![]() |
Re: 2 dúvidas...Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros. |
| Página principal » Tribuna Livre » Arquivo das mensagens » Índice mensal | |
| Nova mensagem | Responder esta mensagem | Mensagens por data | Mensagens por discussão | Mensagens por autor |
|---|
Autor: Aline M. Mac Cord (amaccord(arroba)gmail.com)
Data: Sex 08 Set 2006 - 21:29:41 EST
Sobre a peleja entre Noel Rosa e Wiilson Batista,
sugiro o download dessas 12 canções, nas vozes de Jorge Veiga e Roberto
Paiva:
NOEL ROSA X WILSON BATISTA - SÉRIE TEMAS E FIGURAS DA MÚSICA POPULAR
BRASILEIRA - Vol. 1 - ROBERTO PAIVA e JORGE VEIGA (1974)
http://rapidshare.de/files/24004495/Noel_X_W_ilson.rar.html
1 *Lenço no pescoço *
(Wilson Batista)
*Interpretação: Jorge Veiga*
2 *Rapaz folgado *
(Noel Rosa)
*Interpretação: Roberto Paiva*
3 *Mocinho da Vila *
(Wilson Batista)
*Interpretação: Jorge Veiga*
4 *Palpite infeliz *
(Noel Rosa)
*Interpretação: Roberto Paiva*
5 *Feitiço da Vila *
(Vadico - Noel Rosa)
*Interpretação: Roberto Paiva*
6 *Conversa fiada *
(Wilson Batista)
*Interpretação: Jorge Veiga*
7 *João Ninguém *
(Noel Rosa)
*Interpretação: Roberto Paiva*
8 *Frankenstein *
(Wilson Batista)
*Interpretação: Jorge Veiga*
9 *Eu vou pra Vila *
(Noel Rosa)
*Interpretação: Roberto Paiva*
10 *Terra de cego *
(Wilson Batista)
*Interpretação: Jorge Veiga*
11 *Vitória *
(Nonô - Noel Rosa)
*Interpretação: Roberto Paiva*
12 *Meu mundo é hoje *
(José Batista - Wilson Batista)
*Interpretação: Jorge Veiga*
Não conheço o volume 2 da série, mas sei de outra gravação, de 1956: POLÊMICA
- WILSON BATISTA X NOEL ROSA - ROBERTO PAIVA E FRANCISCO EGYDIO Roberto
Paiva / Francisco Egydio
Divirta-se.
;-)
Beijos
Aline
On 9/6/06, SANDRA FARÁ <sbfara@oi.com.br> wrote:
>
> Resposta p/ Artur de Bem
> Data: 6/9/2006 00:02:03
> Para: tribuna@samba-choro.com.br
> Assunto: [S-C] 2 dúvidas...
> "Noel Rosa e Wilson Batista viviam brigando"/ "Na época da ditadura, os
> sambistas de morro eram muito censurados?"
>
> Olá Artur e Tribuneiros!
> Você tocou em dois assuntos super interessantes. Tenho certeza que muitos
> tribuneiros têm uma contribuição a fazer. Díficil será evitarmos algumas
> referências. Difícil será ser breve. Tentarei:
>
> Pelo que sei e que li em "Tia Ciata e a Pequena África Negra" (Roberto
> Moura), a cultura negra sempre sofreu repressão desde os primeiros negros
> que chegaram da Bahia para o Rio de Janeiro e que vinham unidos pelo
> Candomblé. Há muitos relatos e registros de perseguições ao culto
> africano,
> mas a resistência do grupo Negro foi fundamental para a consolidação de
> sua
> identidade. Na primeira década do século XX, as manifestações consideradas
> "africanistas" sofriam sistemática repressão policial (fosse religiosa ou
> musical).
> Em casa, particularmente, sempre ouvi histórias de pais de santos
> presos e
> de homens detidos por carregarem um instrumento de percussão. O curioso,
> é
> que no tempo de tia Ciata, pelo que sei, jornalistas, intelectuais e até o
> chefe de polícia freqüentavam seu salão festivo (talvez não fossem até o
> quintal). Mas não nos surpreende a sociedade ser hipócrita.
