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canção do jornaleiro heitor dos prazeres

Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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Autor: paulo acosta (osaiti(arroba)yahoo.com.br)
Data: Qui 14 Abr 2005 - 18:00:55 BRT

Estava em busca da letra da música supra, para um trabalho que estou fazendo com letras que falam em jornal, jornalismo, etc...
Achei este grupo e estou me socorrendo de vocês.
Podem me conseguir a letra?
Se lembrarem de mais alguma... aceito.
 
Olhem as que tenho:
 
Que dure pelo menos até você comprar e ler
o primeiro jornal.

De frente pro crime

Composição: João Bosco - Aldir Blanc
Ta lá o corpo estendido no chão
Em vez de rosto uma foto de um gol
Em vez de reza uma praga de alguém
E um silêncio servindo de amém
A foto da capa
Chico Buarque/1993
 
 
 
O retrato do artista quando moço
Não é promissora, cândida pintura
É a figura do larápio rastaqüera
Numa foto que não era para capa
Uma pose para câmera tão dura
Cujo foco toda lírica solapa
Era rala a luz naquele calabouço
Do talento a clarabóia se tampara
E o poeta que ele sempre se soubera
Claramente não mirava algum futuro
Via o tira da sinistra que rosnara
E o fotógrafo frontal batendo a chapa
É uma foto que não era para capa
Era a mera contracara, a face obscura
O retrato da paúra quando o cara
Se prepara para dar a cara a tapa
 
Amando sobre os jornais
Chico Buarque/1979
Gravada no disco Mel - Maria Bethânia - Phillips
Para a peça O Rei de Ramos, de Dias Gomes
 
 
  
 
Amando noites afora
Fazendo a cama sobre os jornais
Um pouco jogados fora
Um pouco sábios demais
Esparramados no mundo
Molhamos o mundo com delícias
As nossas peles retintas
De notícias
Amando noites a fio
Tramando coisas sobre os jornais
Fazendo entornar um rio
E arder os canaviais
Das páginas flageladas
Sorrimos, mãos dadas e, inocentes
Lavamos os nossos sexos
Nas enchentes
Amando noites a fundo
Tendo jornais como cobertor
Podendo abalar o mundo
No embalo do nosso amor
No ardor de tantos abraços
Caíram palácios
Ruiu um império
Os nossos olhos vidrados
De mistério
 

Hino da repressão (Segundo turno)
Chico Buarque/1985
Para o filme Ópera do malandro, de Ruy Guerra
 
 
  
 
Se atiras mendigos
No imundo xadrez
Com teus inimigos
E amigos, talvez
A lei tem motivos
Pra te confinar
Nas grades do teu próprio lar
Se no teu distrito
Tem farta sessão
De afogamento, chicote
Garrote e punção
A lei tem caprichos
O que hoje é banal
Um dia vai dar no jornal

Se manchas as praças
Com teus esquadrões
Sangrando ativistas
Cambistas, turistas, peões
A lei abre os olhos
A lei tem pudor
E espeta o seu próprio inspetor

E se definitivamente a sociedade só te tem
desprezo e horror
E mesmo nas galeras és nocivo, és um estorvo, és
um tumor
Que Deus te proteja
És preso comum
Na cela faltava esse um

 
É o meu guri, e ele chega estampado retrato com
vendas nos olhos legendas e as iniciais. Eu não
entendo essa gente seu moço fazendo alvoroço
demais.
    
Tonico e Tinoco
 
Filho de Carpinteiro

Composição: Tonico - Zé Paioça
Era um pobre carpinteiro
Mar vivia do dinheiro
Que lhe dava a construção
Tinha um filho jornaleiro
Labutando o dia inteiro
Ajudava o ganha pão
Menino grita:
Jornaleiro
Olha o jornaleiro
jornaleiro
Quando amanhece o dia
O coitadinho saía
Com o frio da madrugada
Anunciando a novidade
Do sertão e da cidade
Gritando pela carçada
Jornaleiro
Olha o jornaleiro
jornaleiro
Quem via aquele menino
Magrinho bem pequenino
Pé no chão esfarrapado
O povo sempre ajudava
Seu jornais tudo comprava
Do pobrezinho, coitado
Declamado:
Uma tarde de setembro triste fato acontecia
Um pobre homem coitado a sua vida perdia
Do último andar de um prédio um carpinteiro caia
Jornais tudo anunciava a notícia no outro dia
Jornaleiro
Olha o jornaleiro
jornaleiro
Pobrezinho jornaleiro
Anunciando o dia inteiro
Sem destino lá se vai
Sua lágrima rolava
Quando em vois arta gritava
A morte do próprio pai.
Jornaleiro
Olha o jornaleiro
jornaleiro
Olha o jornaleiro

Canção do jornaleiro, Heitor dos Prazeres (1932)
 

Agora já não é normal
O que dá de malandro regular profissional
Malandro com aparato de malandro oficial
Malandro candidato a malandro federal
Malandro com retrato na coluna social

Noel Rosa: "O orvalho vem caindo", de 1933. A
canção leva em sua essência, não a crítica mais
contundente de "Com que roupa?", mas uma percepção
resignada da realidade do pobre, daquele indivíduo
que, como a personagem de Filosofia, não alcançou
a posição exigida pela sociedade, um excluído do
sistema. A letra é um poetar sobre a tristeza de
terminar a noite em um banco de praça, dormindo em
uma folha de jornal, vendo as estrelas sumirem com
o raiar do dia. Ser obrigado a estar ao relento,
sofrendo as intempéries, exposto às agruras da
vida boêmia:
O orvalho vem caindo
Vai molhar o meu chapéu
E também vão sumindo
As estrelas lá do céu
Tenho passado tão mal
A minha cama
É uma folha de jornal
 
 
 
 
 

                
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