:
   
- Você é artista, e não dá valor a sua arte! Quem tem obrigação de fazer caridade é o governo e não eu. Você acha caro pagar esse preço pra assistir a um artista desse nível? A Bahia não tem analfabeto, 80% do público de shows é estudante! A bilheteria não cobre nem um oitavo do custo do show.
   
  Respondi a essa candura de pessoa, que em primeiro lugar, ela não me conhecia e eu não conhecia ela, sendo assim seria melhor não falarmos um do outro, pois ela não era ninguém pra dizer o valor que eu dou ou não a arte.
  Argumentei também, que em um evento como esse, os contratos publicitários não são lá muito pequenos, e que sei muito bem que são eles que cobrem os custos do show (com uma boa margem de lucro, diga-se de passagem).
  Quando fui embora, ainda vi Paulinho novamente, que me disse que depois voltaria novamente em Salvador, dessa vez sim, com a turnê do show, e seria bem mais legal, pois seria algo mais acessível, em que ele mesmo se sentia mais a vontade.
   
  Ficou claro pra mim uma coisa: a necessidade de elitização de um artista popular, pra "justificar" um lucro exorbitante em cima de um parco público pagante com capacidade pra pagar a cobiça do contratante. Claro, é mais lucrativo, fechar um contrato publicitário para um evento na Sala Principal do Teatro Castro Alves, que na Concha Acústica.
   
  Para mim, esse é o retrato típico do mercado musical brasileiro
  E o povo?
   
   
  Abs
   
   
  Marcelo Neder
   
   

       
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Recebido em Tue Jan 15 03:40:45 2008

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