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Re: Poesia da vela

Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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Autor: Roberta Valente (robertavalente_at_bol.com.br)
Data: Seg 04 Ago 2003 - 16:57:42 BRT

Eu já escrevi uma vez sobre o Serginho, o poeta da Vela, aqui na tribuna.
Ele é impressionante. Fez um belíssimo poema pra Beth Carvalho - se não me
engano - chamado Fada Madrinha:

Tua voz nos bastaria
No tom suave, harmoniosa
Com nota, com clave
Mas não contente em ser apenas cigarra
Queres ser como nós, formiga
Não basta a ti tilintares tuas cordas vocais
Para abrandares o nosso cansaço
Queres também carregar o fardo com o teu povo
A esperança que te moves de um país novo, comunitário
Tens o nome da madeira que não se curva - carvalho
Se for preciso és dura, austera
Mas cantas como os passarinhos nas manhãs de primavera
Para não perderes a tua ternura
És guerrilheira, não há democracia onde não há cultura
E lutas pela cultura verdadeira
És como Midas
Rei que, segundo a mitologia, ao tocar alguma coisa
Esta era transformada
Como onde tocas deixas assim mais reluzente
És madrinha, descobridora de tanta gente
Convém te chamar de fada
Mas se és fada e não tens varinha
Duvide das fadas quem bem quiser
Eu acredito que és nossa fada madrinha
E não uma fada qualquer.

beijos,
Roberta

----- Original Message -----
From: valldir_menga <valldir_menga@terra.com.br>
To: tribuna <tribuna@samba-choro.com.br>
Sent: Sunday, August 03, 2003 1:08 PM
Subject: [S-C] Poesia da vela

Caros,
Sexta-feira participei de um sarau no quintal da Meirinha, vulgo Clube
Etílico Musical (como está enchendo o quintal!). A coordenação ficou por
conta do pessoal do Samba da Vela, que também desenvolve um trabalho muito
bom com poesia.
Confesso que conhecia muito pouco desse pessoal, mas ouvindo o Serginho
Poeta, o Danilo e outros bambas fiquei agradavelmente surpreendido com a
qualidade do trabalho. São poesias simples, com uma identidade marcante com
o samba, mas de uma profundidade imensa e que tratam de temas da periferia
de Sampa de uma forma delicada e essencialmente poética.
No intervalo, conversando com a moçada, fiquei sabendo de vários outros
grupos de poesia espalhados pela Zona Sul da cidade e que têm um trabalho
semelhante ao do pessoal da Vela.
Perguntei sei já havia algum registro deste trabalho em livro ou outro meio,
mas até agora o grupo não tem nada escrito. E aí a gente questiona que catso
estão fazendo as secretarias de cultura e mesmo o ministério que não apóiam
e divulgam estes autênticos movimentos populares. Parece que a tiazinha está
mais interessada em divulgar megashows com o trabalho do filho, que diga-se
de passagem, é ruim pra cacete. O Gil idem, só financiamentos para Cds de
gente consagrada. Que conceito de cultura é este?
Cada vez mais me convenço que o principal canal da cultura autêntica passa
bem longe dos meios e das mídias oficiais. Existem muito mais artistas
artistas com A maíúsculo, nas quebradas da periferia da Zona Sul e Leste,
nos botecos da Zona Oeste do que nas gôndolas das grandes lojas.

Abraços,

Valdir

PS: A parte musical do sarau esteve a cargo de uma porção de cantoras da
casa e do Samba da Vela, destacando-se, é claro, a querida tribuneira
Ione.

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