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Res: Trio Surdina no site GafieirasLista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros. |
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jorge_mello_at_ibest.com.br
Data: Qua 07 Jan 2004 - 06:12:46 BRST
Esta história do Trio Surdina é realmente muito confusa! Conseguí identificar quatro lps 10 pol com a formação original. Recentemente, entrevistei Fafá Lemos e ele me contou que os tais discos da Musidisc jamais foram gravados em estúdio. O Paulo Tapajós, que produzia e apresentava o programa da Rádio Nacional chamado "Música em Surdina", cedia ao Nilo Sérgio os acetatos e ,ainda segundo Fafá:"Nem víamos a cor do dinheiro....".Além deste programa, o trio apresentava-se em outros, como por exemplo em "Noite de estrelas".Com a mesma produção de "Um milhão de melodias","Noite de estrelas" era apresentado por Paulo Gracindo. Por lá apareciam Garoto,Chiquinho e Fafá e deles Gracindo dizia:"Para testar a bossa destes tres, peçam qualquer música"ou então:"Vamos receber os tres mosqueteiros da bossa...". O mais surpreendente é quado ele apresentava o Trio Surdina:"Vamos receber este trio formado por Chiquinho, Fafá e....Bola Sete"! Olha a co!
nfusão....Ouvindo este "Trio Surdina",percebe-se claramente a diferença pelo violão.Logo depois, Fafá viajaria para os Estados Unidos e apareceria outro trio genial por suas vertiginosas instrumentações: Garoto, Chiquinho e Menezes!Ufa, é de tirar o folego este trio...
Abraços, Jorge Mello.
>-----MENSAGEM ORIGINAL-----
>De: "Sonia Palhares Marinho" <soniapalhares@hotmail.com>
>Enviada em: Qua, 07 Jan 2004 01:48:44
>Assunto: Res: [S-C] Trio Surdina no site Gafieiras
>
>
>>
>
>http://www.gafieiras.com.br/Display.php?Tipo=Colunas&Categoria=Colunas&ID=47
>
>Por: Ricardo Tacioli
>
>Trio Surdina
>
>Síntese da criatividade e sadio ecletismo musical, o trio formado em 1952
>por Garoto, pelo acordeonista Chiquinho e pelo violinista Fafá Lemos foi o
>primeiro sinônimo de modernidade dos otimistas anos 50 (JK, o surgimento da
>TV, Copa de 1958). Considerado como o efetivo precursor da bossa nova - que
>só assumiria seus contornos definitivos com o lançamento do LP Chega de
>saudade (1959), de João Gilberto -, o conjunto carrega até hoje dilemas como
>aqueles que tornaram a década de 50 distante, mítica e esperançosa.
>
>Música em surdina
>
>Buscando reagrupar solistas da Rádio Nacional – a maior emissora dos anos 40
>e 50 - em inusitadas formações, o diretor artístico Paulo Tapajós montou o
>programa Música em surdina, selecionando os maiorais da música instrumental
>da época: o paulistano multi-instrumentista das cordas Garoto (Aníbal
>Augusto Sardinha, 1915-1955), que havia impressionado jazzistas como Duke
>Ellington e Art Tatum nos Estados Unidos ao integrar o Bando da Lua em 1939;
>o gaúcho Chiquinho do Acordeon (Romeu Seibel, 1928-1993); e Fafá Lemos
>(Rafael Lemos Junior, 1921), ex-violinista da Orquestra Sinfônica Brasileira
>e músico de Carmen Miranda.
>
>Produzido em estúdio, o Música em surdina estreou em 1952, indo ao ar nos
>fins de noite, logo após o horário nobre da programação.
>
>Os protagonistas acionavam um repertório misto de músicas estrangeiras e
>brasileiras, como o hit da época “Ninguém me ama”, interpretado por Nora
>Ney. Dentro do horário, o programa era um sucesso.
>
>Os primeiros e únicos discos
>No mesmo 1952, o cantor e dono da debutante Musidisc, Nilo Sérgio, fez o
>convite para o trio gravar um disco. É a partir daí que a história torna-se
>obscura. Segundo dizem, o conjunto se apropriou do nome do programa para não
>revelar as identidades dos músicos e driblar exclusividades contratuais com
>outras gravadoras. Apesar de ser um dos pontos mais curiosos, essa
>possibilidade parece irreal quando transportada para a realidade. Como os
>integrantes de um trio radiofônico poderiam manter-se escondidos atrás de um
>simples e irônico título?
