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Re: Sobre Paulinho e Nei Lopes

Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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pl_PL: Bruno Ribeiro (bruno_at_cpopular.com.br)
Data: seg 09 set 2002 - 16:21:24 EST

Flavia respondeu ao VV:
>Do rap ao qual vc se refere com tanta propriedade, faço parte da cultura que chama-se hip hop, e no meio que frequento, seja no rap dos morros e/ou asfalto, e aí não faz diferença, te digo que junto a esse povo, e conheço geral, Nei Lopes é respeitadíssimo! Não só por ser um grande sambista, mas por sua contribuição no que diz respeito a auto-estima do negro, o que tb é uma luta do hip hop.

Concordo. Tem muita gente que ainda acha que a periferia é, necessariamente, burra e alienada. Em grande parte, a desinformação dá as cartas geral. Conheço um pouco o movimento hip-hop pelo tempo em que fui repórter de um jornal de Sumaré, um dos redutos mais fortes do movimento aqui em SP. E encontrei muito jovem consciente e politizado. Um deles é o Spike, volcalista do Condenação Brutal, que deve estar pintando na área com o segundo CD em muito breve. Semana passada ele me fez uma visita, voltou de Brasília, onde gravou 'Canto das Três Raças' pra fechar o CD. Teve autorização do PC Pinheiro e tudo, o que mostra que não é qualquer gravaçãozinha de merda. Os samplers que foram usados estavam em LPs antigos de Martinho da Vila, Roberto Ribeiro e Clara Nunes - por sinal, a grande homenageada do disco, que vai merecer até mesmo foto da quadra da Portela. Entre as participações especiais, Bezerra da Silva está garantido.
Conheci muita gente no hip-hop que sabe quem é Nei Lopes justamente por sua crítica ao movimento. Com o acesso cada vez maior da periferia à internet, esse tipo de informação circula rapidamente. Você clica 'hip hop' e é capaz de abrir um link para um artigo do Nei Lopes metendo bronca. Muita gente chegou nele a partir dos artigos - e não da música (o que até prova que ele está certo em reivindicar mais espaço para o samba). O Spike foi um desses caras que chegou ao Nei Lopes através dos artigos dele. Mesmo discordando, virou fã. "Gosto de cara que tem atitude e banca o que pensa. Além disso é truta nosso, luta pela cultura do negro", é o que o Spike diz sobre o Nei. Depois que eu lhe emprestei "A Arte Negra de Nei Lopes e Wilson Moreira", o Spike começou a se ligar cada vez mais em partido-alto. Em troca, me presenteou com alguns discos de rap, que ouvi sem preconceito. Dá para entender porque o rap substituiu o samba na preferência da molecada da periferia e a explicação o Nei Lopes já deu e vem dando nos

inúmeros artigos que escreve sobre o tema. A causa é muito mais política e ideológica do que apenas cultural ou fruto de desinformação. Tem gente que tem diploma universitário e gosta mesmo é de Chitãozinho e Xororó. Tem neguim que não estudou e entende perfeitamente o que Paulinho da Viola e Aldir Blanc estão dizendo. Acho que gosto musical tem um quê de história de vida e outro quê de caráter. Tudo depende de como você encara a vida: uma chance de acumular dinheiro ou uma chance de acumular amigos. E ponto final.

Abs!!!

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