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RES: Re: Raiz do SambaLista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros. |
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Autor: Gabriel Gomes (gabrielg(arroba)fnde.gov.br)
Data: Sex 01 Set 2006 - 09:20:37 EST
Eu já não considero o banjo nem um pouco tradicional. É uma invenção moderna, foi introduzido na década de 80, se não me engano, juntamente com o repique de mão. Foi uma mistura(Quem era contra misturar aí?) que , particularmente, não gosto. Mas temos que respeitar... afinal, já tem gente falando que é o samba tradicional...
Agora, dizer que o Armandinho não é músico porque não lê partitura é o mesmo que dizer que Nelson cavaquinho não era compositor pois era semi-analfabeto. Ou então que Cartola não era músico. Afinal não lia partitura e, segundo Dino, apenas arranhava no violão.
Abraços,
Gabriel Gomes
-----Mensagem original-----
De: tribuna-bounces@samba-choro.com.br [mailto:tribuna-bounces@samba-choro.com.br] Em nome de Marcelo Neder
Enviada em: sexta-feira, 1 de setembro de 2006 01:46
Para: Artur de Bem; tribuna@samba-choro.com.br
Assunto: Re: Re: [S-C] Raiz do Samba
Sou mais Cartola interpretando alvorada com sua voz e uma caixinha de fósforo, do que todos os grupos juntos com seus cavacos e banjos acompanhando orquestralmente. A raiz do samba, e de qualquer outra música - principalmente as de origem africana, é o rítmo, ou melhor: sua célula rítmica (que alguns também chamam de clave rítmica). Por exemplo:
tác tác ta taaaah tác tác toureirourei rou
tác tác ta taaaah tác tác toureirourei rou
tác tác ta taaaah tác tác toureirourei rou
Á propósito, brincadeira não: o batuque do candomblé tem muito mais a ver com o samba do que muita gente imagina, e mais, vou pegar um gancho em outro assunto que está sendo debatido aqui na tribuna (talvez meio verdinho ainda): a utilização do candomblé (uma religião que tem todo um contexto histórico na sociedade brasileira) como fonte de uma gozação (por mais inocente que seja), infelizmente é o reflexo de uma mentalidade inconscientemente preconceituosa.
Aqui em Salvador, as crianças da escola pública Edvaldo Brandão no Bairro pobre (não é humilde não é pobre: p-o-b-r-e)Cajazeiras, aprendem sobre os orixás. A escola possui imagens de vários santos pregadas na parede, da mesma forma que elementos do chamado "folclore tradicional" (Será que tão ensinando vudu pras crianças, ou é uma forma de ampliarem o conhecimento delas?). Ás vezes eu leio depoimentos sobre preconceito e acho puro panfletarismo. Não existe só racismo não. Existem preconceitos sociais, muitas vezes mais graves, sendo praticado e sofrido por pessoas da mesma raça (sem contar nos preconceitos religiosos...).
Perdi a conta de quantas vezes em ensaios, eu que sou branco, ouvi da boca de músicos negros a seguinte pérola:
"Toca essa porra direito! Eu sou racista mesmo: Não gosto de branco "
Se fosse o caso de registrar B. O. por causa disso... Tenho mais o que fazer...
O que eu acho é o seguinte: Essa idéia de tentar conduzir a música por esse ou aquele caminho já nasceu morta. Música (e a arte) são um patrimônio livre, comum. É como a língua de uma nação, é uma coisa viva incontrolável. Por mais que se imponha uma "evolução" ela segue o seu ruma sozinha. Esse negócio de certo e errado, sei não viu... pra mim tudo tem seu espaço, desde Noel Rosa a Tati Quebra-Barraco e citar frases como: ah! tal mistura deu certo tal mistura deu errado, cuidado, isso pode virar uma grande armadilha. Já participei de rodas de choro e de samba que foram uma porcaria, e já assisti a baile funk sem DJ, com puta músicos fazendo todos os sons de sintetizadores em instrumentos convencionais, sem pedais e efeitos, apenas bateria, baixo, e três violões. Se eu tivesse que me atrever a afirmar alguma coisa (ainda assim consciente de que minha palavra não é a final), diria o seguinte: o importante é a qualidade com que tocam a música, seja ela qual for.