>
>O disco de estréia lançado em 1953 mantém o diálogo bem humorado e
>jazzístico do programa radiofônico. Gravado no estúdio da Rádio Nacional, o
>LP homônimo de 10 polegadas (M-007) contou ainda com as presenças de Vidal
>(baixo) e Bicalho (percussão). Trazia os beguines “Felicidade” (Garoto e
>Haroldo Barbosa), “Ternamente” (Jack Laurence e Walter Gross) e “Malagueña”
>(A. D.), o samba “Ninguém me ama”, e os autorais baião “Nós três” e o choro
>“O relógio da vovó”.
>
>Mas os destaques do LP de capa amarela foram os sambas-canção “Na madrugada”
>(Nilo Sérgio) e “Duas contas”, de Garoto. Esta, a única faixa cantada, é
>tida como uma das primeiras composições pré-bossa nova e talvez a única
>música letrada pelo violonista paulistano. Sob as bases do acordeon e
>violão, “Duas contas” foi interpretada por Fafá Lemos com um vocal à Mário
>Reis (que denota a antecipação gilbertiana).
>
>O cavaquinista Henrique Cazes afirmou em seu livro Choro – Do quintal ao
>municipal, que “em alguns momentos, os diálogos entre Garoto e Fafá lembram
>o célebre duo de Stéphane Grappelli com Django Reinhardt, um ícone da era do
>suingue.”
>
>Considerado pelos pesquisadores Zuza Homem de Mello e Jairo Severiano como
>“um dos mais originais e cativantes discos instrumentais brasileiros”, Trio
>Surdina nunca foi reeditado em vinil e CD.
>
>Com arranjos e regência de Leo Peracchi, o Trio Surdina grava seu segundo LP
>de 10 polegadas, Trio Surdina interpreta Ary Barroso (M-008). “Rio de
>Janeiro”, “Inquietação”, “Na baixa do sapateiro”, “Risque”, “Aquarela do
>Brasil”, “Por causa dessa cabrocha”, “Brasil moreno” e “No tabuleiro da
>baiana” foi o repertório do disco lançado apenas em maio de 1956.
>
>Apesar da imprecisão do ano de lançamento, o terceiro e último álbum do Trio
>Surdina, homônimo (M-017), reforça a diversidade além-fronteiras dos
>instrumentistas. Desde as canções “Ay, Ay, Ay” (O. P. Freire) e “Canto
>Karabali” (E. Lecuona), os foxs “Verlaine” (Charles Trenet) e “Cow Cow
>Boogie” (Don Raye, Gal Paul e B. Carter), aos nacionais “Vingança”
>(Lupicínio Rodrigues), “Amoroso” (Garoto e Luís Bittencourt), “Xodó” (J.
>Amorim e J. M. Abreu) e “Meu coração” (Garoto), o LP explorou o repertório
>intercontinental do programa.
>
>Mesmo com Fafá Lemos retornando aos EUA em 1953 para acompanhar Carmen
>Miranda (morta em 1955), o ponto final da formação original do Trio Surdina
>foi colocado no dia 3 de maio de 1955, com a morte de Garoto, então com 39
>anos, após sofrer um ataque cardíaco fulminante.
>
>Vida pós-morte
>
>Apesar da estrutura instrumental do Trio Surdina ter sido uma imposição
>daquele tempo (os cassinos haviam sido fechados em 1946 por decreto do
>presidente Dutra, inviabilizando as formações orquestrais), a sonoridade
>criada pelos músicos antecipou a bossa nova.
>
>O que deveria ser motivo para reedições discográficas, biografias,
>documentários, a existência do Trio Surdina é sinônimo de incoerências e
>falta de informações. As poucas fontes que registram a passagem do trio
>confirmam a tese. Consta que o conjunto teve, após a morte de Garoto, outras
>formações, quase sempre conduzidas por Chiquinho do Acordeon. No LP que
>saudava a volta do Trio Surdina, Trio Surdina em Bossa Nova, editado pela
>Musidisc, o time era composto por Waltel no violão, Patané no violino,
>Plínio na bateria e Ary Carvalhaes no baixo, além de Chiquinho.
>
>Mas a existência de outros discos com datas e integrantes não creditados
>aumentam a confusão, como os LPs editados pela gravadora de Nilo Sérgio Trio
>Surdina interpreta Dorival Caymmi, Ary Barroso e Noel Rosa (DL-1007), Bolero
>não tem idade, Ouvindo Trio Surdina - Vol. 3 (que sugere os dois primeiros)
>e os 78 rotações Jóias do Brasil nº 1 e Jóias do Brasil nº 2.
>
>Por ironia, o nome do trio não só driblou os integrantes de possíveis
>problemas contratuais, como também os esconderam do grande público por quase
>50 anos.
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