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Samba aporta na Casa do Conde (BH)

Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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pl_PL: Allan Pimenta (allanpimenta_at_yahoo.com.br)
Data: qua 29 jan 2003 - 08:50:19 EDT

Samba aporta na Casa do Conde

Patrícia Cassese
REPÓRTER

Mais que o resgate do gênero musical, a recuperação de uma história,
desenovelada dentro das comunidades. O samba, considerado a principal
ferramenta de inclusão social no Brasil fora da esfera governamental, é o
foco do projeto 'Estação Cultural Casa do Conde', que se inicia hoje, no
Centro Cultural Conde de Santa Marinha, prometendo muito barulho até o dia
21 de fevereiro. O grupo Zé da Guiomar faz a abertura das atividades às 20
horas, inaugurando o Buteco do Samba, um bar de comidas e bebidas típicas
das rodas de samba brasileiras.
A noite de hoje também vai marcar a abertura das exposições de fantasias e
adereços das Escolas de Samba Unidos do Guarani, Canto da Alvorada e
Mocidade Independente do Bem Te Vi. O público vai conferir, ainda, uma
exposição de tapetes do Projeto Fred, de reinserção social de recuperandos
do sistema penitenciário mineiro.
Até o dia 21 de fevereiro, se apresentam artistas e grupos como: Maurício
Tizumba, Copo Lagoinha, Wander Lima, Anthonio, Silvio Rosa, Boca de
Matildes, Forró Folia e outros. Concomitantemente, a mesma Casa do Conde
continuará apresentando, dentro da Campanha de Popularização do Teatro e
da Dança, os espetáculos: 'Quatro Solos Para Três Intérpretes', da
Benvinda Cia. de Dança; e 'À Sombra do Sucesso', da Cia. Burlantis.
De acordo com Simone Araújo, gerente do Centro Cultural Conde de Santa
Marinha, a realização do projeto 'Estação Cultural Casa do Conde' reforça
um conceito reiterado pela administração do espaço: o de que, mais que um
patrimônio histórico da cidade, a construção (que data de 1896, possuindo
um estilo eclético, com influências coloniais) é, hoje, já reverenciada
como um centro cultural. 'A gente tem percebido que já existe um público
para a Casa do Conde', diz a gerente, referindo-se às platéias que
acorreram ao local atraídas por projetos como o Conexão Telemig Celular de
Música, que ali se desenrolou.
'Existe um público que nos liga sem parar para saber a programação do
espaço e a música tem uma força enorme nesta história'. Ainda segundo
Simone, o 'Estação Cultural' também preenche uma lacuna, a existente
nesses meses de janeiro e fevereiro, quando boa parte da população
aproveita para viajar, o que provoca um desaquecimento da agenda cultural
da cidade. 'É um traço natural da cidade, temos esses dois meses sem um
apelo de locação forte. Porque, embora a gente priorize o evento cutlural,
também trabalhamos com o evento empresarial', explica.
E se era para preencher uma lacuna, nada melhor que abarcar, de uma só
vez, duas searas. 'Resolvemos incluir música e artes plásticas'. Mesmo
porque, o teatro e a dança já estão bem representados pela Campanha. 'O
mais interessante é que um evento não concorre com o outro. O público pode
ir transitando de um galpão para o outro e, complementando a noite, uma
programação musical light, na linha da música de boteco'.
A preocupação da gerência da Casa do Conde em incluir a música na
programação regular da casa se justifica. Durante o Conexão Telemig
Celular de Música, a Casa do Conde recebeu algo em torno de 1,5 mil
pessoas/dia. 'Obviamente, não temos essa pretensão com o Estação Cultural.
Mas não estamos preocupados com quantidade, e sim com a manutenção de um
conceito, o de todo dia ter cultura na Casa do Conde'.
A Casa do Conde de Santa Marinha também abriga uma oficina de artes
plásticas da Cooperativa de Artes e Ofícios, que tem à frente o artista
plástico Tarcísio Ribeiro, que, privilegia o uso de materiais reciclados.

