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A Ópera do Malandro reencontra o Rio de JaneiroLista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros. |
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Autor: Sonia Palhares Marinho (soniapalhares_at_hotmail.com)
Data: Sáb 16 Ago 2003 - 16:51:08 BRT
http://cliquemusic.uol.com.br/br/Acontecendo/Acontecendo.asp?Nu_Materia=4080
A Ópera do Malandro reencontra o Rio de Janeiro
Clássico musical de Chico Buarque reestréia na capital fluminense, 25 anos
depois de seu lançamento
Marco Antonio Barbosa
16/08/2003
O ano era 1978. Num Brasil que aos poucos se reencontrava com a liberdade de
expressão, às vésperas da anistia e em clima de abertura, Chico Buarque
retornava mais uma vez ao cenário teatral - alguns anos após ter visto sua
peça Calabar ser censurada e perseguida pelo governo militar. Após a
frustração do musical anterior, Chico triunfou de modo acachapante com sua
nova produção, Ópera do Malandro; um marco do teatro musical brasileiro, que
gerou vários sucessos radiofônicos, virou filme e consolidou o nome do
compositor como legítimo inovador da arte cênica nacional. Duas décadas e
meia depois daquela estréia, a Ópera volta aos palcos. O Rio de Janeiro é a
cidade a abrigar a malandragem de Chico mais uma vez; o espetáculo, em
versão superproduzida com direção de Charles Möeller, estreou ontem no
Teatro Carlos Gomes. Uma vez mais, os dramas e alegrias de uma galeria
inesquecível de personagens que povoavam a Lapa - bairro boêmio do Rio - nos
anos 40, acompanhados por uma trilha sonora ainda mais inesquecível, estão
de volta, numa temporada que vai até dezembro.
Mais do que por sua trama ou suas interpretações, a Ópera do Malandro
original entrou para a história por suas canções. Ilustrando seu painel dos
áureos tempos da malandragem, Chico Buarque concebeu números como Folhetim,
Pedaço de Mim, Teresinha, O Meu Amor, Homenagem ao Malandro e Geni e o
Zepelim. Essas e outras acabaram por extrapolar a repercussão da peça, sendo
regravadas por nomes como Gal Costa, Zizi Possi, Moreira da Silva e João
Nogueira, ao longo dos anos. "Nenhum musical, nem da Broadway, tem tantos
sucessos como este", afirmou o diretor Charles Möeller. Além das canções da
montagem original, a nova versão da peça incluiu também algumas outras (como
Hino da Repressão ou Palavra de Mulher) que foram feitas posteriomente para
o filme homônimo (de 1985).
Assim como na época de sua estréia o score composto por Chico mereceu uma
versão em LP, a remontagem 2003 de Ópera do Malandro também vai virar CD. O
elenco de 20 atores e 12 músicos tem sua direção musical coordenada por
André Góes e Liliane Secco (que também assina os arranjos). Alexandre
Schumacher, Soraya Ravenle, Alessandra Maestrini, Claudio Tovar, Lucinha
Lins e Mauro Mendonça, os protagonistas da peça e que soltam a voz nas
canções mais famosas, serão produzidos em disco por Vinicius França
(colaborador costumeiro de Chico). O CD, a ser lançado pela Biscoito Fino
até setembro, será gravado ao vivo no palco, sem a presença do público. O
disco original trazia as vozes dos já citados João Nogueira, Moreira da
Silva, Zizi Possi e Gal Costa, além de Francis Hime, Marlene e os grupos A
Cor do Som, As Frenéticas e MPB-4. É bom lembrar também que a estréia da
peça ajudou a projetar em 1978 uma então iniciante, vinda do Nordeste: Elba
Ramalho.
Inspirado em obras de John Gay (A Ópera dos Mendigos, de 1728) e Bertold
Brecht (A Ópera dos Três Vinténs, de 1928), Chico Buarque concebeu sua peça
como um comentário à situação política e social que o Brasil atravessava no
fim dos anos 70. A Ópera de Chico conta a história do malandro Max Overseas
(vivido agora por Alexandre Schumacher), rei da boêmia na Lapa dos anos 40.
Dividido entre os amores de duas mulheres - Terezinha (Soraya Ravenle) e
Lúcia (Alessandra Maestrini) - e vivendo à margem da lei, Max tem como
antagonista o velhaco Duran (Mauro Mendonça), dono dos prostíbulos do
bairro. Nesse ambiente sórdido e desesperançado, um complexo painel de
promiscuidades - entre criminosos e a lei, entre "gente de bem" e degradados
da sociedade - se desenha.
A nova montagem da peça esbanja recursos e luxo. Uma orquestra completa
acompanha os atores ao longo do musical, que é encenado sobre um triplo
palco giratório (que conta ainda com um cenário de três andares). Setenta e
cinco figurinos originais foram confeccionados para os personagens. Tudo
isso, por incrível que pareça, foi arregimentado sem a cooperação de Chico
Buarque. O autor da peça encontra-se em estágio de finalização de seu
terceiro romance e, apesar de dado seu OK para a nova versão, não exigiu
controle sobre o produto final. E nem mesmo pretende comparecer para ver o
resultado no palco - pelo menos tão cedo.
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