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O poeta do morroLista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros. |
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pl_PL: VValdemar Pavan (wpavan_at_uol.com.br)
Data: sáb 03 ago 2002 - 17:36:57 EST
O poeta do morro
Mundo do samba comemora hoje o centenário de nascimento
de Carlos Cachaça, parceiro de Cartola e um dos grandes
compositores da Mangueira, que morreu em 1999, aos 97 anos
Mario de Moraes
Especial para Magazine
"Alvorada lá no morro que beleza Ninguém chora não há tristeza
Ninguém vive dissabor O sol colorindo é tão lindo é tão lindo
E a natureza sorrindo Tingindo tingindo"
Estes são os primeiros versos de Alvorada, um dos sambas mais bonitos e
conhecidos de Carlos Cachaça, que teve parceria de Cartola e Hermínio Bello
de Carvalho. O mesmo Carlos Cachaça, cujo centenário de nascimento é
comemorado hoje, batizado Carlos Moreira de Castro, fundador do Bloco dos
Arengueiros. Embora muitos o apontem como um dos criadores da Escola de
Samba Estação Primeira da Mangueira, na verdade na época Carlos Cachaça
trocara o morro por Inhaúma. Por questões do coração, pois naquele subúrbio
do Rio morava o seu amor de então. Isto não impede, no entanto, que na
maioria de suas biografias ele seja reconhecido como um dos fundadores da
Verde-e-Rosa.
Nascido a 3 de agosto de 1902, na Mangueira, Carlos Cachaça manteve-se ativo
até sua morte, aos 97 anos, em 16 de agosto de 1999, de pneumonia. Morreu
dormindo, na casa da sua filha Inês, no bairro do Engenho da Rainha, na Zona
Norte do Rio de Janeiro. Seu corpo foi velado na quadra da Mangueira.
Esse autêntico poeta do morro foi criado no meio de sambistas. Menino ainda,
já freqüentava as rodas dos bambas, participava de blocos carnavalescos e
convivia com a nata dos compositores do morro. Mas a carreira de músico
nunca foi o suficiente para seu sustento e o da sua família. Tanto que, aos
18 anos, seguindo os passos do pai, ingressou na Rede Ferroviária Federal e
lá trabalhou até a aposentadoria. "Nunca faltei ao trabalho, em 40 anos de
serviço", orgulhava-se.
No começo da década de 20, Carlos Cachaça conheceu Cartola. Tornaram-se
parceiros em diversos sambas de sucesso, alguns não levando a sua autoria -
em épocas de vacas magras, eles eram vendidos a compositores e cantores de
prestígio. Muita gente se fez às custas dos dois.
"Na época da maré braba a gente saía por aí para vender samba. Baiaco era o
secretário de Francisco Alves [grande cantor da época] e era também o
encarregado de comprar sambas. Tudo o que era do Gradim [compositor da
Mangueira] ele comprava. Francisco Alves ficou com não sei quantos sambas do
Gradim sem gravar. Às vezes, os sambas dele só tinham a primeira parte e ele
me pedia para colocar a segunda. A gente saía andando por aí, tomando umas
canas, até o Estácio, onde morava o Baiaco. Quando chegávamos lá, a segunda
parte do samba estava pronta. O próprio Baiaco nos pagava. Depois, Francisco
Alves o reembolsava", contou Carlos Cachaça numa entrevista.
Arengueiros
O primeiro samba de Carlos Cachaça foi Ingratidão, composto em 1923. Nos
anos seguintes, dedicou-se a compor sambas-enredo e sambas de terreiro. Em
1925, Carlos Cachaça formou, com Cartola, Arturzinho, Zé Espinguela e outros
sambistas, o Bloco dos Arengueiros, de cujo núcleo saíram os fundadores do
Grêmio Recreativo Escola de Samba Mangueira. Em 1932, a Mangueira foi campeã
do desfile com o samba Pudesse meu Ideal, primeira composição de Carlos
Cachaça com Cartola.
Embora autor de músicas de grande sucesso, Carlos Cachaça foi muito pouco
interpretado pelos cantores da época áurea do rádio. Houve uma exceção com o
samba Não Quero Mais Amar a Ninguém, que teve a parceria de Cartola e Zé da
Zilda. Gravado por Aracy de Almeida em 1937, estourou nas paradas daquele
ano. Em 1973, quando muitos dos sambas de Carlos Cachaça foram
"redescobertos", Paulinho da Viola o regravou com êxito.
O LP de Cartola, editado por Marcus Pereira em 1974, incluiu dois sambas que
ele compôs em parceria com Carlos Cachaça: Quem me vê Sorrir e Alvorada. Num
LP sobre a Mangueira, lançado no mesmo ano, também por Marcus Pereira, da
série História das Escolas de Samba, Carlos Cachaça gravou Vingança e
Homenagem. É de 1976 o único disco-solo de Carlos Cachaça, que inclui
verdadeiras preciosidades da MPB, como Quem Me Vê Sorrindo (com Cartola) e
Juramento Falso.
Em dezembro de 1980 ele lançou pela Editora José Olympio, em co-autoria com
Marília Barboza (atual presidente do Museu da Imagem e do Som) e Arthur
Oliveira Filho, o livro Fala, Mangueira. Em 1997, comemorou 95 anos com uma
grandiosa festa na quadra da Mangueira, com a presença de personalidades da
MPB. Em 1998, foi lançado o livro Alvorada - um Tributo a Carlos Cachaça,
também de Marília Barboza.
No desfile de carnaval deste ano, a Imperatriz Leopoldinense fez uma grande
homenagem a Carlos Cachaça. De forma ousada, esquecendo suas próprias cores,
os componentes da escola desfilaram usando o verde e rosa da Mangueira em
suas fantasias. O cantor Elymar Santos representou Carlos Cachaça e a
carnavalesca Rosa Magalhães fez até referências às flores da música As Rosas
não Falam, de Cartola, outro mangueirense. A Imperatriz ficou em terceiro
lugar.
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