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Construtores de sons (correioweb)Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros. |
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Autor: Sonia Palhares Marinho (soniapalhares(arroba)hotmail.com)
Data: Seg 04 Abr 2005 - 01:17:48 BRT
Para aqueles, particularmente os de Brasília, que volta e meia pedem
informações sobre luthiers.
http://www2.correioweb.com.br/cbonline/cultura/cadc_mat_93.htm
Construtores de sons
Músicos profissionais dedicam-se ao ofício de luthier, a arte de
confeccionar instrumentos
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Naiobe Quelem
Da equipe do Correio
Fotos: Daniella Sasaki/Especial para o CB/29.3.05
O luthier, professor e músico no exercício de seu ofício e paixão
Eduardo Brito fabrica um violão
O instrumento musical é mais que mero meio criador de som. Ele tem alma, voz
e tom. Considerando que cada artista é único em sua forma de manifestação, é
natural que a ferramenta de trabalho seja também ímpar, projetada e adaptada
às suas necessidades. Assim, ninguém melhor que um musicista para reconhecer
um bom instrumento e ter a sensibilidade para projetá-lo. Unir a carreira
artística ao ofício de luthier (confecção de instrumentos artesanais) é
opção de alguns profissionais brasilienses. No início, o que parecia solução
rentável para a falta de instabilidade do mercado, acabou se tornando
paixão. Eles descobriram que ocupar as duas funções é ser artista em dose
dupla.
“Acredito que fica mais fácil construir uma ferramenta melhor, quando se
sabe como usá-la. Mas não é determinante ser músico para ser bom luthier.
Aprender a lutheria vai do interesse de cada um. O contato com o instrumento
desperta o interesse de saber como ele funciona. Hoje, gosto mais de fazê-lo
do que tocá-lo”, conta Eduardo Brito, 40 anos, luthier e guitarrista do
Tijolada Reggae.
Eduardo faz parte de geração de autodidatas. Até alguns anos, a falta de
oficinas ou escolas dedicadas ao ensino da técnica no país, limitava a
prática do ofício aos herdeiros de mestres artesãos. Quem não conhecia ou
era parente de algum luthier tinha de recorrer às revistas importadas ou
buscar cursos no exterior.
Foi assim com Eduardo. Músico, com formação em Boston (EUA), ele voltou ao
Brasil e complementou renda com aulas de violão. “Os próprios alunos me
cobravam alguém que fizesse reparos. Comecei fazendo serviços simples até
que no meu vigésimo violão, descobri, no Canadá, Sergei de Jonge, que tem
quase 40 anos de experiência na construção de violão clássico. Fui estudar
com ele, durante um mês, e quando voltei parei de dar aulas para me dedicar
à lutheria”, lembra Eduardo.
Embora atuem nos bastidores, os luthiers compõem uma categoria concorrida.
Falta demanda para atender tantos pedidos. “Se chegar um cliente hoje, só
posso agendá-lo para daqui a 20 dias”, conta o guitarrista Pedro Almeida,
mais conhecido como Doca, que faz manutenção e regulagem em instrumentos de
corda. O prazo aumenta quando o trabalho é de confecção. “Só posso entregar
uma nova peça, daqui a três meses”, adianta João Pedro da Silva, luthier e
integrante da dupla sertaneja Advogado e Engenheiro. O pai era luthier e
violinista. E João aprendeu a arte de tocar e confeccionar instrumentos com
ele. Aos 70 anos, fabrica violas caipiras e violões há cinco décadas. Ofício
que repassou para o filho, formado em música pela UnB, e ao neto. Uma de
suas peças (uma viola caipira) está exposta no Museu em Berlim, que reúne
instrumentos artesanais de todo o mundo. Os instrumentos fabricados por ele
também estão nas mãos de gente famosa, como Chico Rei e Paraná, Zé Mulato e
Cassiano, Irmãs Galvão e Daniel. “Todos eles são meus clientes”.
Por se tratar de trabalho personalizado, o serviço costuma ser bem
remunerado. “O preço médio de um instrumento chega a ser de seis até oito
vezes maior que de um comercial”, avalia o luthier e guitarrista Haroldo
Mattos – o Haroldinho das bandas Oficina Blues e Another Blues Band. Mas
esse valor pode ser até 20 vezes superior, dependendo do material utilizado
e do projeto do instrumento.
Haroldo abraçou o ofício de luthier há sete anos, quando foi trabalhar na
Washburn do Brasil, fabricante de instrumentos de cordas. Mas não se
esqueceu da música. “A música é prazer espiritual. No entanto, ficava
chateado. Nunca sabia quanto ia ganhar no final do mês. Quando surgiu a
possibilidade da lutheria, pude equilibrar pouco isso”, avalia o músico.
