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Re: Re: Raiz do SambaLista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros. |
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Autor: Artur de Bem (arturdebem(arroba)ibestvip.com.br)
Data: Qui 31 Ago 2006 - 23:48:53 EST
Dá a impressão que era um ritual de candomblé...
Só tem percussão.. não tem nenhum cavaquinho, banjo....
calma... brincadeira...
-----MENSAGEM ORIGINAL-----
De: "Raphael Oliveira" <raphael.oliveira@oab-rj.org.br>
Enviada em: Qui, 31 Ago 2006 16:29:36
Assunto: Res: Re: Re: [S-C] Raiz do Samba
> Amigos,
> Desculpem me meter na conversa mais eu ouso discordar do dicionario.
> Entendo que o buraco e bem mais embaixo do que se refere o autor ... Vou reproduzir dois trechos de colunas do Sr. Nei
> Lopes que não falam exatamente do assunto mais dão uma ideia da profundidade do asunto. Alias Nei Lopes é o Cara.
>
> Um forte Abraço
> Raphael SãoGonça
>
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> O samba carioca, embora nascido de um amálgama de ritmos predominantemente africanos - como, aliás, toda a música popular afro-americana, do sul dos Estados Unidos ao Prata - sempre teve admiradores e cultores entre as camadas mais abastadas e epidermicamente menos pigmentadas da sociedade. Admiração e culto esses que, no contexto da bossa-nova, fora do esquema "banquinho e violão" e graças à tríade piano-baixo-bateria, propiciou a saudável fusão entre ele e o jazz, que já se ensaiava nos antropofágicos "bibaburiba" ("bebop w're bop") do trombonista Raul de Barros, cantados em coro pelos animados músicos das gafieiras.
>
>A bendita fusão levada a efeito pelos Tamba, Zimbo, Jongo e outros trios, de nomes africanizados ou não, coube a eles mais por questão de espaço. Afinal, seu palco era o das exíguas boites ("caixotes, caixinhas", em francês), ambientes também freqüentados por muita gente boa e amante do bom samba.
>
>Foi aí, e nos bailes dos clubes da classe média, que se gerou o "sambalanço", hoje experimentando um renascimento animador. E foi assim que surgiram, firmaram-se ou reapareceram grandes compositores de samba não negros e nem "do morro" e com curso ginasial, como Denis Brean, Hianto de Almeida, João Roberto Kelly, Macedo Netto, Luiz Reis, Luiz Antônio (coronel do Exército brasileiro), presentes no repertório inicial da Elza Soares que hoje a intelligentzia quer pop-roquizar. E vieram também Ed Lincoln, Sílvio César, Orlann Divo etc.
>
>Pois é... O tempo das fusões naturais e saudáveis já passou! Agora, vendo o mercantilismo das escolas de samba e a omissão oficial abortarem ou inanirem os talentos das comunidades negras; vendo a truculência da globalização one way ditar a norma de extermínio segundo a qual "preto bom só preto pop"; agora, vendo os netos de Jonjoca, Mário Reis, Castro Barbosa e João Petra de Barros empunharem a bandeira (às vezes reducionista e imobilizadora) do "samba de raiz", a gente olha pra trás. E aí vê que a influência do jazz, primo do samba, não era má influência e, sim, uma saudável troca de águas e forças vitais entre dois caudalosos rios intercomunicantes. Preto no branco! -- digo eu. "Ebony and ivory", diria o crítico bobinho e colonizado.
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>descrição de uma reunião festiva de milhares de negros, que aconteceu no Campo de Santana, em 1808, parece que em honra da corte portuguesa recém-chegada ao Brasil. O texto, de um viajante inglês, está lá no livro de Mary Karasch, A vida dos negros no Rio de Janeiro (Cia. das Letras, 2000) e é o seguinte:
>
>"Em frente avançavam os grupos das várias nações africanas, para o campo de Sant'Anna, o teatro de destino da festança e da algazarra. Ali estavam os nativos de Moçambique e Quilumana, de Cabinda, Luanda, Benguela e Angola [...] A densa população do campo de Sant'Anna estava subdividida em círculos amplos, formados cada um por trezentos a quatrocentos negros, homens e mulheres.Dentro desses círculos, os dançarinos moviam-se ao som da música que também estava ali estacionada; e não sei qual a mais admirável, se a energia dos dançarinos, ou a dos músicos. Podiam-se ver as bochechas de um atleta de Angola prontas a arrebentar pelo esforço de produzir um som hediondo de uma cabaça, enquanto outro executante dava golpes tão abundantes e pesados no tímpano que somente a natureza impenetrável do couro de um boi poderia resistir-lhes. Um mestre-de-cerimônias, vestido como um curandeiro, dirigia a dança; mas era para estimular, não para refrear, a alegria turbulenta que prevalecia co
m supremo domínio. Oito ou dez figurantes iam e vinham no meio do círculo, de forma a exibir a divina compleição humana em todas as variedades concebíveis de contorções e gesticulações. Logo, dois ou três que estavam no meio da multidão pareciam achar que a animação não era suficiente, e com um grito agudo ou uma canção, corriam para dentro do círculo e entravam na dança. Os músicos tocavam uma música mais alta e mais destoante; os dançarinos, reforçados pelos auxiliares mencionados, ganhavam nova animação; os auxiliares pareciam envoltos em todo o furor de demônios; os gritos de aprovação e as palmas redobravam; cada observador participava do espírito sibilino que animava os dançarinos e os músicos; o firmamento ressoava com o entusiasmo selvagem das [sic] clãs negras..."
>
>Não dá a impressão que tudo começou aí?
>
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>
>----- Original Message -----
>From: "Artur de Bem"
>To:
>Sent: Thursday, August 31, 2006 3:58 PM
>Subject: Res: Re: [S-C] Raiz do Samba
>
>> Bagunço mais ainda...
>>
>> Lá ele diz que surgiu em 1850 nas emediações da Praça XI, Pedra do Sal, etc, Rio de Janeiro.
Artur
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E o povo continua cantando: "Foi em Diamantina, onde nasceu JK, que a princesa Leopoldina, arresolveu se casar..." (Sérgio Porto)
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