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Autor critica Marisa Monte e os críticos

Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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pl_PL: Sonia Palhares Marinho (soniapalhares_at_hotmail.com)
Data: dom 01 set 2002 - 02:25:11 EST

Continuação....
 
 
 
 
http://oglobo.globo.com/oglobo/Cultura/42826169.htm
[http://oglobo.globo.com/oglobo/Cultura/42826169.htm ]
 
 
 
 
Autor critica Marisa Monte e os críticos
 
 
O gancho político foi apenas uma maneira original que Paulo Cesar de
Araújo encontrou para falar da questão central de seu livro: o
"sistemático esquecimento dessa geração de cantores pela historiografia da
música popular brasileira".
 
 
Baiano de Vitória da Conquista, interior da Bahia onde morou até os 15
anos, Paulo Cesar levou um susto ao descobrir, já cursando faculdade no
Rio e interessado em pesquisa musical que, para a história da MPB, os
cantores que ouvia no rádio de pilha da infância simplesmente não
existiam.
 
 
"Nas publicações referentes à década de 70, escreve ele, são focalizados
de maneira geral nomes como os de Chico Buarque, Elis Regina, Gilberto
Gil, Milton Nascimento e discos como "Sinal Fechado", "Falso Brilhante" e
Clube da Esquina", todos, sem dúvida, representativos, mas que na época
eram consumidos por um segmento restrito da população. O que a maioria
ouvia eram outras vozes, outros discos. Esses, os "enquadradores " da
memória da nossa música não registram.
 
 
Para o autor, um dos maiores flagrantes do que ele considera "preconceito
autoritário" de críticos, historiadores e pesquisadores é a inexistência
de material da geração "cafona" no acervo do Museu da Imagem e do Som, em
detrimento de outros com público bem menos representativo, como o Homem de
Bem Thomaz Lima, intérprete de mantras esotéricos.
 
 
- Deve ser porque, para autoridades como Ricardo Cravo Albin, diretor do
museu durante quase uma década, do povo é só o que tem tradição, o que vem
do morro - alfineta Paulo Cesar, que dispara sua elegante metralhadora
também em críticos musicais influentes e formadores de opinião como José
Ramos Tinhorão e Tarik de Souza, do Jornal do Brasil, e o escritor Ruy
Castro. Nem a cantora Marisa Monte escapa:
 
 
- Criticar não é problema. É ótimo, não sou contra a crítica. Esquecer é
que é autoritário e absurdo. No caso do Ruy Castro, do Cravo Albin, do
Tarik, por exemplo, eu entenderia se eles se autodenominassem críticos ou
pesquisadores musicais daquilo que consideram como música de boa
qualidade, e não apenas daquilo que para eles se encaixa no dualismo
tradição e modernidade.
 
 
- A Marisa Monte seria eclética se cantasse Este é um livro de guerrilha
que, eu espero, colabore para mudar o rumo dessa história. Quem sabe o
CCBB não decidi fazer uma semana em homenagem ao Odair José, em vez de
fazer mais um tributo a Cartola ou Carlos Cachaça?
 
 
 
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