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Re: Cafonas revolucionários (O Globo On li ne)

Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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pl_PL: Eduardo S. Martins (eduardo.carniel_at_uol.com.br)
Data: dom 01 set 2002 - 11:56:41 EST

Dobre-se de joelhos Fernando Toledo. Penitencie-se Sonia Marinho.
Envergonhe-se Sr. Paulo Eduardo Neves. Aceito as desculpas de todos vocês.
Quando defendi aqui o caráter revolucionário das músicas de Odair José fui
execrado, vilipendiado, taxado de maluco :-) :-) A justiça, santa justiça,
um dia sempre chega :-) Leiam a matéria do Globo seus cães :-) :-) ODAIR
JOSÉ O CAMPEÃO DE MÚSICAS CENSURADAS PERANTE O REGIME MILITAR.
Leiam as palavras do mestre e peçam perdão de joelhos:
> O que rolava antigamente na MPB era o namoro no portão sob a luz do
> luar. Eu vim falando de cama, de pílula, de puta, de empregada doméstica,
> porque essa é a realidade do Brasil. E usou um cantor da realidade. Então,
> foi por isso que eu me tornei um artista polêmico e a censura começou a me
> proibir.

valeu!
Eduardo Martins, ouvindo emocionado sua coleção de Odair José.

"...Eu vou tirar você desse lugar, eu vou levar você pra ficar comigo e não
interessa o que os outros vão pensar..."

"...Sei vair ser demais, a nossa primeira vez, por isso eu já comprei
camisinhas pra mais de um mês..."

Sonia escreveu:

----- Original Message -----
From: "Sonia Palhares Marinho" <soniapalhares@hotmail.com>
To: <tribuna@samba-choro.com.br>
Sent: Sunday, September 01, 2002 2:22 AM
Subject: [S-C] Cafonas revolucionários (O Globo On line)
> Oi gente:
> Essa matéria eu ainda não sei se é prá rir ou prá chorar...:-( Mas com
> crteza o Eduardo Martins vai gostar...:-)

> Cafonas revolucionários
> Simone Ruiz
> Responda rápido: quem teve mais músicas censuradas pela ditadura militar
> dos anos 70? Caetano Veloso, Gilberto Gil ou Odair José? A resposta certa
> é o cantor cafona, autor de hinos bregas como "Pare de tomar a pílula" e
> "Essa noite você vai ser minha". Mas como? Era o que Odair mesmo se
> perguntava desde meados dos anos 90, quando foi informado da colocação no
> ranking histórico pelo professor de História e pesquisador Paulo César de
> Araujo, 40 anos, que lança este mês no Museu da República o esclarecedor
> 'Eu não sou cachorro, não'.
> No livro de quase 400 páginas, continuação de uma tese de mestrado em
> Memória Social, Paulo César prova que os chamados cantores populares da
> linhagem de Odair, como Paulo Sérgio, Waldick Soriano, Nelson Ned, Agnaldo
> Timóteo e outros então taxados de cafonas (o termo brega só surgiu nos
> anos 80), foram tão contestadores e de esquerda no período da repressão
> quanto a geração surgida durante os festivais de MPB nos anos 60 (Chico
> Buarque, Caetano, Gil, Geraldo Vandré etc). Vamos aos fatos:
>
>
> Em 29 de abril de 1973, o diretor do Servico de Censura de Diversões
> Públicas da Guanabara justificou a proibição da balada 'Em qualquer
> Lugar', de Odair José, afirmando que o texto da música era "descritivo de
> atitudes comportamentais abusivas ao desejo sexual, atentado ao pudor e
> exaltação do amor livre". O flagrante, sublinhava o censor, aparecia logo
> na primeira estrofe da canção: "Se você quiser/ a gente pode amar/ no meio
> deste mundo/ em qualquer lugar/ dentro do meu carro/ parado em um jardim/
> debaixo do chuveiro/ você sorri pra mim..."
>> Problema semelhante, lembra Paulo Cesar, Odair enfrentou em 1974 com "A
> primeira noite de um homem", que seria a principal faixa de seu LP
> "Lembranças". Inspirada no título brasileiro do filme que revelou o ator
> Dustin Hoffmann, a canção dizia: "A primeira noite de um homem é uma noite
> tao confusa/ é uma noite tao estranha/ meu desejo era tanto/ que eu nem
> sabia por onde começar/ o meu corpo esquentava/ eu tremia/ não conseguia
> falar". Encaminhada ao mesmo serviço de censura, a letra foi vetada porque
> "como a música é de índole popularesca e seria consumida por público
> jovem, torna-se mais ainda contra-indicada sua liberação"
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