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Re: [Spam] ALI KAMEL E AS QUARENTA RAZÕESLista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros. |
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Autor: Caio Tiburcio (caiotiburcio_at_terra.com.br)
Data: Ter 20 Jul 2004 - 07:57:52 BRT
Veja em http://nasrodasdosamba.festim.net/archives/005930.html , os artigos do Cláudio Jorge:
"Cotas sim. Por onde anda a fraternidade? I, II e III ".
Caio Tibúrcio.
----- Original Message -----
From: "Neves, Joao (LUANDA/PROG)" <jneves@usaid.gov>
To: <Ntanure@aol.com>
Cc: <tribuna@samba-choro.com.br>
Sent: Tuesday, July 20, 2004 6:11 AM
Subject: [Spam] [S-C] ALI KAMEL E AS QUARENTA RAZÕES
Xará,
Este artigo tb está no Blogg do Nei. O que vc acha de suas ideias?
Abs
João
ALI KAMEL E AS QUARENTA RAZÕES
O jornalista Ali Kamel, diretor de telejornalismo da Rede Globo, vem há meses ocupando as páginas de "opinião" do jornal de Irineu Marinho para deblaterar contra as políticas de ação afirmativa em prol dos negros no Brasil. Suas inúmeras razões - só eu, já contei quarenta - contradizem todo um IBGE e se apóiam no axioma segundo o qual o racismo brasileiro, essa bomba detonada, só existe nas cabeças de negros, entre as quais incluo a minha. Em resposta às 40 razões do senhor Ali Kamel, penso reunir 40 artigos, meus e de pensadores "moreninhos" como Muniz Sodré, Joel Rufino, Sueli carneiro, Marcelo Paixão, Carlos Alberto Medeiros, Álvaro Nascimento, Edna Roland, Flávia Oliveira, Flávio Gomes, por aí... O primeiro deles aqui vai!
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Na mesma edição de O Globo (29/6) em que o jornalista Ali Kamel faz sua mais recente e longa diatribe contra as políticas de ação afirmativa em benefício dos descendentes de africanos no Rio e no Brasil, a coluna de Ancelmo Góis, poucas páginas adiante, informa, na nota "Velho é branco": 58% dos cariocas são brancos; e, desses, 70% são idosos, com mais de 60 anos.
Esses números podem apontar em várias direções. Mas o que eles efetivamente expressam com mais eloqüência é o fato de que os "pretos e pardos", no Rio, vivem menos. E isto certamente pela má qualidade de vida e pela violência urbana, como já provou o IBGE.
Sim, a exclusão social mata! E disso já sabiam, por exemplo, os padrinhos brancos de negros proeminentes como, por exemplo, Teodoro Sampaio, Machado de Assis, Lima Barreto, José do Patrocínio e tantos outros, que à falta de políticas públicas num contexto histórico absolutamente adverso, e pondo em prática ações afirmativas pioneiras, encaminharam seus afilhados à instrução e ao reconhecimento. Como já sabiam os fundadores das confrarias e sociedades de auxílio mútuo aqui constituídas por africanos e descendentes, ainda na época escravista. Como souberam o jamaicano Marcus Garvey e todos os líderes pan-africanistas. Como sempre souberam as inúmeras entidades de direitos civis surgidas no Brasil desde a Frente Negra, em 1931.Como já sabia também, nos EUA, em 1909, ano de sua fundação, a NACCP (Associação Nacional para o Progresso da Gente de Cor), a qual, aliás, noventa anos depois, acusava judicialmente a poderosa indústria de armas em seu país, aí incluídos distribuidores e importadores, como principais causadores, pelo excesso de oferta, da morte de jovens negros na faixa de 15 a 24 anos.
De que, então, nós, negros cariocas e brasileiros precisamos para que se ponha cobro à nossa inquietante realidade? Precisamos "apenas de ter acesso a um ensino básico de qualidade", como receita o jornalista Ali Kamel? Suponhamos, com extrema boa vontade, que esse acesso se concretize agora. Quanto tempo levaria para que nosso povo passasse a desfrutar de igualdade de oportunidades e a morrer menos, vítima da exclusão e da violência?
Há cerca de 1 ano e meio, os afro-cariocas Carlos Alberto Medeiros e Ivanir dos Santos, em artigo jornalístico (O Globo, 31.12.2002), chamavam atenção para o fato de que as denúncias do movimento negro já se respaldavam numa nova vertente da pesquisa acadêmica sobre relações raciais no Brasil; e que, através de indivíduos qualificados do ponto de vista acadêmico, os negros já se assumiam como agentes do discurso anti-racista, não necessitando mais de intérpretes ou intermediários.
Nós é que sabemos do que efetivamente precisamos. Ou não?
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