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Re: Sobre ovos e galinhas era: Fama e o ensino de músicaLista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros. |
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pl_PL: Carlos Mauro (cmtiosamba_at_hotmail.com)
Data: qua 25 set 2002 - 23:58:53 EST
Fernando Toledo, confuso e com razão:
>Carlão, o Sábio Ancião Papa-Goiaba, do fundo da caverna onde jogava
>porrinha
>com Lao-Tsé, Lobsang Rampa e o profeta hindu Kaganda Yandanda:
>... um
> > ovo é mais antigo e tem mais qualidades intrínsecas que uma galinha.
>Falo
> > dessa forma porque, para mim, a diferença entre a música clássica e a
>música
> > popular é a mesma existente entre um ovo e uma galinha.
>
Na realidade, meu caro Toledo, mandei duas mensagens quase idênticas para a
Tribuna (em resposta ao VV) sobre o mesmo assunto... a segunda nada mais foi
do que uma retificação da primeira. Como VV anteriormente havia afirmado que
"qualquer regente de sinfônica ou ouvinte de música clássica consegue provar
argumentando que uma peça clássica vienense é mais 'antiga' e tem mais
'qualidades' intrinsecas que um Samba do morro", contra-argumentei dizendo
que "só se for um regente muito idiota (e eu conheço pessoalmente
alguns)para querer provar que um ovo é mais antigo e tem mais qualidades
intrínsecas que uma galinha. Falo dessa forma porque, para mim, a diferença
entre a música clássica e a música popular é a mesma existente entre um ovo
e uma galinha".
Entendeu, Totô? Dizer que a música denominada erudita (e muito
freqüentemente e imprópriamente chamada "clássica") tem mais qualidades
intrínsecas do que a música popular, na minha opinião é a mesma coisa do que
dizer que o ovo tem qualidade superior a da galinha, já que tanto a música
"clássica" quanto a popular são duas exteriorizadoras diferentes de uma
mesma essência, de uma mesma "sintaxe" da lingugem musical.
Um abraço,
Carlos Mauro.
>Eu, mais perdido que cego em tiroteio:
>Não entendi muito bem. Talvez essa diferença se explique apenas no tocante
>à
>formação para apreciação de música (qualquer uma), mas não no sentido da
>música em si.
>Primeiro, o que você está chamando de música clássica? É no sentido exato
>da
>coisa, ou seja, a música do período clássico (nesse caso, o Bach nem
>entraria na lista, pois era barroco), ou a música erudita em geral? Assim
>sendo, a lista seria tão heterogênea que conteria nomes como Palestrina,
>Corelli, Bach, Beethoven, Wagner, Stravinski, Stockhausen, dando para fazer
>um dicionário específico.
>Caso o segundo caso (que é o que me parece) se aplique a sua assertiva,
>minha confusão aumenta. A música erudita já se valeu de elementos
>populares,
>diversas vezes, seja sob a forma de temas e motivos, seja até mesmo sob a
>forma de elementos puramente musicais. Não se pode negar a influência do
>jazz na obra de Stravinski, por exemplo. E as canções provençais? Não eram,
>em sua essência, motivos populares?
>Simplesmente a música dita erudita filtra esses elementos por meio de
>ferramentas diversas das utilizadas pelos compositores populares, pois
>estes
>lidam com o material quase que em estado bruto, e, por desconhecimento de
>outras linguagens (dominadas pelos "eruditos"), apresentam o produto de uma
>forma mais, digamos, "pura".
>Millôr Fernandes: "Não devemos esquecer que quem inventou o alfabeto foi um
>analfabeto". E contudo, com este mesmo alfabeto (ou similares - podemos
>dizer, com o "conceito alfabeto") se escreveu desde as bobagens de um Paulo
>Coelho até "Grande Sertão: Veredas" e "Ulisses". Mas vamos ter em mente o
>analfabetinho genial lá do começo, OK? Provavelmente se ferrando pelas ruas
>da Suméria, tentando vender seu peixe: "Aaaaaaaalfabeto! Aaaaaaalfabeto!
>Quem vai querer? Um por cinco, três por dez! Vai levar, freguesa? Alfabeto
>fresquinho, a nova novidade do verão!". E, obviamente, tendo grandes
>dificuldades para explicar o que apregoava, pois, se fizesse cartazes,
>ninguém iria conseguir ler mesmo...
>Um exemplo dentro do próprio universo da música popular é a bossa nova:
>riquinhos da Zona Sul utilizando elementos de camadas "mais baixas" da
>população, unindo-os a elementos de seu universo específico (jazz, canção
>francesa, e temas como praia, barquinhos e a célebre vagabundagem dos
>burguesinhos) a fim de gerar uma outra forma de se fazer música.
