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Princípios do Choro II (JBOnline)

Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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pl_PL: Sonia Palhares Marinho (soniapalhares_at_hotmail.com)
Data: sáb 03 ago 2002 - 09:41:27 EST

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"Acari quer lançar o Princípios do Choro II
 
 

MONICA RAMALHO
 
 

Por enquanto, só resta cruzar os dedos e esperar, mas tudo indica que
outubro será decisivo para a história do choro. Naquele mês sairá a
resposta da Petrobras sobre o patrocínio da coleção Princípios do Choro
II, a continuidade do trabalho iniciado este ano com o lançamento dos
cinco álbuns triplos dos Princípios do Choro, pela Acari Records - a
primeira gravadora especializada no gênero carioca, de propriedade dos
músicos Luciana Rabello e Mauricio Carrilho -, em parceria com a Biscoito
Fino.
 
 
 

Em 15 discos - gravados em 30 dias ininterruptos, numa verdadeira
força-tarefa - Luciana, Mauricio mais uma lista de colaboradores reuniram
215 composições, selecionadas entre seis mil partituras, de 50 chorões
nascidos entre 1830 e 1880. Todas as faixas (valsas, polcas, schottishes,
quadrilhas, lundus, habaneras, mazurcas e choros, naturalmente) foram
escritas pelos músicos que criaram os fundamentos do choro, quando o
próprio ainda era uma maneira de interpretar as peças européias, então
executadas em elegantes salões. "Por dia gravávamos seis, sete faixas,
quase todas inéditas", lembra Luciana.
 
 

Para realizar tal proeza, a cavaquinista foi obrigada a abrir mão de
trabalhar com músicos mais jovens. "A garotada não entrou porque não dava
tempo de fazer emendas. Tínhamos que gravar com os craques e, bem, os
maiores músicos de choro estão aí". Por maiores, leia-se, entre outros:
Mauricio Carrilho, Luís Otávio Braga, João Lyra e Zé Paulo Becker
(violões), Luciana Rabello e Marcio Almeida (cavaquinhos), Pedro Amorim,
Ronaldo Souza e Joel Nascimento (bandolins), Toninho Carrasqueira, Nailor
Proveta, Marcelo Bernardes e Altamiro Carrilho (sopros), Celsinho Silva e
Jorginho (pandeiros) e até um Cristóvão Bastos longe do piano.
 
 

"Todos queríamos que o Cristóvão participasse de qualquer maneira. Na
falta de um piano acústico no estúdio e por não ter graça usar teclado
numa série como essa, colocamos um acordeon nas mãos dele", explica
Luciana. Outra curiosidade é a entrada da flautista japonesa Naomi
Kumamoto na jogada. A asiática veio passar uma temporada no Rio de Janeiro
com a finalidade de estudar choro. Freqüentou as aulas da oficina da
Funarte e, pelo virtuosismo no domínio do instrumento, foi convidada a
gravar algumas peças, de autores como Chiquinha Gonzaga e Joaquim Callado.
 
 

Naomi voltou ao Japão levando um álbum de choros inéditos para negociar
com as gravadoras locais. De acordo com Luciana, o repertório surpreende
porque das 14 faixas, 11 são autorais. Mauricio compareceu com duas
composições: Naomi vai pro Rio e Maricotinha chegando. Já o legendário
Jorginho do Pandeiro, integrante do conjunto Época de Ouro, emplacou o
tema Ana Carolina. Talvez o disco seja lançado no Brasil pela Acari, cujo
estúdio serviu para que Naomi fizesse as gravações.
 
 

Solistas - A interpretação de Toninho Carrasqueira e Nailor Proveta
mereceu elogios de Mauricio no encarte dos discos e de Luciana nesta
entrevista. "Encaramos como uma responsabilidade muito grande participar
de um projeto que vai servir de referência para muitas gerações", diz
Carrasqueira, encantado até agora com a beleza das melodias e o
entrosamento dos músicos. "Tocamos com a intuição à flor da pele.
Encontramos pelo caminho uma porção de frases modernas, parecidas com as
que Tom Jobim fazia, só que com 100 anos de antecedência", testemunha.
 
 

A comprovação da atualidade destes compositores vem quando Luciana
menciona o espanto que uma polca do maestro, trompetista e organista
Henrique Alves de Mesquita, chamada Quebra, quebra minha gente provocou em
Sivuca (72 anos, 63 deles à serviço da música). O sanfoneiro queria saber
como Mesquita fez aquela melodia numa época em que não havia nem música
nordestina. Luciana mata a charada: "Está indicado na partitura que é uma
polca cateretê, ou seja, um baião. Só que não existia baião naquele
tempo".
 
 

"Este gênero, que é a raiz da música popular urbana do Brasil,
permaneceria em total obscuridade e inacessível ao público comum, uma vez
que o registro das obras musicais desse período contava apenas com um
suporte: as partituras", escreve Luciana Rabello no texto de apresentação
da série, que acompanha cada caixa. O nome da coleção, Princípios do Choro
foi escolhido em referência ao período no qual as músicas foram compostas.
"Eu prefiro dizer aqui está, não apenas o princípio do choro, mas da
música brasileira", sentencia. "
 
 
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