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Re: canção do jornaleiro heitor dos prazeresLista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros. |
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Autor: roberta (robertacunhavalente(arroba)ig.com.br)
Data: Ter 19 Abr 2005 - 19:14:25 BRT
Paulo, há uma música do João Nogueira e do Paulo César Feital chamada Jornal
Cantado. Já o Belchior (em parceria com Gracco) também tem uma música
chamada Jornal Blues, mas não tenho a letra de nenhuma das duas no momento.
Além disso lembrei desta: O Orvalho vem Caindo (Noel Rosa e Kid Pepe, 1933),
que tem o refrão - "O orvalho vem caindo/vai molhar o meu chapéu/e também
vão sumindo/as estrelas lá do céu/tenho passado tão mal/a minha cama é uma
folha de jornal..."
Ah, sim, e tem o clássico Jornal de Ontem, de Romeu Gentil e Elisário
Teixeira, de 1947, grande sucesso de Orlando Silva, que diz:
"Pra mim, você é jornal de ontem
Já li, já reli, não serve mais
Agora quero outro jornal assim
que tenha fatos sinceros
e sublimes, emocionais
Desculpe a minha franqueza
Releve a comparação
Não se vá encher de tristeza
É força de expressão
Mas francamente agora
Você para mim é um jornal atrasado
Que só vai servir para eu no futuro
Lembrar o passado."
abs,
Roberta
----- Original Message -----
From: "paulo acosta" <osaiti@yahoo.com.br>
To: <tribuna@samba-choro.com.br>
Sent: Thursday, April 14, 2005 6:00 PM
Subject: [S-C] canção do jornaleiro heitor dos prazeres
> Estava em busca da letra da música supra, para um trabalho que estou
fazendo com letras que falam em jornal, jornalismo, etc...
> Achei este grupo e estou me socorrendo de vocês.
> Podem me conseguir a letra?
> Se lembrarem de mais alguma... aceito.
>
> Olhem as que tenho:
>
> Que dure pelo menos até você comprar e ler
> o primeiro jornal.
>
> De frente pro crime
>
> Composição: João Bosco - Aldir Blanc
> Ta lá o corpo estendido no chão
> Em vez de rosto uma foto de um gol
> Em vez de reza uma praga de alguém
> E um silêncio servindo de amém
> A foto da capa
> Chico Buarque/1993
>
>
>
> O retrato do artista quando moço
> Não é promissora, cândida pintura
> É a figura do larápio rastaqüera
> Numa foto que não era para capa
> Uma pose para câmera tão dura
> Cujo foco toda lírica solapa
> Era rala a luz naquele calabouço
> Do talento a clarabóia se tampara
> E o poeta que ele sempre se soubera
> Claramente não mirava algum futuro
> Via o tira da sinistra que rosnara
> E o fotógrafo frontal batendo a chapa
> É uma foto que não era para capa
> Era a mera contracara, a face obscura
> O retrato da paúra quando o cara
> Se prepara para dar a cara a tapa
>
> Amando sobre os jornais
> Chico Buarque/1979
> Gravada no disco Mel - Maria Bethânia - Phillips
> Para a peça O Rei de Ramos, de Dias Gomes
>
>
>
>
> Amando noites afora
> Fazendo a cama sobre os jornais
> Um pouco jogados fora
> Um pouco sábios demais
> Esparramados no mundo
> Molhamos o mundo com delícias
> As nossas peles retintas
> De notícias
> Amando noites a fio
> Tramando coisas sobre os jornais
> Fazendo entornar um rio
> E arder os canaviais
> Das páginas flageladas
> Sorrimos, mãos dadas e, inocentes
> Lavamos os nossos sexos
> Nas enchentes
> Amando noites a fundo
> Tendo jornais como cobertor
> Podendo abalar o mundo
> No embalo do nosso amor
> No ardor de tantos abraços
> Caíram palácios
> Ruiu um império
> Os nossos olhos vidrados
> De mistério
>
>
> Hino da repressão (Segundo turno)
> Chico Buarque/1985
> Para o filme Ópera do malandro, de Ruy Guerra
>
>
>
>
> Se atiras mendigos
> No imundo xadrez
> Com teus inimigos
> E amigos, talvez
> A lei tem motivos
> Pra te confinar
> Nas grades do teu próprio lar
> Se no teu distrito
> Tem farta sessão
> De afogamento, chicote
> Garrote e punção
> A lei tem caprichos
> O que hoje é banal
> Um dia vai dar no jornal
>
> Se manchas as praças
> Com teus esquadrões
> Sangrando ativistas
> Cambistas, turistas, peões
> A lei abre os olhos
> A lei tem pudor
> E espeta o seu próprio inspetor
>
> E se definitivamente a sociedade só te tem
> desprezo e horror
> E mesmo nas galeras és nocivo, és um estorvo, és
> um tumor
> Que Deus te proteja
> És preso comum
> Na cela faltava esse um
>
>
> É o meu guri, e ele chega estampado retrato com
> vendas nos olhos legendas e as iniciais. Eu não
> entendo essa gente seu moço fazendo alvoroço
> demais.
>
> Tonico e Tinoco
>
> Filho de Carpinteiro
>
> Composição: Tonico - Zé Paioça
> Era um pobre carpinteiro
> Mar vivia do dinheiro
> Que lhe dava a construção
> Tinha um filho jornaleiro
> Labutando o dia inteiro
> Ajudava o ganha pão
> Menino grita:
> Jornaleiro
> Olha o jornaleiro
> jornaleiro
> Quando amanhece o dia
> O coitadinho saía
> Com o frio da madrugada
> Anunciando a novidade
> Do sertão e da cidade
> Gritando pela carçada
> Jornaleiro
> Olha o jornaleiro
> jornaleiro
> Quem via aquele menino
> Magrinho bem pequenino
> Pé no chão esfarrapado
> O povo sempre ajudava
> Seu jornais tudo comprava
> Do pobrezinho, coitado
> Declamado:
> Uma tarde de setembro triste fato acontecia
> Um pobre homem coitado a sua vida perdia
> Do último andar de um prédio um carpinteiro caia
> Jornais tudo anunciava a notícia no outro dia
> Jornaleiro
> Olha o jornaleiro
> jornaleiro
> Pobrezinho jornaleiro
> Anunciando o dia inteiro
> Sem destino lá se vai
> Sua lágrima rolava
> Quando em vois arta gritava
> A morte do próprio pai.
> Jornaleiro
> Olha o jornaleiro
> jornaleiro
> Olha o jornaleiro
>
> Canção do jornaleiro, Heitor dos Prazeres (1932)
>
>
> Agora já não é normal
> O que dá de malandro regular profissional
> Malandro com aparato de malandro oficial
> Malandro candidato a malandro federal
> Malandro com retrato na coluna social
>
> Noel Rosa: "O orvalho vem caindo", de 1933. A
> canção leva em sua essência, não a crítica mais
> contundente de "Com que roupa?", mas uma percepção
> resignada da realidade do pobre, daquele indivíduo
> que, como a personagem de Filosofia, não alcançou
> a posição exigida pela sociedade, um excluído do
> sistema. A letra é um poetar sobre a tristeza de
> terminar a noite em um banco de praça, dormindo em
> uma folha de jornal, vendo as estrelas sumirem com
> o raiar do dia. Ser obrigado a estar ao relento,
> sofrendo as intempéries, exposto às agruras da
> vida boêmia:
> O orvalho vem caindo
> Vai molhar o meu chapéu
> E também vão sumindo
> As estrelas lá do céu
> Tenho passado tão mal
> A minha cama
> É uma folha de jornal
>
>
>
>
>
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