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Paulo Professor e Partidão

Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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Autor: SANDRA FARÁ (sbfara(arroba)oi.com.br)
Data: Qui 14 Set 2006 - 20:16:08 EST

Olá Tribuna!

Envio a mensagem para esclarecer um equívoco.

Por muito tempo Paulo da Portela não promoveu nenhum partido político ou
sindicato. Considerando que a organização das escolas de samba, na década de
40, envolviam mais de cem mil pessoas e Paulo era considerado seu líder, é
possível imaginar um constante assédio por parte de políticos em busca de
promoção. No entanto, sempre manteve-se ocupado com as entidades
organizadoras do carnaval e atividades recreativas e artísticas em geral.

Em termos ideológicos, jamais se pronunciou de forma que expusesse suas
convicções. No entanto, há alguns episódios que devem ser destacados, embora
não sejam provas de militância política.

Em 1945, o Partido Comunista ganhou a legalidade. O jornal que o
representava era o Tribuna Popular. O Sr. Vespasiano Lírio da Luz,
secretário do partido e jornalista, propôs uma campanha visando a
aproximação da massa proletária: realizar um grande desfile das escolas de
samba no Campo de São Cristóvão no dia 15 de novembro de 1946. Embora o
Partido Comunista pudesse considerar os sambistas como gente alienada e
avessa à organização da classe trabalhadora, a idéia concretizou-se com a
promoção do Tribuna Popular. O desfile fora de época foi um total sucesso e
contou com as presenças de Luiz Carlos Prestes e um ministro polonês como
convidados de honra.

Entre os jurados, estavam o maestro Francisco Mignone e o compositor Mário
Lago, além de outros intelectuais. Formou-se também uma comissão de honra
com nomes importantes da imprensa e da vida literária e artística como
Aníbal Machado, Jorge Amado, Dorival Caymmi e Paulo da Portela, que já
ocupava uma posição de destaque entre a intelectualidade brasileira na
década de 40.

Naquele desfile, Paulo representava o GRES Lira do Amor, pois já havia
deixado a Portela. Quando sua escola passou diante do palanque com os
convidados de honra, cantaram o seguinte samba:

“Prestes, Cavaleiro da Esperança

Foi o homem que pelo povo relutou

Seu Nome foi disputado dentro das urnas

Oh! Carlos Prestes

Foi bem merecida a cadeira de Senador

És o cavaleiro que sonhamos

De ti tudo esperamos

Com todo amor febril

Para amenizar nossas dores

E levar bem alto as cores

Da bandeira do Brasil”

Mesmo ligado a uma escola pequena Paulo foi figura de destaque. Mais tarde,
soube-se ser ele o autor do samba. Não se comprometeu politicamente, mas o
que se reflete nesses versos é o reconhecimento público da figura histórica
de Luís Carlos Prestes.

Em 1946, Paulo se filiaria ao Partido Trabalhista Nacional, propondo um
programa que apoiasse integralmente o recreativismo, facilitasse a locomoção
das escolas de samba, criasse um serviço de assistência social nas sedes das
escolas, inaugurasse escolas diurnas e noturnas nos morros, protegesse a
infância abandonada e a velhice desamparada e incentivasse o folclore
nacional.

Bibliografia:
SILVA, Marília T. Barboza DA. Paulo DA Portela: traço de união entre duas
culturas / Marília T. Barboza DA Silva e Lygia dos Santos Maciel. Rio de
Janeiro: FUNARTE, 1979.

Um abraço,
Sandra Fará

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