>Eu copidescaria sua assertiva assim: "em termos de processo de formação de
>ouvinte, o estudo da música erudita se apresenta como importante para o
>início do processo, pois fornecerá ao ouvinte as ferramentas para análise e
>julgamento das peças ouvidas, agindo, pois, de forma similar ao ovo, de
>onde
>brotará a galinha, ou seja, a compreensão. Em via inversa, a música popular
>age como ovo, no sentido que dela brotam elementos que serão, mais tarde,
>eruditizados por compositores do ramo.
>Enfim, uma galinhagem só".
>Um abraço,
>Fernando Toledo
Fernando Toledo, confuso e com razão:
>Carlão, o Sábio Ancião Papa-Goiaba, do fundo da caverna onde jogava
>porrinha
>com Lao-Tsé, Lobsang Rampa e o profeta hindu Kaganda Yandanda:
>... um
> > ovo é mais antigo e tem mais qualidades intrínsecas que uma galinha.
>Falo
> > dessa forma porque, para mim, a diferença entre a música clássica e a
>música
> > popular é a mesma existente entre um ovo e uma galinha.
>
Na realidade, meu caro Toledo, mandei duas mensagens quase idênticas para a
Tribuna (em resposta ao VV) sobre o mesmo assunto... a segunda nada mais foi
do que uma retificação da primeira. Como VV anteriormente havia afirmado que
"
>Eu, mais perdido que cego em tiroteio:
>Não entendi muito bem. Talvez essa diferença se explique apenas no tocante
>à
>formação para apreciação de música (qualquer uma), mas não no sentido da
>música em si.
>Primeiro, o que você está chamando de música clássica? É no sentido exato
>da
>coisa, ou seja, a música do período clássico (nesse caso, o Bach nem
>entraria na lista, pois era barroco), ou a música erudita em geral? Assim
>sendo, a lista seria tão heterogênea que conteria nomes como Palestrina,
>Corelli, Bach, Beethoven, Wagner, Stravinski, Stockhausen, dando para fazer
>um dicionário específico.
>Caso o segundo caso (que é o que me parece) se aplique a sua assertiva,
>minha confusão aumenta. A música erudita já se valeu de elementos
>populares,
>diversas vezes, seja sob a forma de temas e motivos, seja até mesmo sob a
>forma de elementos puramente musicais. Não se pode negar a influência do
>jazz na obra de Stravinski, por exemplo. E as canções provençais? Não eram,
>em sua essência, motivos populares?
>Simplesmente a música dita erudita filtra esses elementos por meio de
>ferramentas diversas das utilizadas pelos compositores populares, pois
>estes
>lidam com o material quase que em estado bruto, e, por desconhecimento de
>outras linguagens (dominadas pelos "eruditos"), apresentam o produto de uma
>forma mais, digamos, "pura".
>Millôr Fernandes: "Não devemos esquecer que quem inventou o alfabeto foi um
>analfabeto". E contudo, com este mesmo alfabeto (ou similares - podemos
>dizer, com o "conceito alfabeto") se escreveu desde as bobagens de um Paulo
>Coelho até "Grande Sertão: Veredas" e "Ulisses". Mas vamos ter em mente o
>analfabetinho genial lá do começo, OK? Provavelmente se ferrando pelas ruas
>da Suméria, tentando vender seu peixe: "Aaaaaaaalfabeto! Aaaaaaalfabeto!
>Quem vai querer? Um por cinco, três por dez! Vai levar, freguesa? Alfabeto
>fresquinho, a nova novidade do verão!". E, obviamente, tendo grandes
>dificuldades para explicar o que apregoava, pois, se fizesse cartazes,
>ninguém iria conseguir ler mesmo...
>Um exemplo dentro do próprio universo da música popular é a bossa nova:
>riquinhos da Zona Sul utilizando elementos de camadas "mais baixas" da
>população, unindo-os a elementos de seu universo específico (jazz, canção
>francesa, e temas como praia, barquinhos e a célebre vagabundagem dos
>burguesinhos) a fim de gerar uma outra forma de se fazer música.
>Eu copidescaria sua assertiva assim: "em termos de processo de formação de
>ouvinte, o estudo da música erudita se apresenta como importante para o
>início do processo, pois fornecerá ao ouvinte as ferramentas para análise e
>julgamento das peças ouvidas, agindo, pois, de forma similar ao ovo, de
>onde
>brotará a galinha, ou seja, a compreensão. Em via inversa, a música popular
>age como ovo, no sentido que dela brotam elementos que serão, mais tarde,
>eruditizados por compositores do ramo.
>Enfim, uma galinhagem só".
>Um abraço,
>Fernando Toledo
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