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Re: Os cafonas do AI-5 (JB Online)

Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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pl_PL: Sonia Palhares Marinho (soniapalhares_at_hotmail.com)
Data: dom 01 set 2002 - 15:47:16 EST

Segue o texto na íntegra prá quem não leu...
 
 
http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/brasil/2002/08/31/jorbra20020831031.html
[http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/brasil/2002/08/31/jorbra20020831031.html
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Os cafonas do AI-5

Waldik Soriano teve música proibida por causa da palavra ‘tortura’. De
tanto ser censurado, Odair José preferiu deixar o país. Benito di Paula
quis saber o que fizeram com Vandré. Conheça a face oculta dos bregas

A História como a fase mais dura do governo militar. De 1968 a 1978
vigorou o Ato Institucional nº 5, que fechou o Congresso, cassou mandatos
e bloqueou direitos constitucionais. Naqueles anos, a cultura fez o que
pôde para garantir espaço e divulgar idéias. Mas teatros eram invadidos
por causa peças tidas como subversivas. O cinema enfrentava tarjas pretas
tapando closes imorais. A música marcou presença na resistência à ditadura
com através das letras de Geraldo Vandré, Chico Buarque, Gonzaguinha e,
aqui vem o espantoso, cantores cafonas como Benito di Paula, Odair José e
Waldik Soriano.
A partir de hoje uma série de reportagens que tem como base o livro Eu não
sou cachorro, não (música popular cafona e ditadura militar), do
historiador Paulo Cesar de Araújo, lançado pela editora Record e nas lojas
a partir desta semana. Em 480 páginas, o autor percorre os principais
fatos e personagens dos anos 70, valendo-se da obra de cantores e
compositores que na época foram e até hoje são identificados à cafonice. O
livro defende que aquela geração de cantores românticos não era tão
alienada quanto parecia. Nelson Ned, Claudio Fontana, Benito di Paula,
Fernando Mendes e Lindomar Castilho também fizeram canções de protesto
futucar temas sociais e políticos.
Comumente esquecidos ou menosprezados, eles também refletiam, em suas
letras, a confusão ideológica e o clima dos anos de chumbo. O livro
reproduz em suas páginas documentos inéditos que revelam a censura sofrida
por esses cantores. Um dos campeões de veto Odair José – na maioria das
vezes, calado por questões de ordem moral. A proibição podia ter motivos
esdrúxulos. Waldik Soriano teve um bolero romântico censurado em 1974 só
por causa do título: era Tortura de amor, que ele havia composto em 1962 e
deu de regravar logo no período mais fechado de um regime que produziu
grande número de desaparecidos.
Eu não sou cachorro, não vai além da cafonália e, num movimento inverso,
recupera histórias de adesão da elite da MPB ao regime dos generais,
flagrando em momentos suspeitos artistas ligados à tradição, à nobreza e à
intelectualidade da música brasileira. sambista Leci Brandão, hoje
engajada em movimentos contra a discriminação de minorias, fez em 1972 um
samba em que dizia “nada sei de preconceito”, falando numa perfeita
integração racial saudando o “amigo branco da rua”. Jorge Ben, que sempre
cobrado por ter composto País tropical, um discurso exaltativo demais para
aquele 1969, foi até mais fundo: no ano seguinte, assinou letra música de
Brasil, eu fico, resposta de carneirinho ao slogan Brasil, ame-o ou
deixe-o”, bordão do governo Médici.
Quando reflete sobre essa espécie de inversão de valores, Paulo Cesar de
Araújo questiona a produção historiográfica relativa à música brasileira e
acaba apontando erros cometidos pelos memorialistas. Segundo o autor, este
limbo da História onde os cafonas acabaram parando foi provocado por uma
junção de preconceito e pesquisas mal-feitas. Nos últimos dez dias, o JB
enviou provas de prelo do livro a historiadores, professores de História,
jornalistas e pesquisadores musicais citados no seu texto, como Ricardo
Cravo Albin, Heloisa Buarque de Hollanda, Marcelo Fróes e Chico Alencar.
Todos leram pelo menos alguns capítulos do livro, poucos fizeram reparos
ou observações, a maioria adotou um discurso na base do
desculpe-a-nossa-falha. “Meus próximos livros terão que ser revistos”, diz
Chico Alencar, professor de História da UFRJ e deputado estadual pelo PT.
Compositores como Caetano Veloso e Chico Buarque também puderam ter acesso
ao livro, através do JB (amanhã e depois, o leitor verá as críticas à obra
ou o meaculpa de cantores e historiadores questionados no texto).
Eu não sou cachorro,não,que surgiu como tese de mestrado na UNI-Rio em
1997, pode ser enquadrado dentro de uma corrente relativamente nova no
estudo acadêmico, que ganhou força no Brasil a partir do fim dos anos 80 e
mais recentemente com o lançamento por aqui de coleções como História da
vida privada, da Companhia das Letras. É a escola de franceses como
Georges Duby, Jacques Le Goff e Michelle Perrot (esta, especialista em
setores subalternos da sociedade). São autores que defendem a investigação
dos vácuos de memória, realizada a partir da pesquisa não dos heróis ou
dos grandes fatos, mas dos pequenos feitos, que ganham assim nova dimensão
histórica. “O lançamento deste livro é um grande acontecimento’’, diz o
cantor e compositor Caetano Veloso, classificando-o como “genial, uma das
melhores obras sobre música dos últimos tempos”.A euforia de Caetano é
explicável. Mais do que ninguém em sua área, ele é ferrenho questionador
dos “significados perversos’’ que a sigla MPB costuma carregar, afastando
os artistas mais populares da turma que faz sucesso junto à classe média e
à elite. Já o compositor Chico Buarque desconfia que o livro não seja
sério.
http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/brasil/2002/08/31/jorbra20020831033.html
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Lembre que geração foi essa

