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Projetos de valorização da cultura afro-brasileira

Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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pl_PL: VValdemar Pavan (wpavan_at_uol.com.br)
Data: qua 20 nov 2002 - 11:09:59 EDT

Projetos de valorização da cultura afro-brasileira

O lançamento de dois livros de fotografias, show com o grupo mineiro
Berimbrown e uma programação multicultural ao ar livre marcam a data

ADRIANA DEL RÉ

Hoje, Dia Nacional da Consciência Negra e de Zumbi dos Palmares, três
projetos culturais - um musical e outros dois literários - reforçam a
valorização da negritude afro-brasileira. O grupo mineiro Berimbrown
aproveita a data para fazer show de lançamento do CD Aglomerado (OBI Music),
o segundo da carreira, na Directv Music Hall. Haverá ainda a participação de
convidados, como o americano J.J. Jackson.

Levando em punho a bandeira da black music, o Berimbrown tem uma trajetória
curiosa. Todos os integrantes da banda vêm da periferia de Belo Horizonte.
Poderiam ter seguido o caminho da marginalidade, mas preferiram o da música.
Como 'berimbrowns', conquistaram em 1998 o Profest, um dos principais
festivais de bandas independentes, realizado em Minas. Logo no primeiro CD,
lançado em 2000 por uma gravadora independente, venderam 6 mil cópias
(número expressivo para um trabalho independente).

"As pessoas estão cansadas sempre das mesmas coisas, mas ao mesmo tempo
existe a questão da consciência negra. Acabamos agradando a todas as classes
sociais", diz o fundador da banda, Mestre Negoativo, tentando justificar a
boa aceitação por parte do público. Neste novo trabalho, Aglomerado, o grupo
faz uma fusão de ritmos genuinamente black, como funk, reggae, samba e soul,
e conta com uma forcinha de convidados especiais: o rapper Thaíde e a
cantora Sandra de Sá.

Já a Praça da República abriga, entre as 14 e 22 horas, um evento especial,
com música, culinária, artesanato, dança e literatura afro-brasileiras. As
atividades são promovidas pela Coordenadoria Especial dos Assuntos da
População Negra, Secretaria Municipal de Cultura e Instituto Todos a Bordo.
O show do rapper MV Bill encerra as comemorações.

Também hoje, às 20 horas, o Sesc Pompéia servirá de cenário para o
lançamento do livro Terras de Preto (Editora ABooks), com imagens do
fotógrafo Ricardo Teles. A obra reúne 132 imagens, em preto-e-branco, que
documentam o modo de vida da população de nove quilombos existentes no
Brasil (entre os mais de 900 espalhados pelo País). São eles: Trombetas e
Igarapé dos Pretos, no Pará; Frechal e Jamary dos Pretos, no norte do
Maranhão; Conceição das Crioulas, no sertão pernambucano; Rio das Rãs e
Mangal, no sertão baiano; Kalunga, na Chapada dos Veadeiros, Goiânia; e Vale
da Ribeira, em São Paulo, na divisa com o Paraná.

Teles levou nove anos, entre andanças, pesquisas e busca de patrocínios,
para concluir o belo projeto. Seu primeiro contato com uma comunidade negra
rural se deu por acaso, enquanto fazia uma reportagem no Maranhão. Essa
primeira comunidade foi Frechal. E, apesar de certo apuro em que se envolveu
ao ser confundido com um mandado do latifundiário que exigia as terras dele
de volta, o fotógrafo identificou-se de imediato com o tema.

Segundo Ricardo Teles, Frechal foi uma das comunidades pioneiras na
conquista da posse coletiva das terras ocupadas por seus antepassados, por
meio de um dispositivo criado pela Constituição de 1988. Outros quilombos
recorreram às leis, com auxílio de entidades ligadas a essas comunidades.
"Eles descobriram que, por meio da organização, podem ter acesso à
 cidadania", pondera ele. Ricardo Teles enfatiza que não teve pretensões de
fazer um estudo antropológico. "Usei a fotografia para mostrar um Brasil
desconhecido", afirma. "Na hora da edição do livro, usamos a linguagem
fotográfica como uma narrativa."

Pierre Verger - Mais do que um estudioso, o fotógrafo e etnógrafo francês
Pierre Verger (1902-1996) foi um apaixonado pela cultura afro-brasileira.
Babalaô do candomblé, viveu grande parte de sua vida em Salvador, adorava os
baianos e tornou-se amigos de personalidades daquela terra, como do escritor
Jorge Amado. Um pouco do seu legado pode ser conferido no livro Saída de
Iaô, recém-lançado pela Axis Mundi Editora.

A obra, organizada por Carlos Eugênio Marcondes de Moura, traz cinco ensaios
sobre a religião dos orixás e cerca de 80 imagens de Verger, além de uma
síntese biográfica feita pelos antropólogos Rita Amaral e Vagner Gonçalves
da Silva. O prefácio do livro é assinado pelo jornalista Luiz Pellegrini,
que encontrou Pierre Verger três meses antes de sua morte. "Verger não se
mostrava muito por meio da escritura, mas muito na fotografia", analisa
Pellegrini. Na visão do jornalista, Verger era um inquieto e usava sua
profissão para satisfazer o desejo de humanidade. "De tradição judaica, ele
me disse que a liberdade e a alegria de viver o fez escolher a religião
afro-brasileira."

http://www.estado.estadao.com.br/editorias/2002/11/20/cad042.html
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