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Identidade brasiliense (Jornal da Comunidade)

Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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Autor: Sonia Palhares Marinho (soniapalhares(arroba)hotmail.com)
Data: Dom 12 Jun 2005 - 10:36:20 BRT

Edição 863, de 11.06 a 17.06.2005

http://www.jornaldacomunidade.com.br/?idpaginas=15&idmaterias=30116

Número Um

Identidade brasiliense

Os novos talentos do choro de Brasília despontam no cenário nacional e
internacional da música e provam que a cidade é muito mais do que
simplesmente a sede administrativa e política do país

Luciene Cruz

Mesmo sem ter sido fundado em Brasília, o choro é difundido por um grupo de
novos talentos que desponta no cenário nacional e internacional da música.
Com essa idéia na cabeça e uma câmera na mão os cineastas João Paulo
Procópio e Flávio Corrêa produziram o documentário O Prazer de Tocar Juntos.
“Agora estamos numa segunda geração de brasilienses e não mais de candangos.
Brasilienses que querem criar uma identidade, mostrar que a cidade vive e
não se resume a ser a sede administrativa e política da nação”, destaca
Procópio sobre a idéia da produção.

“Brasília tem uma quantidade incrível de chorões, de diferentes gerações.
Durante muito tempo o choro esteve fadado a uma busca do passado, onde
prevaleciam as regravações e as releituras. queríamos apresentar algo novo”,
explica o cineasta. O mote do documentário gira em torno do talento dos
músicos Hamilton de Holanda, no bandolim; Gabriel Grossi, na gaita; Rogério
Caetano, no violão de sete cordas e Daniel Santiago, no violão seis cordas e
Amoy Ribas, na percussão. Para ratificar a proposta mesclaram depoimentos
desses artistas locais, com renomes nacionais como Hermeto Pascoal,
Armandinho Macedo, Guinga, Beth Carvalho, Zélia Duncan, Leila Pinheiro entre
outros.

Em apenas 40 minutos de produção os jovens cineastas conseguiram abordar a
trajetória do choro na cidade explicitando o motivo que fez de Brasília uma
referência no ritmo. Para isso, a importância do Clube do Choro e da Escola
de Choro Rafael Rabello não podiam deixar de ser mencionadas. “Não é
possível progredir se não tiver sustentação e uma continuidade do trabalho.

O Clube do Choro resgatou o ritmo e deu oportunidade a velhos chorões que
estavam completamente esquecidos. Estimulou também o Rio de Janeiro, que é
berço do choro, a retomar trabalhos. Brasília projetou o choro novamente”,
destaca o fundador Reco do Bandolim. Em 12 anos de trabalho, é indiscutível
o papel do clube para difusão do ritmo.

Em entrevista ao Jornal da Comunidade, o mais velho dessa nova geração de
músicos, Hamilton de Holanda, afirma que o documentário cumpriu bem o papel.
“Mostra como tudo começou e explica porque a cidade tem essa vocação para a
música. Além disso, aborda a juventude, o interesse e o motivo de virar
referência. Os jovens querem tocar e conhecer esse estilo brasileiro”,
afirma. Mesmo com o inquestionável talento, o bandolinista é taxativo quando
questionado sobre o título de chorão. “Faço uma mistura de vários ritmos.
Não me preocupo com rótulos, deixo essa parte para os especialistas”,
responde.

O que projetou a capital federal foi a irreverência e o estilo único dessa
nova geração. “Não é melhor ou pior, é distinto do choro que se faz em
outras cidades. Essa diferença é fruto da cultura brasileira que se instalou
na cidade. A tendência é se aprimorar ainda mais”, garante Reco. O prestígio
dos nossos músicos pode ser conferido nas apresentações que eles fazem no
Brasil e no exterior. “Conseguimos acrescentar algumas páginas a mais na
história da música de Brasília. Os músicos brasilienses são respeitados”,
diz Hamilton. “Somos respeitadíssimos. Quando falamos que somos de Brasília
o pessoal já fica preocupado”, completa o gaitista Gabriel Grossi, ao
mencionar sua estadia no Rio de Janeiro. Essa geração que tem maior
liberdade de criação teve a oportunidade de aprender com os melhores, entre
eles destacam-se Jacó do Bandolim e Lupércio Miranda.

Até mesmo essas referências se renderam ao talento dos brasilienses.
“Hamilton de Holanda é um gigante. É uma nova história com o bandolim que se
apresenta ao mundo. Rogério Sete Cordas não toca e sim come o violão. O
Gabriel Grossi é o maior gaitista da atualidade”, todos esses elogios foram
emitidos por nada menos que Hermeto Pascoal. A cantora Zélia Duncan também
reverencia a nova geração. “Brasília tem poucas reminiscências porque é uma
cidade muito jovem, mas tem a tradição de lançar bons músicos”, elogia.

Quem pensa que a história musical de Brasília vai parar nesses cinco se
engana. Há uma frota nova de músicos que também vem demonstrando estilo e
talento. “Há uma geração após a nossa que toca muito. A gente tem que
estudar para poder acompanhar”, ressalta o violonista Rogério Caetano. O
importante é que o nome da cidade seja levado e a qualidade da música seja
difundida. “Não existe uma competição entre a antiga e a nova geração. Os
músicos mais novos têm a sabedoria de voltar às obras dos grandes
compositores. Se hoje existe esse movimento de choro na cidade, foi porque
vieram grandes chorões como Avena de Castro, Waldir Azevedo, Hamilton Costa,
Pernambuco do Pandeiro entre tantos outros”, finaliza Procópio.

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