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Com vocês, a Orquestra Imperial do maestro Célio Var andaLista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros. |
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pl_PL: VValdemar Pavan (wpavan_at_uol.com.br)
Data: qua 07 ago 2002 - 08:57:22 EST
Com vocês, a Orquestra Imperial do maestro Célio Varanda
João Pimentel
Freqüentadores assíduos da feira de antiguidades da Praça Santos Dumont, na
Gávea, o tecladista e manipulador de sons eletrônicos Berna Ceppas, e os
músicos Rodrigo Amarante, do Los Hermanos, e Kassin, da banda de Moreno
Veloso, certo dia, foram chamados por um tal Paulinho que queria
mostrar-lhes uma raridade. Curiosos, os três receberam um caderno com fotos
horríveis de um navio e rascunhos à mão de partituras de sambas e boleros.
Na capa estava escrito: "Orquestra Imperial do Maestro Célio Varanda". Dessa
descoberta - uma orquestra que nunca existiu e um maestro e saxofonista que
ninguém ouviu falar - surgiu a idéia de reunir um grupo de amigos dispostos
a dar vida a ambos. Nas já concorridas noites de quarta-feira, no Ballroom,
a orquestra virou realidade, engomadinha, com indumentária bizarra. Mas, no
naipe de metais, a ausência de um saxofone mostra que ainda falta alguém.
Enquanto Célio Varanda não aparece, a turba completada por músicos de várias
vertentes como Moreno Veloso, Seu Jorge e Nelson Jacobina, anima anônimos e
famosos que tornaram a festa na ex-churrascaria e casa de shows de mulatas
um dos programas mais divertidos da noite carioca.
Na semana passada, por exemplo, Caetano Veloso e Marisa Monte estavam lá
pela terceira vez. Jorge Mautner, freguês da festa, e Ed Motta subiram ao
palco e também contribuíram para o repertório, que mistura desde clássicos
do samba como "Escurinho" (Geraldo Pereira) e "Oh! Seu Oscar"(Wilson
Batista) - extraído dos possíveis manuscritos do maestro - à trash "Vem
fazer glu-glu", de Sergio Mallandro, uma das inserções do grupo ao suposto
roteiro original.
- A gente acredita que a intenção do maestro era apresentar esse repertório
num transatlântico. Mas pode ser também uma grande brincadeira do Paulinho.
O certo é que estamos realizando um sonho - conta Amarante.
Na definição de Seu Jorge, os bailes são a pelada de quarta-feira e a
Orquestra Imperial, uma espécie de São Caetano.
- Ficamos contando os dias para chegar a quarta-feira. E olha que ninguém
ainda ganhou um tostão para cantar e tocar. No início vinha pouca gente e
ninguém dançava. A divulgação foi no boca-a-boca mesmo. Tem uma galera que
toda quarta está aqui - conta Seu Jorge, que semanalmente canta parabéns
para a mesma pessoa, Léo Monteiro, que toca o percussivo e inusitado
octapode.
Mautner vibra com a união dos músicos
Entre os freqüentadores assíduos presentes na quarta passada, Mautner,
parceiro de Nelson Jacobina, era o que mais vibrava com a união dos músicos:
- O músico tem que ter este espírito de união. Tem que ter felicidade e ser
artista de verdade. Já fiz isso demais na minha vida - disse.
Caetano Veloso, que foi mais uma vez ver o filho Moreno, um dos quatro
crooners (os outros são Amarante, Seu Jorge e a bela e talentosa Nina
Becker, que faz as vezes de musa da orquestra) fez questão de exaltar o
repertório:
- É a coisa mais linda esse repertório todo misturado, essa mescla de
músicos.
Segundo Seu Jorge, o baiano, que completa 60 anos hoje, convidou a orquestra
para se apresentar numa festa que ainda pretende realizar.
Mesmo quem estava lá apenas para se esbaldar, como Marisa Monte, sentiu
vontade de emprestar seu talento aos discípulos de Célio Varanda.
- Eu tenho vindo aqui dançar e me divertir. O encontro é lindo. Ainda não
subi no palco porque não fui convidada.
A Orquestra Imperial, composta de 12 músicos, tem conseguido quebrar a
rotina de muita gente que não se animava em sair de casa durante a semana e,
apesar da informalidade, já se pretende imortal mesmo sem seu criador.
- Tudo começou e continua como uma grande diversão para todos. A temporada,
que terminaria no mês passado, continua até o fim deste mês. Estamos indo
para São Paulo, no dia 12, e temos um projeto de um registro em disco - diz
Seu Jorge.
- Mas continuamos esperando pela chegada do maestro para completar a
orquestra. Gostaríamos que ele viesse para o disco - brinca Amarante.
De onde estiver, em algum transatlântico perdido ou na ficção, Célio Varanda
agradece e dá o tom.
Coringas do maestro
NELSON JACOBINA: Parceiro de Mautner, com quem compôs "Maracatu Atômico".
SEU JORGE: Ex-Farofa Carioca, lançou, no ano passado, "Samba esporte fino".
MORENO: Gravou "Máquina de escrever música" com Kassin e Domênico. É a voz
do samba na orquestra.
RODRIGO AMARANTE: O Ruivo, do Los Hermanos, mostra talento nos standards .
NINA BECKER: Uma das musas da orquestra (a outra é a atriz Thalma de
Freitas) é produtora de cinema.
http://oglobo.globo.com/Suplementos/SegundoCaderno/35454743.htm
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