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pl_PL: Sonia Palhares Marinho (soniapalhares_at_hotmail.com)
Data: sex 02 ago 2002 - 11:05:32 EST
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"Em defesa de Lobão
Zeca Baleiro confirma que a MZA Music permitiu sua participação no disco A
Vida é doce sem custos
JOÃO BERNARDO CALDEIRA
Divulgação
"O cachê que recebi por minha participação é impagável, a satisfação de
fazer parte de um disco histórico e belo"
O cantor maranhense Zeca Baleiro divulgou nesta quinta-feira um comunicado
à imprensa a respeito do imbróglio entre ele, a gravadora Universal Music
e o roqueiro Lobão. A gravadora notificou extra-judicialmente Lobão, na
semana passada, a pagar os direitos supostamente devidos pela participação
de Zeca Baleiro no disco do roqueiro, "A Vida é doce" (1999).
"Quando Lobão ligou e me fez o convite, aceitei de imediato, feliz pela
possibilidade de fazer parte do disco de um artista que sempre admirei.
Comuniquei à gravadora, que em princípio não colocou obstáculos, e pedi
que tomassem as devidas providências", explicou o cantor. O maranhense faz
parte do casting da MZA Music, que na época era distribuída pela Universal
Music (papel hoje exercido pela Abril Music). Sua declaração, no entanto,
não esclarece se Zeca teria pedido as tais "providências" para Universal
ou para MZA, um detalhe importante, já que Nehemias Gueiros, advogado de
Lobão, alega que a Universal não poderia notificar o roqueiro se
"arvorando numa titularidade de direitos que não possui".
A empresária de Zeca Baleiro, Adriana Bueno, garante que o cantor estaria
se referindo à MZA, o que faria supor que seria este selo, e não a
Universal, o responsável pela liberação de Zeca Baleiro. Nehemias
inclusive afirma que a participação - sem qualquer ônus - teria sido
acordada entre o roqueiro, o maranhense e Marco Mazzola, presidente da
MZA. Mas o advogado admite que houve um erro formal: "Realmente, não houve
contrato como deveria segundo a praxe do mercado musical. Além dos dois
artistas serem amigos, o próprio Mazzola concordou na época".
pesar disso, o presidente da MZA, que até então se recusava a comentar o
assunto, diz não se lembrar de ter havido qualquer acordo com Lobão e que
a Universal está cumprindo seu papel. "Mesmo que o Zeca Baleiro diga que
não deseja receber nada, isso não importa. Teria de ter sido feito um
documento formal à Universal pedindo a autorização para a participação
dele", afirma.
Marco Mazzola, por sinal, vai além e nega duas das alegações do advogado
de Lobão: a de que não seriam cobrados os encargos relativos à
participação e a de que a Universal não poderia notificar Lobão. "O que
está acontecendo é que algumas pessoas desconhecem o contrato e ficam
suscitando questões supérfluas. Se a Universal quiser, ela tem o direito
de cobrar o que é devido. Além disso, a MZA autorizou, sim, a participação
do Zeca no disco, diante da vontade dele. Mas, em nenhum momento afirmou
estar o liberando sem custos".
No meio deste jogo de empurra-empurra, uma coisa é certa: o episódio é
apenas mais um round da luta pela aprovação da Lei que prevê a numeração
de CDs e livros, que une os artistas (com algumas reações de peso, como
Caetano Veloso) contra as maiores gravadoras do país. A Lei foi vetada
pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e será submetida à debates entre
as partes. "Não creio que a quantia que eu porventura receberia por isso
seja tão digna desse tumulto. O que me parece claro é o desejo de
desmoralizar o Lobão, e, conseqüentemente, a causa da numeração. Se a
indústria fonográfica reclama do projeto de lei que a trata,
presumidamente, como fraudadora, que aja então com clara transparência,
que conquiste a credibilidade pública com a lisura e evite a prática de
golpes baixos como esse", dispara Zeca Baleiro.
"No mais, o cachê que recebi por minha participação é impagável, a
satisfação de fazer parte de um disco histórico e belo. Moral da história:
amor não se paga com royalties", finaliza."
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