O livro foca a sua narrativa nas histórias de um determinado núcleo de
cantores classificados pelo autor como a “segunda geração de cafonas”. É a
geração que fez sucesso entre 1968 e 1978. Suas figuras mais importantes
são Odair José,Waldik Soriano, Nelson Ned e Paulo Sérgio. Houve um
primeiro grupo de cantores românticos identificados à cafonice, no fim dos
anos 50, como Anísio Silva e Orlando Dias. E ainda um terceiro movimento,
com apogeu no fim dos anos 70, incluídos aí Sidney Magal, Giliard e a
dupla Jane & Herondy. A seguir, um breve perfil dos cafonas do AI-5.
ODAIR JOSÉ – Autor de Pare de tomar a pílula, Vou tirar você desse lugar
(narrando a paixão por uma prostituta) e Deixe essa vergonha de lado (para
domésticas). Odair era o “terror das empregadas”.
WALDIK SORIANO – Entre os cafonas, talvez seja o mais cafona. Estava
sempre de chapéu e óculos escuros. É autor do bolero Tortura de amor
(“Hoje que a noite está calma/ e que minh’alma esperava por ti”) e da
canção que dá título ao livro de Paulo Cesar de Araújo, Eu não sou
cachorro, não.

NELSON NED – O primeiro LP do mineiro Nelson Ned tentava explorar o seu
nanismo, com o título Um show de 90 centímetros. O livro conta uma
história pouco conhecida: antes de gravar o LP, Ned havia tentado se
enturmar com os compositores do Clube da Esquina, freqüentando a casa de
Lô Borges. Foi bem aceito mas nenhuma parceria se concretizou. Seu maior
sucesso é a balada Tudo passará. Ned tem uma importante carreira no
exterior. Em 1993, entrou para a igreja evangélica.
PAULO SÉRGIO – Iniciou a carreira em 1967, imitando Roberto Carlos. Tinha
voz e visual parecidos com os do Rei. Entre suas gravações mais conhecidas
está A última canção. O livro enxerga Paulo Sérgio como o deflagrador de
um estilo, espécie de pioneiro da geração cafona dos tempos do AI-5.
Morreu em 1980. Seu túmulo no Caju até hoje é muito visitado no Dia de
Finados.

AGNALDO TIMÓTEO – É provavelmente o mais famoso dos cafonas, até porque
também fez carreira política. No livro, aparece com destaque um grupo de
canções de Timóteo que abordam a temática homossexual. Participou
recentemente do reality-show Casa dos artistas.
BENITO DI PAULA – Vestido como cigano, de brinco e calça de boca larga,
Benito escreveu Charlie Brown, Retalhos de cetim e Tudo está no seu lugar.
O tipo de música que faz costuma ser tachado de sambãojóia, termo que o
afasta dos autores de samba de raiz.
OUTROS – A dupla Dom & Ravel, da marcha Eu te amo, meu Brasil, Luiz Ayrão,
Lindomar Castilho, Fernando Mendes, Claudio Fontana, Claudia Barroso,
Reginaldo Rossi,Carmen Silva e o Wando de antes da fase obsessivamente
obscena.

 
http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/brasil/2002/08/31/jorbra20020831035.html
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Algumas letras proibidas e a razão de cada veto

Tal como Geraldo Vandré ou Gonzaguinha, os cantores populares românticos
tiveram dezenas de canções proibidas. Os motivos eram os mais diversos:
enxergavam-se nas letras temas políticos perigosos, havia um clima de
forte repressão moral e em alguns casos a censura não passava de pura
perseguição. O livro Eu não sou cachorro, não conta as histórias destes
vetos e apresenta documentos que permaneciam intocados nos arquivos
públicos do Rio e de Brasília, e que revelam como o governo quis calar
também os cafonas durante o período do AI-5.

