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Lalão, o pedreiro (Por: Luís Nassif)Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros. |
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Autor: Sonia Palhares Marinho (soniapalhares(arroba)hotmail.com)
Data: Qui 10 Ago 2006 - 09:23:32 EST
"Escrito por Luis Nassif às 12h34
26/07/2006
Lalão, o pedreiro
Já escrevi algumas vezes que se houvesse a aplicação de princípios de
direito econômico na música, o Rio de Janeiro seria punido por formação de
cartel.
Acabo de chegar de uma roda de choro no Flamengo, no Rio, com um conjunto de
músicos que brilharia em qualquer palco do mundo. O apartamento é do Rogério
Caetano, o Rogerinho Sete Cordas, que o Reco me apresentou no Clube do Choro
em Brasília, há alguns anos. Já era dos melhores. E não parou de crescer
musicalmente, nem parou em Brasília: seguiu para o Rio.
Comandando a roda o gaúcho Yamandu Costa, que conheci aos 18 anos nos palcos
do Tom Brasil. Muitas vezes exagera na velocidade, mas seu talento é
ilimitado. A velocidade vem como se fosse um vulcão interno que não consegue
parar dentro dele. Saiu do Rio Grande, parou no Rio.
Depois, o Alessandro, do Choro Rasgado, um piracicabano que começou a surgir
para o choro há alguns anos no “Ó do Borogodó”. Toca de tudo, de violão a
bandolim, e tem um nível quase similar ao do Yamandu. De Piracicaba foi para
São Paulo. Vai acabar parando no Rio.
O quarto da roda era Armandinho, o bandolinista que conseguiu promover um
corte na era Jacob e criar um novo estilo de tocar bandolim à altura do
mestre maior. Tornou-se conhecido quando chegou ao Rio. Depois, chegou meu
velho companheiro do Bar do Alemão, o Arismar do Espírito Santo.
E tocaram o paraguaio Barrios, e tocaram o venezuelano Lauro, e tocaram o
argentino Eduardo Falú com um virtuosismo que não se vê nem em John
Williams. Inacreditável o que fizeram com a Catedral, de Barrios, com a
Valsa Criola, de Lauro, com a Quartelera, de Falú.
No final da minha estada, Yamandu sacou do coldre uma saraivada de choros de
primeiríssima linhagem, uma mistura de Canhoto da Paraíba com Garoto, de uma
sofisticação harmônica e melódica inacreditáveis. Os choros eram de Lalão.
Quem é Lalão? Lalão é um pedreiro que Yamandu conheceu em Recife há dois
anos. Deve ter perto dos 50 anos. Este ano, Yamandu voltou só para gravar o
gênio. Me disse que além de compor aqueles choros, Lalão interpreta como
ninguém.
Vivo repetindo aos que falam em decadência da música brasileira: hoje em dia
se tem a mais talentosa geração de instrumentistas da história. Mas poucos
sabem. E menos ainda sabem que lá no Recife existe um pedreiro de nome Lalão
capaz de compor choros que deixariam vermelhos de inveja os melhores
harmonizadores do jazz.
http://luisnassifonline.blog.uol.com.br/musicas/
Luis Nassif, introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico
no país. Comentarista econômico da TV Cultura. Vencedor do Prêmio de Melhor
Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003 e
2005, em eleição direta da categoria. Membro do Conselho do Instituto de
Estudos Avançados da USP e do Conselho de Economia da FIESP. Autor de "O
Jornalismo dos anos 90", e "Menino de São Benedito", Finalista do Prêmio
Jabuti de 2003 na Categoria Contos/Crônica. Em 1995 lançou o CD "Roda de
Choro", solando bandolim, semi-finalista do Prêmio Sharp de Música
Instrumental."
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