Artesão valorizado
Luthiers também não costumam fabricar instrumentos para iniciantes. Não
porque sejam esnobes, mas porque o serviço não compensa. Um instrumento
fabricado por um luthier é sempre top de linha. “O profissional tem que
fazer uma peça boa para agradar o mercado e fortalecer o seu nome como
profissional”, explica Mozart Carvalho, luthier e guitarrista da Famosos
Quem (jazz e rock) e da Noos (pop-rock). Mozart iniciou na lutheria pela
necessidade de ter guitarra de modelo específico. “Em 1985, não tinha
material didático. Assinei revista importada. Como meu inglês não ruim,
captava muito das fotos”, lembra.
As vantagens em se ter um violão artesanal são incalculáveis. “A performance
é completamente diferente da que um instrumento comercial pode oferecer. A
peça artesanal é extensão na necessidade do músico”, lembra Achiles Soares,
42 anos, que fabrica guitarra, contrabaixo e violão sólido. “O processo da
lutheria é cadeia de refinamento. Como faço de dez a 12 instrumentos por
ano, consigo selecionar material muito melhor do que fábrica que produz cem
peças por semana”, acrescenta Eduardo Brito.
E não é só o material utilizado na confecção da peça que influência no
resultado final. A busca por técnicas que valorizam o som também fazem a
diferença. Eduardo, por exemplo, realiza envernizamento artesanal, com goma
laca. “O verniz é aplicado manualmente e é bem mais fino, o que
acusticamente é mais perfeito”, conta Eduardo.
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Oficinas de conserto e fabricação
Achiles Soares
Fabrica guitarra, contrabaixo e violão semi-sólido. 347-8987;
www.achiles.com.br
Benedito Melito
Restaura e regula pianos. 567.3622
Eduardo Brito
Fabrica cavaquinho, violão tenor, bandolim, violões de 6,7, 8 e 10 cordas,
violão clássico, viola caipira, violão 6 aço, guitarra ARShop. 349-8161;
www.ebluthier.com.br
Haroldo Mattos
Fabrica guitarras e baixos artesanais e faz pequenos
reparos. 340-6339
João Pedro da Silva
Fabrica viola caipira e violão. 352-4668
Oficina das Guitarras Mozart
Fabrica guitarras, contrabaixos e violões. 3202-0992
Pedro Almeida (Doca)
Manutenção e regulagem em instrumentos de corda. Também dá manutenção em
instrumentos eletrônicos, teclados e equipamentos de som. 272-8848
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Ofício não tem centro de ensino em Brasília
Daniella Sasaki/Especial para o CB/29.3.05
Eduardo Brito em sua oficina: “discussões envolvem desde filosofia do
instrumento acústico até os materiais usados na sua construção”
Para aprender o ofício de luthier, vários profissionais que atuam no mercado
tiveram de recorrer a algum mestre conhecido ou apelar para o aprendizado
por conta própria. Tarefa desafiadora em tempos que não se podia contar com
o auxílio da internet. A falta de oficinas ou escolas dedicadas ao ensino da
lutheria protegeu o mercado de trabalho. Mas a restrição ao ensino não era
apenas estratégia para eliminar concorrentes. Pelo contrário. Era excesso de
cuidado com a técnica. “O ofício é um sacerdócio e para exercê-lo precisa
usar de ética e moral independemente de ganhar bem ou mal. Ganha-se dinheiro
porque é o meio. Mas é preciso ter responsabilidade com o trabalho”, avalia
Benedito Antônio Melito, 72 anos – há 50 anos como restaurador e afinador de
pianos.
“Aqui no Brasil, as pessoas se metem nisso até encontrarem uma fonte de
informação segura”, conta o guitarrista Eduardo Brito, que ao perceber a
demanda não atendida resolveu dividir os seus conhecimentos em fabricação de
instrumentos de cordas. “Formei cinco pessoas. O curso tem duração de um
ano, com aula uma vez por semana. A discussão envolve desde filosofia do
instrumento acústico até o material utilizado na construção”, conta Eduardo.
Pedro Almeida, da Acorde Oficina de Instrumentos, também desenvolve curso de
lutheria em parceria com a BSB Musical, onde a oficina está instalada. “O
curso será vendido pela internet, passo a passo. Mas não será curso de
construção. Será de manutenção e regulagem de instrumentos eletrônicos”,
adianta Pedro. O guitarrista Mozart Carvalho lança, dentro de no máximo dois
meses, manual de regulagem pela editora Thesauros. “Mas já estou vendendo o
material pela internet”, conta Mozart.
Iniciantes
Além de atrair músicos, interessados em construir ou dar manutenção em seus
próprios instrumentos, os cursos costumam atrair jovens iniciantes em música
e até mesmo quem busca nova profissão. Para quem pretende ingressar na área,
um aviso: “É um processo trabalhoso, que exige dedicação, habilidade e
vocação para trabalhos manuais”, adianta Eduardo. (Naiobe Quelem)
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