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Re: Devagar com a louça (era Devagar com a moça)Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros. |
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Autor: Tom Lemos (tom-lemos_at_uol.com.br)
Data: Ter 04 Nov 2003 - 11:46:06 EDT
Mário escreveu:
"Oi Mariana,
se for a música que estou pensando, aí vai:
Gravação:
ELIS REGINA NO FINO DA BOSSA - AO VIVO
DISCO 2
1 Devagar com a louça
(Luiz Reis - Haroldo Barbosa)
Interpretação:
Elis Regina / Elza Soares / Luiz Loy Quinteto
Foi gravada também pelo Roberto Paiva há muito tempo.
Outras gravações:
Elza Soares - Raízes do Samba - 03'30''
Os Cariocas - A Bossa Dos Cariocas - 01'49'' "
Eu:
Amigos,
Essa música é um clássico do samba-jazz. A interpretação com acento jazzístico está presente em todas as 3 gravações que eu conheço (nunca ouvi a de Roberto Paiva). E eu acho esse samba excelente, apesar de não gostar muito dos arranjos das gravações de Elza e Elis juntas, e nem daquela com a Elza sozinha. Acho os arranjos de metais repetitivos e pobres. Mas eu sou um entusiasta do chamado samba-jazz, naquilo que ele tem de bom. Penso, inclusive, que o rótulo vinculando-o ao estilo afro-americano acaba sendo redutor e desnecessário. Apesar de evidentemente esse estilo ter, como eu disse no início, acento jazzístico, isto tem a ver apenas com um certo tipo de jazz (o das big bands), e acaba sendo algo totalmente novo em relação ao que já havia sido feito em termos de samba, ou de jazz.
Sabemos que na raiz do choro de sopros está o grupo Os Oito Batutas, liderado por Pixinguinha, e há quem lhe atribua influências do jazz do início do século XX. Já pensaram se a música de Pixinguinha tivesse sido rotulada de samba-jazz, à época?
E o que se convencionou chamar aqui de samba-jazz corresponde a um tipo de música feita a partir de meados dos anos 60, por gente como Sérgio Mendes & Bossa Rio, Meirelles e o Copa 5, entre outros, em que a ênfase dada à função rítmica dos metais é grande.
Penso que se trata de um estilo eminentemente brasileiro. Foi desenvolvido magistralmente por gente como Moacyr Santos e Edison Machado (que era do Bossa Rio). E hoje, tem na Orquestra Mantiqueira uma espécie de seguidora.
É nessa orquestra que eu quero chegar com esse texto enorme (desculpem!). Acho que a banda de Nailor Proveta é uma das melhores coisas que aconteceram em nosso cenário "samba-chorístico" nos últimos tempos (que coisas extraordinárias suas gravações de "Prêt-à-porter de tafetá" e "Linha de passe", de João Bosco!). Para mim, tem muitíssimo mais a ver com samba e com choro do que com jazz. Só não entendo por que se apresenta tão pouco, pelo menos no Rio, e por que não existe um número maior de conjuntos semelhantes (fora as bandas de baile influenciadas pela Orquestra Tabajara)- ou melhor, até entendo mas me ressinto desta falta.
Percebo neste tipo de música um parentesco muito estreito com o samba de gafieira de Raul de Barros (que chamava a sua própria música de "samba hot"), e uma relação íntima com a dança de salão.
Fica pra uma próxima oportunidade falar mais da relação entre música e dança, no samba.
Valeu pela atençao ao meu palavrório.
Abraços.
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