Idéia é buscar maior integração das comunidades

Se essa história de resgate da história do samba - na capital mineira,
também empreendida por outras frentes - passa pela Casa do Conde de Santa
Marinha, é bom frisar que não se esgota aí. Pelo menos, se depender da
vontade do artista plástico Tarcísio Ribeiro, da Cooperativa de Artes e
Ofícios. A idéia é envolver também outros centros culturais da cidade,
numa ação que visa uma integração maior das comunidades.
'Detectamos que havia um lapso. De uns tempos para cá, as pessoas perderam
referências da cultura nas próprias comunidades. Ao invés de se
direcionarem para o samba, migraram para o funk ou rap, o que chamo de
gangues temáticas, que são referências mais da grande mídia. Assim, o
jovem se desorienta, chega inclusive a perder o respeito pela cultura dos
mais velhos de sua comunidade', acredita ele. A ação idealizada por ele
não se esgota no Carnaval, mas se estende ao longo do ano. 'Esse festival,
reunindo em sua programação vários artistas, seria a primeira ação desse
caminho para a reinserção social. Também pretendemos utilizar a estrutura
dos barracões das escolas de samba para a realização de eventos'.
Tarcísio se refere, basicamente, aos barracões das escolas de samba Unidos
do Guarani e Cidade Jardim. Na sequência, a meta é tentar dar suporte para
que cada comunidade consiga erguer o seu próprio barracão. 'Toda a verba
obtida com o Estação Cultural Casa do Conde que nos couber, será utilizada
para irradiar essa questão do samba'.
Uma outra vertente do projeto tem como foco o Mercado da Lagoinha, que
poderia abrigar o Centro Mineiro do Samba. 'Já foram feitas várias
tentativas de dotar aquele espaço de uma vocação cultural, mas, na minha
opinião, essas iniciativas não foram bem sucedidas pelo direcionamento. Na
primeira vez, foram oferecidos shows de pagode e axé, que não atraem a
comunidade, correspondem mais a entretenimento que a cultura'.
A idéia, agora, é instalar o Museu do Samba naquelas dependências,
reunindo, por exemplo, fantasias e alegorias das escolas de samba e dos
blocos caricatos da cidade. Um outro desdobramento seria a feitura de um
CD resgatando grandes sambas feitos por mineiro ou para Belo Horizonte,
'para mostrar a riqueza do samba'.
Essas seriam algumas das ações prioritárias, com mais visibilidade. Mas
Tarcísio Ribeiro também almeja estabelecer parcerias com outros centros
culturais - como, aliás, já tem sido feito com o Reciclo Asmare Cultural,
que dedica suas sextas-feiras ao chamado 'samba de raiz'. 'E, ao mesmo
tempo, criando uma bateria de meninos, que vai sair com o Bloco
Carnavalesco Mundo Mico', cuja montagem será fomentada justamente através
do 'Estação Cultural Casa do Conde'. O bloco, neste ano de estréia, vai
sair com o samba-enredo 'O Conde e sua Condessa', aludindo, claro, à
história do Conde de Santa Marinha. O lançamento oficial acontecerá no dia
27 ou 28 (a data definitiva está para ser fechada), em plena Avenida
Afonso Pena.
Antes, no dia 21 de fevereiro, haverá, em parceria com o Sindicato dos
Jornalistas, um Baile de Máscaras, no qual o convite será uma máscara
carnavalesca confeccionada pelos presos da Penintenciária de Segurança
Máxima Nelson Hungria, localizada em Contagem.
O grupo Zé da Guiomar, que se apresentará hoje, na inauguração do Buteco
do Samba, tem repertório composto de samba e bossa nova. Os integrantes
relêem obras de grandes compositores brasileiros, como Paulinho da Viola,
Cartola, Nelson Cavaquinho, Noel Rosa, Tom Jobim e Chico Buarque, entre
outros.

ESTAÇÃO CULTURAL
Programação da semana

HOJE
19 horas
Inauguração do Buteco do Samba e abertura de exposições de fantasias e
adereços de escolas de samba mineiras, bem como de tapetes do Projeto
Fred.
20 horas
Show com o grupo Zé da Guiomar

DIA 30
19 horas
Apresentação do espetáculo 'Quatro Solo Para Três Intérpretes', da
Benvinda Cia. de Dança.
21 horas
Apresentação do espetáculo 'À Sombra do Sucesso', com a Cia. Burlantins
22h30
Show com Maurício Tizumba.

DIA 31
A programação segue idêntica à do dia 30
22h30
Shows de Anthonio e DJ Ratto.

FEVEREIRO

DIA 1º
A programação segue idêntica à do dia 30
22h30
Show com Wander Lima, com abertura da peça 'Presente de Aniversário'.

DIA 2
Abertura de oficinas: mosaico (com Marly Machado, Diana Figueiredo, Marisa
Lana, Clarisse e Danilo Pinto), cerâmica (Magôo) e oficinas de Carnaval
(com o Bloco Carnavalesco Mundo Mico).

DIA 4
19 horas
Show com Maracatu Lua Nova/Ângelo Rafael.

DIA 5
19 horas
Show com Copo Lagoinha (a confirmar) e com Bruno Brenha.

DIA 6
19 horas
Apresentação do espetáculo 'Quatro Solos Para Três Intérpretes'
21 horas
Apresentação do espetáculo 'À Sombra do Sucesso'
22h30
Show com Silvio Rosa e Rei Soul.

Allan Cabral Pimenta
Belo Horizonte, MG

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