E essa visão de que cavaquinho e banjo são indispensáveis (realmente, pra mim é importante que não mude, senão não compro pão, nem pago luz, pois sou cavaquinhista), mas já foram feitas algumas coisas muito interessantes com pandeiro, surdo, tamborim - executando células rítmicas sambistas - sem esses dois instrumentos. No mais, é isso aí...
Além de terem introduzido outros (olha a guitarra da banda do Dudu Nobre aí...). Aqui em Salvador tem gente que diz que Armandinho não é músico (por que não lê partitura) e não toca choro. Realmente. Ele toca de tudo. Mas dizer que ele não toca choro...
Artur de Bem <arturdebem@ibestvip.com.br> escreveu:
">Não dá a impressão que tudo começou aí?"
Dá a impressão que era um ritual de candomblé...
Só tem percussão.. não tem nenhum cavaquinho, banjo....
calma... brincadeira...
-----MENSAGEM ORIGINAL-----
De: "Raphael Oliveira"
Enviada em: Qui, 31 Ago 2006 16:29:36
Assunto: Res: Re: Re: [S-C] Raiz do Samba
> Amigos,
> Desculpem me meter na conversa mais eu ouso discordar do dicionario.
> Entendo que o buraco e bem mais embaixo do que se refere o autor ... Vou reproduzir dois trechos de colunas do Sr. Nei
> Lopes que não falam exatamente do assunto mais dão uma ideia da profundidade do asunto. Alias Nei Lopes é o Cara.
>
> Um forte Abraço
> Raphael SãoGonça
>
>==============================================
> O samba carioca, embora nascido de um amálgama de ritmos predominantemente africanos - como, aliás, toda a música popular afro-americana, do sul dos Estados Unidos ao Prata - sempre teve admiradores e cultores entre as camadas mais abastadas e epidermicamente menos pigmentadas da sociedade. Admiração e culto esses que, no contexto da bossa-nova, fora do esquema "banquinho e violão" e graças à tríade piano-baixo-bateria, propiciou a saudável fusão entre ele e o jazz, que já se ensaiava nos antropofágicos "bibaburiba" ("bebop w're bop") do trombonista Raul de Barros, cantados em coro pelos animados músicos das gafieiras.
>
>A bendita fusão levada a efeito pelos Tamba, Zimbo, Jongo e outros trios, de nomes africanizados ou não, coube a eles mais por questão de espaço. Afinal, seu palco era o das exíguas boites ("caixotes, caixinhas", em francês), ambientes também freqüentados por muita gente boa e amante do bom samba.
>
>Foi aí, e nos bailes dos clubes da classe média, que se gerou o "sambalanço", hoje experimentando um renascimento animador. E foi assim que surgiram, firmaram-se ou reapareceram grandes compositores de samba não negros e nem "do morro" e com curso ginasial, como Denis Brean, Hianto de Almeida, João Roberto Kelly, Macedo Netto, Luiz Reis, Luiz Antônio (coronel do Exército brasileiro), presentes no repertório inicial da Elza Soares que hoje a intelligentzia quer pop-roquizar. E vieram também Ed Lincoln, Sílvio César, Orlann Divo etc.
>
>Pois é... O tempo das fusões naturais e saudáveis já passou! Agora, vendo o mercantilismo das escolas de samba e a omissão oficial abortarem ou inanirem os talentos das comunidades negras; vendo a truculência da globalização one way ditar a norma de extermínio segundo a qual "preto bom só preto pop"; agora, vendo os netos de Jonjoca, Mário Reis, Castro Barbosa e João Petra de Barros empunharem a bandeira (às vezes reducionista e imobilizadora) do "samba de raiz", a gente olha pra trás. E aí vê que a influência do jazz, primo do samba, não era má influência e, sim, uma saudável troca de águas e forças vitais entre dois caudalosos rios intercomunicantes. Preto no branco! -- digo eu. "Ebony and ivory", diria o crítico bobinho e colonizado.
