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Homenagem ao Eterno MestreLista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros. |
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pl_PL: Sonia Palhares Marinho (soniapalhares_at_hotmail.com)
Data: sáb 31 ago 2002 - 23:43:09 EST
http://www2.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20020831/vid_mat_310802_8.htm
[http://www2.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20020831/vid_mat_310802_8.htm ]
música
Homenagem ao eterno mestre
CD reúne clássicos de Waldir Azevedo, o Rei do Cavaquinho, que passou os
últimos anos de vida em Brasília e agora é reverenciado pelo Clube do Choro
Irlam Rocha Lima
Da equipe do Correio
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Fotos: Arquivo
Em sua casa no Lago Sul, onde morou nos anos 70: Waldir Azevedo abandonou
o anonimato e voltou a emocionar-se com a música em shows na cidade até
sua morte, em setembro de 1980
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Saudado como ‘‘novo brasiliense’’, o compositor e pianista João Donato não
é o primeiro músico com fama nacional e internacional a se radicar em
Brasília. Em 1971 (mais precisamente em outubro daquele ano), a cidade
acolhia um dos maiores instrumentistas brasileiros de todos os tempos,
Waldir Azevedo, o eterno ‘‘rei do cavaquinho’’.
Waldir veio com a mulher Olinda, acompanhando a filha Marly, que, com o
marido (funcionário do Banco Central) e dois filhos, havia se transferido
para a capital. Naquela época, o chorinho estava em baixa; e o músico,
desiludido com o ofício.
Em Brasília, porém, o criador de Brasileirinho renasceu para a música.
Incentivado por amigos que conheceu por aqui (leia texto nesta página),
voltou a tomar gosto pelo cavaquinho, formou novo conjunto regional, fez
incontáveis shows e gravou discos.
O cavaquinista subiu ao palco pela última vez em 14 de setembro de
1980, para apresentação na Telestar — próximo ao campus da Universidade de
Brasília (UnB). Quatorze dias depois, vítima de problemas coronários,
morreria no Hospital da Beneficência Portuguesa, em São Paulo.
Há três anos reverenciado pelo Clube do Choro de Brasília com o projeto
50 Anos de Brasileirinho — Tributo a Waldir Azevedo, o músico ganhou nova
homenagem com o lançamento do disco Sempre Waldir, que saiu pela Quarup. A
produção é do também cavaquinista Henrique Cazes.
O disco faz parte de série criada pelo selo fonográfico carioca e reúne
13 composições do mestre. Três delas, Choro Novo em Dó, Cinema Mudo e
Arrasta Pé, foram compostas em Brasília. No álbum, estão clássicos como Vê
Se Gostas, Delicado, Pedacinhos do Céu e a citada Brasileirinho. ‘‘Na
verdade, trata-se de um álbum de compilações, extraídas de discos
diversos’’, conta Cazes. Anteriormente, o cavaquinista havia homenageado o
mestre com dois outros discos: Tocando Waldir (1990) e Relendo Waldir
Azevedo (1997).
‘‘Quando fui convidado pela Quarup para produzir o Sempre Waldir,
ponderei que a coletânea só teria sentido se atravessasse o tempo. Para
isso, juntei fonogramas que estavam fora do mercado’’, comentou. ‘‘O
objetivo é mostrar a obra de Waldir passando de geração em geração, e
chegando aos dias atuais com o mesmo vigor.’’
No álbum, há desde o registro da gravação de Delicado, feita em 1952
por Chiquinho do Acordeon, até Carioquinha, com Zé da Velha e Silvério
Pontes, de 2000. ‘‘Com a tecnologia de que dispomos, é possível reunir,
com boa qualidade de som, gravações de diferentes idades. Quem ouve, por
exemplo, Ademilde Fonseca cantando Pedacinhos do Céu nem imagina tratar-se
de uma gravação da década de 50’’, assegura Cazes.
Olinda Azevedo, viúva de Waldir Azevedo, voltou a morar no Rio de
Janeiro logo depois da morte do marido. Em 1985, levou para a capital
carioca os restos mortais do músico, tirando-os do Campo da Esperança.
Moradora do Leblon, Olinda mostra-se feliz com a homenagem, e revela que
tem fita com cinco choros inéditos deixados por Waldir, ‘‘dois em parceria
com Hamilton Costa’’.
Músico queria o anonimato
Embora conhecesse Waldir Azevedo dos corredores das rádios no Rio de
Janeiro, Hamilton Costa só se aproximou dele em Brasília. ‘‘Soube, pela
televisão, que o Waldir estava morando na cidade. Aí, junto com Avena de
Castro, Francisco de Assis e outros amigos, fui procurá-lo em seu
apartamento na 302 Sul’’, recorda.
Então morador da 203 Sul, Hamilton conta que o ‘‘rei do cavaquinho’’
queria manter-se no anonimato e ficou surpreso com a visita. ‘‘Conversamos
muito naquela tarde. Quando nos despedimos, já o sentimos mais animado ao
falar de música.’’ Não demorou muito para Waldir começar a participar de
rodas de choro no apartamento do jornalista Raimundo de Brito, do Jornal
do Brasil, na 105 Sul. “O engraçado é que, por duas vezes, o Raimundo
hospedou ali o Jacob do Bandolim, desafeto de Waldir.’’
As rodas de choro se tornaram freqüentes e logo em seguida Waldir
decidiu formar novo conjunto regional. Hamilton foi convocado para
arregimentar os músicos. ‘‘À época, eu tocava contrabaixo acústico e
imaginei que poderia incorporá-lo à formação do grupo.’’ Não deu certo e o
baixão foi trocado pelo violão.
‘‘A pedido do Waldir, convidei o Walter (violão de sete cordas), o Dudu
(violão), o Eli do Cavaco (cavaquinho de centro) e o Valdeci (pandeiro)
para integrarem o regional’’, conta Hamilton. Logo o grupo passou a fazer
apresentações em vários locais. O show que marcou oficialmente a volta do
músico à cena musical brasileira foi na Sala Martins Penna. Isso, depois
de se recuperar de acidente com cortador de grama em sua casa, na QI 1 do
Lago Sul.
No acidente, teve decepada a falange do dedo anelar. Com reimplante
feito pelo médico José Aristeu, Waldir voltou a tocar cavaquinho. ‘‘O show
da Martins Penna o emocionou muito. Nas três noites em que foi
apresentado, o teatro estava lotado. E havia muitos jovens na platéia,
interessadíssimos na música dele.’’
O show obteve repercussão nacional e o mestre cavaquinista passou a ser
convidado para apresentações em todo o país. ‘‘Viajamos, inclusive, para a
Alemanha, onde gravamos programa de televisão e disco em Hannover.’’
Hamilton tocou com Waldir durante dez anos, gravou com ele cinco LPs e
compuseram juntos as músicas Eterna Melodia, Contraste, Lembrando Chopin e
Nosso Encontro. ‘‘As duas primeiras, gravei em Do Meu Gosto, disco que
lancei 2000.’’
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