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Interessante história do Sguyama

Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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pl_PL: Fabio Fernandes Padilha (fabio_padilha_at_datasul.com.br)
Data: sex 16 ago 2002 - 15:06:47 EST

http://www.brasil.terravista.pt/PraiaBrava/2878/luthie.html
Ele deixou o japão para estar próximo de grandes violonistas como Baden
Powell, Marco Pereira e Turibio Santos.

E se dedica à construção de instrumentos que atendesse às mudanças de
acordes - tão abruptas quanto as intempéries do clima tropical - da música
popular brasileira.

Com a indústria moderna e sua produção em série, difícil acreditar que ainda
existam artesãos como Shigemitsu Sugiyama - um luthier que, há mais de 30
anos, constrói seus violões manualmente com habilidade, capricho e, acima de
tudo, paciência. Na sua oficina, a maneira como armazena a matéria-prima
para a construção dos instrumentos causa outra surpresa. Pilhas de madeiras
de regiões frias (jacarandá, cedro do Oregon e pinho alemão) e quentes
(mogno, ébano, pau-rosa indiano e pau-brasil) são estocadas por 10 a 12 anos
numa espécie de estufa, entre 35 a 40°C. "Tempo e variação de temperatura
necessários para que fiquem mais duras, sonoras e estáveis" explica
Sugiyama, com seu tom de voz suave, típico dos orientais.

Depois desse longo período, ele inicia um verdadeiro ritual: pelo som que
obtém como resposta às pequenas laatidas no jacarandá é que seleciona as
folhas de madeira que vão compor a estrutura do violao. "A combinação é
importante para o timbre do instrumento. Cada uma das partes selecionadas
deve ter a mesma profundidade e sustentação de som", explica. Isso significa
que apenas 5% do material estocado serve para fazer peças de primeira linha,
instrumentos que custam 6 mil reais para o público e três meses de trabalho
para Sugiyama, a partir do momento em que recebe uma encomenda. Antes de
chegar à fase final, no entanto, a estrutura do violão ainda descansa por
mais quatro anos numa outra estufa constantemente aquecida a 30°C.

Com a madeira curtida pelo tempo, o luthier recomeça a trabalhar na peça com
o mesmo preciosismo de antes. Une o braço de mogno cuidadosamente esculpido,
o tampo de pau-rosa indiano, as escalas de ébano e, na parte interna,
pequenos filetes de pau-brasil que garante ao instrumento um timbre
cristalino. Sugiyama foi o primeiro luthier a usar o pau-brasil na
construção de um violão. Até então, a madeira brasileira era exportada para
a Europa e usada, desde o século XIX, na construção de harpas e violinos.

Criado na província japonesa de Shizoka, a 120 quilômetros de Tóquio,
poderia ter seguido o destino modesto de tantos outros operários da fábrica
de violões onde trabalhava. Mas ao ouvir pela primeira vez uma peça de
Heitor Villa-Lobos, no começo dos anos 70, ficou extasiado. "Era uma
composição magnífica", lembra. Mas seu ouvido afinadíssimo percebeu que o
instrumento não acompanhava as necessidades da obra. Foi o suficiente para
despertar o desejo de construir violões mais completos que os europeus, com
acordes harmônicos da primeira à última escala. Um instrumento perfeito para
a música popular brasìleira, na qual o aproveitamento da escala é
variadíssimo e as mudanças de acordes normalmente abruptas. "Como o Japâo
não era a terra do violão, mudei para cá. Aqui tem grandes violonistas como
Baden Powell, Marco Pereira, Toquinho. Eu precisava estar perto deles".

Com alguns "kits" de madeira já preparados, embarcou para o Brasil em 72.
Foi um começo difícil. Procurou trabalho nas poucas fábricas especializadas
existentes no país, mas não obteve sucesso. A única alternativa foi seguir
carreira solo. Sem conhecer ninguém, enviou uma carta ao violonista clássico
Turíbio Santos, atual diretor do Museu Villa-Lobos, no Rio de Janeiro, e
conseguiu a oportunidade de mostrar-lhe os violões que fabricava. O
violonista gostou do acabamento perfeito, típico da cultura japonesa, mas
não aprovou o som. Sugiyama não desistiu. Trabalhou incansavelmente para
chegar próximo à qualidade do violão espanhol usado pelo músico, que passou
a dar conselhos e testar os instrumentos construídos por Sugiyama. Dois anos
depois, ele já havia superado seu objetivo. "Consegui fazer com que o som do
meu violão vibrasse por mais tempo do que o do europeu, mais ou menos como
acontece numa igreja", comemora.

Seus conselheiros passaram a ser Toquinho, Chico Buarque, João Bosco, os
sertanejos Elomar e Geraldo Azevedo, além da saudosa Nara Leão. As dicas
desses renomados músicos, surgidas ao longo dos anos, ajudaram o luthier a
chegar num som cada vez mais limpo para as 120 notas do instrumento. Seu
último desafio foi desenvolver, para o violonista Marco hereira, um requinto
- violão de sete cordas, de tamanho menor e som mais agudo. "Ele solucionou
os problemas técnicos de maneira brilhante. O som é perfeito", declara o
violonista. Atualrnente, Sugiyama trabalha na construção de um violão de
oito cordas. Trabalho que pode levar tempo. Mas para o luthier não é
problema. "O que importa é chegar num som harmônico que entre direto no
corpo, do primeiro ao último acorde".

gangaz
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