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Re: Cem anos de perdão para os piratas (Por: Maestro Jorge Antunes)

Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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Autor: Helio Amaral (helioamaral58(arroba)hotmail.com)
Data: Qui 10 Ago 2006 - 14:01:43 EST

Somente os artistas de muito sucesso ganham com a venda de cds. A maioria
arrasadora é apenas explorada. A pirataria, seja do bem, seja por
interesses, a meu ver, ajuda a difundir a cultura. A cultura é um bem da
humanidade, não um bem de consumo.
Grato, Sônia, por divulgar o artigo.

>From: Beto Carioca <cariocabeto@yahoo.com>
>To: Sonia Palhares Marinho
><soniapalhares@hotmail.com>,tribuna@samba-choro.com.br
>Subject: Re: [S-C] Cem anos de perdão para os piratas (Por: Maestro Jorge
>Antunes)
>Date: Wed, 9 Aug 2006 20:46:47 +0000 (GMT)
>
>Sônia, eu gostaria de publicar na revista Idéias do
>meu sindicato, você pode pedir a autorização dele?
>Um beijinho do seu grande fã carioca, Roberto
>
>--- Sonia Palhares Marinho <soniapalhares@hotmail.com>
>escreveu:
>
> > Texto de autoria do maestro Jorge Antunes, militante
> > político, compositor,
> > arranjador e professor da Universidade de Brasília -
> > UnB
> >
> >
> > "Cem anos de perdão para os piratas
> >
> > Por: Jorge Antunes
> >
> > Compositor, maestro, professor titular da UnB
> >
> > Uma luta renhida pelo monopólio do disco vem sendo
> > travada nos bastidores
> > internacionais. A luta tem conseqüências graves para
> > a cultura brasileira,
> > mas nossa imprensa não tem divulgado a questão com o
> > destaque devido.
> >
> > No dia 27 de julho a gravadora EMI divulgou sua
> > decisão: desistiu,
> > temporariamente, de comprar a Warner Music. A
> > decisão da EMI foi
> > conseqüência da corajosa decisão do Tribunal Europeu
> > de Justiça, que no dia
> > 13 de julho anulou a autorização da fusão entre o
> > grupo japonês de música
> > Sony e o alemão BMG, que havia sido concedida pela
> > Comissão Européia em
> > 2004. A fusão entre as duas empresas gerara a
> > segunda maior companhia
> > mundial do setor, atrás apenas da Universal. A
> > decisão inédita da primeira
> > instância da Corte Européia acatou a contestação de
> > gravadoras independentes
> > à transação. Mas como ainda cabe recurso, o rumo ao
> > monopólio pode ser
> > retomado futuramente.
> >
> > O mercado fonográfico é capitaneado por seis grandes
> > empresas gravadoras de
> > discos, sendo que nenhuma delas é brasileira. A
> > tendência dessa indústria é
> > cruel e perniciosa, porque a monopolização gradual é
> > a marca nesse mercado.
> > A fusão da Sony com a BMG e a anunciada fusão da EMI
> > com a Warner seriam as
> > mais novas jogadas que amedrontam aqueles que
> > defendem a democratização da
> > cultura e de sua fruição.
> >
> > A gravação sonora vem se revelando, cada vez mais,
> > meio de enriquecimento
> > desenfreado de grupos financeiros que controlam e
> > comandam o planeta Terra.
> > O sucesso se deve à adesão de governos e de
> > legisladores à luta dos
> > empresários contra a pirataria. A todo momento
> > ouvimos a denúncia de que a
> > pirataria prejudica os artistas, pois que estes
> > deixam de receber os 2% a
> > que têm direito sobre a venda dos discos. O Estado
> > também se vê prejudicado,
> > tendo em vista que, com a pirataria, impostos deixam
> > de ser arrecadados.
> >
> > Mas é sabido que nem todos os discos lançados são
> > pirateados. Só são
> > pirateados aqueles que contêm músicas de sucesso.
> > Mas, quais são as músicas
> > que fazem sucesso? Todos sabem que não podem fazer
> > sucesso as músicas
> > desconhecidas do grande público. Ou seja, só podem
> > fazer sucesso as músicas
> > que tocam nas rádios e nas televisões. De todas as
> > músicas novas, poucas são
> > levadas à antena das rádios e e das TVs.
> >
> > O público que ouve rádio sabe que a programação não
> > varia muito. Os sucessos
> > se repetem tocados implacavelmente, em diferentes
> > estações, com freqüência
> > assustadora. Qualquer ouvinte desavisado é levado a
> > crer que aquela música
> > muito tocada é sucesso, porque é repetidamente
> > tocada. Outros ingênuos dirão
> > que ela é muito tocada porque é sucesso. O gosto do
> > público é construído, de
> > modo covarde e criminoso, dando lugar a um círculo
> > vicioso que estabiliza a
> > tolerância de um crime de lesa-cultura e, portanto,
> > também de lesa-pátria.
> >
> > As multinacionais do disco, não satisfeitas em
> > monopolizar o mercado da
> > música, compram programas e programadores de rádio,
> > para que as músicas que
> > elas querem vender se repitam continuamente nos
> > alto-falantes de cada
> > residência, de cada radinho de pilha e de cada
> > carro. Essa compra de
> > programas radiofônicos e de radialistas, aliada à
> > divulgação massificante,
> > encarece demasiadamente a produção, fazendo com que
> > o preço de venda do
> > disco seja altíssimo.
> >
> > A pirataria chega até mesmo a fabricar cópias
> > ilegais de discos que ainda
> > não chegaram às lojas e às rádios, porque já sabe de
> > antemão o que vai ser
> > sucesso. Claro, todos sabem que terão sucesso as
> > músicas que estão nos
> > discos cuja difusão radiofônica massificada, através
> > do jabá, será paga
> > pelas gravadoras.
> >
> > Os artistas chamados independentes, que ainda não
> > foram adotados pelos
> > proxenetas internacionais do som, não têm suas
> > músicas tocadas no rádio.
> > Assim, eles não têm suas obras ouvidas, conhecidas,
> > massificadas e,
> > portanto, não fazem sucesso: não são pirateadas.
> >
> > Artistas independentes começam a se organizar
> > repudiando energicamente a
> > prática do jabá. A criminalização dessa prática
> > antiética já conta com
> > projetos de lei, mas estes andam a passo lento na
> > Câmara. Os artistas que se
> > organizam para combater a pirataria e que, com esta,
> > deixam de ganhar 2% nas
> > vendas dos produtos originais, sabem da existência
> > do jabá e, portanto, são
> > coniventes com o espúrio e antiético procedimento.
> >
> > Talvez não devamos ainda chamar de ladrões as
> > gravadoras, as rádios, os
> > radialistas e os músicos que participam da cadeia
> > produtiva que inclui o
> > jabá, pois que esta prática imoral ainda não foi
> > criminalizada. Mas dentro
> > em pouco deveremos leniência a certos malandros:
> > pirata que pirateia ladrão
> > tem cem anos de perdão."
> >
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