>
> De acordo com o que li em " O Samba na Realidade: a utopia da ascensão
> social do sambista" (Nei Lopes), o samba era a expressão musical dos
> negros que criaram as escolas de samba como forma de busca de aceitação
> social, embora não possuíssem o aspecto familiar dos ranchos. Os ranchos
> eram incentivados pelas autoridades por conservarem aspectos folclóricos
> (ou, em minha opinião, mais controláveis do ponto de vista da ordem
> pública
> vigente na época). Desfilavam como numa procissão, o que impacientava os
> mais novos. Até que um grupo de bambas do Estácio, fundou a Deixa Falar
> em
> 1929.
> A denominação escola de samba , dada pelos bambas do Estácio, sugere a
> tentativa de se igualar aos ranchos no conceito da sociedade, buscando
> sempre a aceitação das classes privilegiadas e o fim da repressão
> policial.
> A Deixa Falar trazia uma mistura de ritmos da Cidade Nova.
> Os componentes podiam cantar e desfilar sambando e improvisando passos . A
> patir de 1929/30, surgiram outras escolas e o ritmo identificado como
> samba
> carioca conquistava seu espaço.
> Um samba vindo do Estácio em que um refrão cantado por todos era seguido
> de
> estrofes improvisadas pelos sambistas, oferecendo não só um novo ritmo
> como
> um novo linguajar próprio dos sambistas e dos malandros, que viria a
> sofrer
> censura da cultura branca.
> A temática da malandragem foi altamente reprimida pelo Estado Novo. As
> autoridades desqualificavam o sambista e tentavam fazer com que os
> compositores cantassem o Estado e o trabalho, de acordo com outra
> excelente
> pesquisa que amei ler : " Acertei no milhar: samba e malandragem no tempo
> de
> Getúlio" (Cláudia Matos).
> O linguajar próprio dos sambistas sofreria censura e com a proliferação de
> blocos impôs-se a obrigatoriedade de autorização da polícia para poder
> desfilar. As autoridades proibiram a apologia à malandragem, pois o
> correto
> era ser trabalhador e ser fiel ao patrão e ao Estado. A massa pobre e de
> maioria negra e mestiça continuava vivendo com a imposição da
> subserviência.
> Cantoria, boêmia, jogo e seresta eram coisas de malandros e deviam ser
> rechaçadas.
> O primeiro concurso de escolas de samba foi promovido pela imprensa em
> 1932. Em 1934 o prefeito Pedro Ernesto oficializa o concurso. Também,
> pudera! Não sendo mais possível ignorar o movimento, o melhor era tentar
> controlá-lo. Ao apoiar os desfiles, o governo exige a exaltação aos temas
> históricos ('Foi em Diamantina'...). O samba passa a ser objeto de
> promoção
> turística, trazendo dinheiro para o Estado.
> Como sabemos, até hoje, a atenção ao carnaval carioca, por parte dos
> governos, se limita às "super-escolas- de -samba s/a,
> super-alegorias,(...)". É censura, ou não é, o desprezo com que tratam as
> outras escolas ("...escondendo gente bamba, que covardia!") ?
>
> Em tempo: pensei no Estado Novo, mas talvez você estivesse se referindo à
> década de 70. É inevitável outra referência importante: . "Sinal fechado:
> a
> música popular brasileira sob censura (1937- 45/1969-78)" de Alberto
> Ribeiro
> da Silva.
> O sinal sempre esteve fechado para a liberdade de expressão do artista
> brasileiro, sambista ou não. Há sambas de protesto? Acho que sim e
> acredito
> que esta lista poderá, se já não o fez, contribuir para lembrarmos de
> alguns.
> Já me estendi demais e espero ter contribuído.
> Tenho certeza que alguém poderá lembrar a peleja entre Noel e Wilson
> melhor
> do que eu.
> Um abraço ,
> Sandra.
>
>
>
>
> _______________________________________________
> Para CANCELAR sua assinatura:
> http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela
> Para ASSINAR esta lista:
> http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina
> Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA:
> http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta
>
_______________________________________________
Para CANCELAR sua assinatura:
http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela
Para ASSINAR esta lista:
http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina
Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA:
http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta
| Nova mensagem | Responder esta mensagem | Mensagens por data | Mensagens por discussão | Mensagens por autor |
|---|
![]()