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Orestes BarbosaLista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros. |
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Autor: Eduardo S. Martins (edusima_at_uol.com.br)
Data: Seg 20 Out 2003 - 22:04:18 EDT
Fernando Toledo, no CD "Uma noite de Seresta " do Carlos José, tem as três
pérolas do Orestes Barbosa que você citou, musicadas pelo Sílvio Caldas,
"Suburbana", "Torturante Irônia" e "Serenata", cujas letras seguem abaixo,
versos simples, mas muito bonitos:
SUBURBANA (Orestes Barbosa/Silvio Caldas)
Olhando o céu me demoro
um verso triste é que eu choro
ninguém vê o pranto meu
há muita lágrima triste
que em ser sorriso consiste
como o poeta escreveu
minha linda suburbuana
por trás da veneziana
vem sorrir nesta canção
com teus lábios de doçuras
que são tâmaras maduras
da flora do coração
zona norte da cidade
residência da saudade
onde nasceu teu cantor
o teu cantor comovido
que sonha com teu vestido
que morre por teu amor
olho as estrelas cansadas
que são lágrimas douradas
no lenço azul lá do céu
estrelas são reticescências
estrelas são confidências
do meu romance e do teu
TORTURANTE IRONIA (Orestes Barbosa/Silvio Caldas)
Que magóa neste abandono
que ânsia perdi o sono
e vim tristonho cantar
porque a canção mais aflita
é a forma que é a mais bonita
da gente poder chorar
tu sobes esse barranco
sujando o vestido branco
pisando as pedras do chão
mas sem saber da verdade
que desde lá da cidade
tu pisas meu coração
Por ser do morro e moreno
é que eu soluço é que eu peno
bebendo meu amargor
porque me negam querida
esta alegria da vida
de possuir teu amor
Que torturante ironia
o amor com categoria
eu amo e não posso amar
porque a mulher que eu adoro
não mora aqui onde eu moro
deixe-me então soluçar
SERENATA (Orestes Barbosa-Silvio Caldas)
Dorme, fecha esse olhar entardecente
não me escutes nostálgico a cantar
pois não sei de feliz ou infelizmente
não é me é dado beijando te acordar
dorme, deixe os meus cantos delirantes
dorme, que eu olho o céu a contemplar
a lua, que procura que diamantes
para o teu lindo sonho ornamentar
na serpente de sede dos teus braços
alguém dorme ditoso sem saber
que eu vivo a padecer
e o meu coração feito em pedaços
vai sorrindo ao teu amor, mascardo desta dor
no teu quarto de sonho e de perfume
onde vive a sorrir teu coração
que é teatro da ilusão
dorme junto aos pés
o meu ciúme
enjeitado e faminto
como um cão
valeu!
Eduardo Martins
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