UMA VIDA SÓLetra, música e gravação de Odair José (1973)
Trecho
“Todo dia a gente ama/ mas você não quer deixar nascer/ o fruto desse
amor/ pare de tomar a pílula/ porque ela não deixa o nosso filho nascer”
Uma pílula perigosa
A balada Uma vida só, mais conhecida pelo verso “pare de tomar a pílula”,
teve sua execução proibida nas rádios. Na época, o regime militar
patrocinava uma entidade chamada Bemfam (Sociedade Civil Bem-Estar
Familiar no Brasil), desenvolvendo pesada campanha de controle de
natalidade. Seus boletins tinham ensinamentos como “é preciso frear a
proliferação da infância abandonada no país, que contribui para a poluição
social e sanitária”. O governo achava que o bolo do PIB devia ser dividido
por menos gente. Não tomar pílula e engravidar, portanto, era como
participar de um ato contra o regime. Odair foi parar na polícia e sofreu
boicote do apresentador Chacrinha. Empresários de laboratórios
farmacêuticos o procuraram oferecendo dinheiro para calar a canção.
Uma vida só foi liberada em 1979. A Bemfam virou ONG e existe até hoje,
agora doando preservativos.Por ano são vendidas 110 milhões de cartelas de
anticoncepcionais no país.

MEU PEQUENO AMIGOLetra, música e gravação de Fernando Mendes (1974)
Trecho
“Sem querer você se foi/ e hoje choram por você/ até as flores do jardim
entristeceram/ digam pra mim onde ele está/ o que fizeram com meu pequeno
amigo?”
Seqüestro de duplo sentido
O que seria apenas uma homenagem a Carlos Ramirez Costa, o Carlinhos,
garoto seqüestrado no Rio meses antes, pareceu aos olhos dos censores uma
canção de cunho político. A sua letra foi apresentada ao Departamento de
Censura no início de 1974 e liberada com a recomendação de que fosse
impresso no disco o subtítulo Tributo a Carlinhos. Mas as rádios começaram
a tocar demais e veio uma repentina ordem de proibição. Segundo relatórios
do projeto Brasil: nunca mais, é justamente no período de 1973/1974 que se
registra o maior número de desaparecidos políticos no país. Fernando
Mendes, o autor de Meu pequeno amigo (e também do hit Cadeira de rodas),
poderia estar lamentando o sumiço de algum companheiro subversivo. Longe
disso: a canção era de fato um tributo a Carlinhos. O crime ganhou espaço
na mídia, a foto daquele lourinho sorrindo foi amplamente divulgada na TV,
mas ele jamais voltou.

TREZE ANOSLetra, música e gravação de Luiz Ayrão (1977)
Trecho
"Há treze anos eu te aturo e não agüento mais/ não há cristo que suporte e
eu não suporto mais/ você vem me sufocando como o próprio gás"
Disfarçando no título
Os censores repararam que a letra de Treze anos era provocativa. Afinal, a
música foi lançada em 1977, quando os militares comemoravam os 13 anos da
Revolução. O LP de Ayrão foi bloqueado ainda na fábrica. Pressionado pela
gravadora a dar um desfecho para o problema, o autor tomou a seguinte
decisão: mandou a letra a uma outra divisão da censura, sem alterar uma
vírgula sequer, trocando apenas o nome da canção para O divórcio.
Liberaram. Ayrão conta que, tempos depois, o disco chegou às mãos do
general Fernando Bethlem, ministro do Exército. Após ouvir O divórcio, o
oficial teria esbravejado com os funcionários da Censura: "Esse cara nos
sacaneou e vocês deixaram!" O mesmo LP de Luiz Ayrão ainda teria mais um
problema antes de ser liberado: O chorinho Amigo Chico permaneceu vetado
até que o artista fez ver aos censores que a música inspiradora de sua
obra, o choro Meu caro amigo, de Chico Buarque, estava tocando nas rádios
e à venda, normalmente, nas lojas.
ANIMAIS IRRACIONAISLetra e música de Dom, gravada por Dom & Ravel (1974)
Trecho
"É a luta dos seres humanos, um grande açoitando um pequeno/ terceiros
mandando apartar/ na maioria das vezes o grande não quer parar"
Contra a corrente pra frente
O regime militar propagava a idéia da união de todos em prol de um
objetivo comum, o que costumava-se chamar de "corrente pra frente". Por
causa da música Animais irracionais, que registrava um quadro social de
luta entre opressores e oprimidos, os irmãos Dom e Ravel foram intimados a
comparecer na polícia. Dom conhecia um coronel que tinha um parente
atuando na área jurídica da Divisão de Censura da PF em Brasília. Só com
esse pistolão o compositor pôde defender pessoalmente a música. Foi à
capital e jogou uma lorota: falou aos censores que se tratava "de uma
música em solidariedade ao povo judeu, tão perseguido em vários momentos
da história". Colou. Ela foi liberada em questão de dias. "Mas a música
era sobre o Brasil mesmo", afirma Dom no livro. Procurado pelo JB, Ravel
enviou um fax à Redação com mais uma análise sobre a letra: "Ela falava da
violência dos mais fortes sobre os mais fracos e do desvio dos recursos
financeiros pelas mãos de egoístas desregrados."