>
>================================================
>
>descrição de uma reunião festiva de milhares de negros, que aconteceu no Campo de Santana, em 1808, parece que em honra da corte portuguesa recém-chegada ao Brasil. O texto, de um viajante inglês, está lá no livro de Mary Karasch, A vida dos negros no Rio de Janeiro (Cia. das Letras, 2000) e é o seguinte:
>
>"Em frente avançavam os grupos das várias nações africanas, para o campo de Sant'Anna, o teatro de destino da festança e da algazarra. Ali estavam os nativos de Moçambique e Quilumana, de Cabinda, Luanda, Benguela e Angola [...] A densa população do campo de Sant'Anna estava subdividida em círculos amplos, formados cada um por trezentos a quatrocentos negros, homens e mulheres.Dentro desses círculos, os dançarinos moviam-se ao som da música que também estava ali estacionada; e não sei qual a mais admirável, se a energia dos dançarinos, ou a dos músicos. Podiam-se ver as bochechas de um atleta de Angola prontas a arrebentar pelo esforço de produzir um som hediondo de uma cabaça, enquanto outro executante dava golpes tão abundantes e pesados no tímpano que somente a natureza impenetrável do couro de um boi poderia resistir-lhes. Um mestre-de-cerimônias, vestido como um curandeiro, dirigia a dança; mas era para estimular, não para refrear, a alegria turbulenta que prevalecia
co
m supremo domínio. Oito ou dez figurantes iam e vinham no meio do círculo, de forma a exibir a divina compleição humana em todas as variedades concebíveis de contorções e gesticulações. Logo, dois ou três que estavam no meio da multidão pareciam achar que a animação não era suficiente, e com um grito agudo ou uma canção, corriam para dentro do círculo e entravam na dança. Os músicos tocavam uma música mais alta e mais destoante; os dançarinos, reforçados pelos auxiliares mencionados, ganhavam nova animação; os auxiliares pareciam envoltos em todo o furor de demônios; os gritos de aprovação e as palmas redobravam; cada observador participava do espírito sibilino que animava os dançarinos e os músicos; o firmamento ressoava com o entusiasmo selvagem das [sic] clãs negras..."
>
>Não dá a impressão que tudo começou aí?
>
>================================================
>
>----- Original Message -----
>From: "Artur de Bem"
>To:
>Sent: Thursday, August 31, 2006 3:58 PM
>Subject: Res: Re: [S-C] Raiz do Samba
>
>> Bagunço mais ainda...
>>
>> Lá ele diz que surgiu em 1850 nas emediações da Praça XI, Pedra do Sal, etc, Rio de Janeiro.
>> Fala que as festas eram nas casas das Tias Bahianas.
>> E cita o "semba"...
>>
>> Ai ai ai q confusão...
>>
>>
>> -----MENSAGEM ORIGINAL-----
>> De: Jorge Moraes
>> Enviada em: Qui, 31 Ago 2006 15:24:10
>> Assunto: Res: Re: [S-C] Raiz do Samba
>>
>>
>>>Oi, Artur! Oi, Cícero! Vale a pena conhecer o verbete sobre samba no Dicionário Cravo Albin de Música Popular rasileira: http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?tabela=T_FORM_C&nome=Samba
>>> Abraços, Jorge
>>> Artur de Bem escreveu: Então eu vo mais fundo, a raiz do samba é o semba, lá da África.
>>>
>>>E não dos índios!!!
>>>
>>>-----MENSAGEM ORIGINAL-----
>>>De: "Cicero Soares"
>>>Enviada em: Qui, 31 Ago 2006 11:55:26
>>>Assunto: Res: Re: Re: [S-C] Novo DVD da Beth Carvalho
>>>
>>>>>From: "Caio Pontual"
>>>>
>>>>>O Samba carioca tem mais é que se dar ao valor, e manter suas raízes, sem
>>>
>>>>>timbales.
>>>>
>>>>É uma contradição, já que os timbales são justamente as raízes do samba...
>>>>
>>>>Cícero
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