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Chico Buarque joga nas onze (O Globo Online)Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros. |
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Autor: Sonia Palhares Marinho (soniapalhares_at_hotmail.com)
Data: Sáb 30 Ago 2003 - 14:23:02 BRT
http://oglobo.globo.com/online/cultura/109835987.asp
Chico Buarque joga nas onze
Leonardo Lichote - O Globo On Line
Quem quiser assistir ao musical "Ópera do malandro", em cartaz no Teatro
Carlos Gomes, tem que esperar até outubro. Antes disso, só encarando as
filas para a concorrida sessão a R$ 1 deste domingo ou contando com a
desistência de quem já comprou - e é bom correr, antes que se esgotem todos
os ingressos da temporada, prevista até dezembro. Fenômeno? Sem dúvida, mas
não é isolado. O sucesso da peça é apenas o ponto mais alto e visível de uma
"onda Chico Buarque" que passa pelo cenário cultural brasileiro e envolve
literatura, cinema e até as pistas de dança. Explicando sua escolha pela
montagem de "Ópera do malandro", Cláudio Botelho, diretor musical do
espetáculo, ajuda a entender os ventos que sopram essa onda.
- O Brasil tem um grande compositor de musicais, que tem uma obra adulta, de
estatura mundial, que é Chico Buarque. Quando se pensa em montar um musical,
Chico se torna óbvio - diz Botelho, que assina a montagem com Charles
Möeller, responsável pela direção, cenários e figurinos.
Óbvio é a palavra-chave. Ou seja, o que Botelho diz, em outros termos, é que
a pergunta certa não é "por que Chico?" e sim "por que não?". A dupla
Botelho-Möeller leva tão à sério esse pensamento que está com dois musicais
do artista em cartaz. No Rio, a "Ópera do malandro" lota o Carlos Gomes e,
em São Paulo, estréia esta semana a montagem deles para "Suburbano coração".
Não é só. A atriz Eliane Giardini planeja montar "Gota d'água".
Parafraseando o documentário de Izabel Jaguaribe sobre Paulinho da Viola,
Chico podia dizer sem medo de errar que "Meu tempo é sempre".
- Os problemas tratados em "Ópera do Malandro", como a corrupção, a mistura
de bandidos com polícia, tudo isso tem uma comunicação imediata com o
público de hoje - conta Botelho. - Chico é atemporal.
Exagero de um fã apaixonado? Nem um pouco. A atemporalidade de Chico é
confirmada nas pistas de dança, freqüentadas por uma geração que nem sonhava
em nascer quando o compositor lançou seus primeiros discos. Um dos atuais
hits das boates é a boa e velha "Cotidiano", turbinada pela produção do DJ
Marcelinho da Lua e pela voz de Seu Jorge. A faixa foi gravada pelo DJ e
estará em seu CD de estréia, "Tranqüilo" (Deck Disc), que será lançado em
setembro. Com o projeto Colorama, Marcelinho também deu sua versão dançante
para "Construção".
O autor de "Apesar de você" também é presença certa nas caixas de som da
Casa da Matriz todas as sextas-feiras, quando acontece a festa Brazooka, que
o DJ Marcelo Janot dedica à música brasileira. A festa já teve mais de uma
edição especial com uma hora seguida só com músicas de Chico, e a pista está
sempre cheia.
A "onda Chico" bate nas livrarias no próximo mês, com o lançamento de seu
terceiro romance, "Budapeste" (Cia. das Letras). A editora faz mistério
sobre a obra. Em seu momento escritor, Chico dá uma pausa na sua produção
musical - ele não lança um disco com canções inéditas desde "Cambaio", de
2001. A BMG, gravadora do artista, informa que não há previsão para seu
próximo álbum. Os fãs, porém, terão em breve um belo aperitivo enquanto
espera. A Biscoito Fino gravou na semana passada, ao vivo, o CD com a trilha
sonora do musical "Ópera do malandro", com o elenco da atual montagem. O
disco deve sair no fim do ano.
A obra de Chico também chegou ao cinema, com "Benjamin", adaptação da
diretora Monique Gardenberg para o segundo romance do escritor-compositor.
Ainda sem previsão de estréia, o filme teve uma ótima recepção no último
festival de Sundance, com destaque para a atuação da atriz Cléo Pires, filha
de Glória Pires e Fábio Jr.. Mais uma indicação de que a atual "onda Chico"
sobreviverá por um bom tempo ainda. Vai passar? Talvez, mas a obra de Chico
costuma passar indiferente pelas variações de maré.
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