 
http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/brasil/2002/08/31/jorbra20020831034.html
[http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/brasil/2002/08/31/jorbra20020831034.html
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Estranho, bizarro, inacreditável

O historiador Paulo Cesar de Araújo reuniu histórias curiosas e situações
surpreendentes envolvendo cantores e compositores populares, sempre os
relacionando com os principais fatos musicais e políticos da época do
AI-5. Eu não sou cachorro, não procura demonstrar que era tênue a linha
que separava o universo cafona dos setores mais elitizados e combatentes
da MPB. “Os dois ambientes se freqüentavam muito”, diz o autor. As
histórias às vezes são tão esdrúxulas que parecem ter sido retiradas de um
roteiro do programa Casseta & Planeta.
LINDOMAR NO MPLA
O bolerista Lindomar Castilho lançou em 1974, no Brasil e em alguns países
da África, o merengue Eu canto o que o povo quer (“estou com a maioria/
para o que der e vier”). A música chegou a Angola no momento da guerra de
independência. Virou uma espécie de hino dos ativistas do MPLA, Movimento
Popular de Libertação de Angola. Lindomar era tão benquisto ali que
construíram uma estátua em sua homenagem no Departamento Cultural de
Luanda. Angola conquistou sua independência de Portugal em 1975.
DOM TROPICALISTA
A dupla Dom & Ravel tem uma história anterior ao sucesso de Eu te amo, meu
Brasil. O projeto inicial da gravadora RCA era unir os irmãos ao movimento
da Tropicália, colocando- os esteticamente ao lado de Caetano Veloso e
Gilberto Gil. O primeiro disco da dupla, lançado em 1969, tinha faixas
como Desvio mental, uma letra nonsense de Dom cheia de aliterações (“atrás
das portas/ moscas mortas”), num arranjo com guitarras e vozes distorcidas
ao estilo dos Mutantes.
BENITO BUSCA VANDRÉ
Meio perdida entre as faixas do lado B do disco Benito di Paula ao vivo,
de 1974, a música Tributo a um rei esquecido era uma homenagem de Benito
di Paula – cigano, cafona e ícone do sambão-jóia – a um dos artistas mais
perseguidos pelo regime militar: Geraldo Vandré, autor de Pra não dizer
que não falei de flores. Na época circulava um comunicado da Polícia
Federal proibindo “qualquer notícia, comentário ou referência” ao nome de
Vandré. Benito sabia disso. Escapou da censura valendose de imagens
contidas na canção Disparada, de Vandré e Théo de Barros, como a
referência à palavra “rei” (“boiadeiro, já fui rei”). A canção de Benito
parecia se preocupar com o estado depauperado de Vandré, que voltara ao
país depois de uma longo exílio: “Ele disse um poema para um poste, me
vieram lágrimas/ o que fizeram com ele não sei/ só sei que esse trapo,
esse homem, ele um dia foi rei.”
FONTANA NO OPINIÃO
Claudio Fontana é autor de O homem de Nazareth e Doce de coco. Antes disso
tudo, em 1965, ensaiou Carcará dias a fio para estrear no show Opinião –
um marco artístico importante na resistência ao regime militar. Ele
conhecia o compositor José Cândido, parceiro de João do Vale em Carcará,
uma das canções do espetáculo. Com a doença da estrela do show, Nara Leão,
Fontana foi estimulado por Cândido a se apresentar a João do Vale. Decorou
a letra, mas o encontro entre os dois foi um desastre. “O João do Vale
estava bêbado, caindo pelos cantos igual uma porca. Não falou comigo
direito”, lembra Fontana. Nara acabou substituída por Suzana de Moraes e
mais tarde por Maria Bethânia, que despontaria dali para o sucesso.

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