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Re: Wilson Batista na polícia

Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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arcav_at_brturbo.com
Data: ter 11 jun 2002 - 23:39:46 EST

Olá, Sérgio e demais Tribuneiros

Sua análise lembra a exatidão do comentário de Noel:

No século do progresso
O revólver teve ingresso
Pra acabar com a valentia.

Se o revólver fez isso, que dirá o armamento pesado que o crime utiliza
atualmente. Ainda no início dos anos 60 havia no Rio um detetive famoso,
chamado Procópio, que prendia bandido só na conversa, sem apontar arma.
Alguém consegue imaginar isso agora? Parece ficção, não é mesmo?

O que hoje se vê muito pouco ou mesmo nada tem a ver com a malandragem e a
valentia do tempo de Wilson Batista. Assim como o potencial agressivo do
garoto classe média de hoje que, dependente químico agudo, rouba para
converter o produto do roubo em droga, nada tem a ver com as "puxadas" de
carro de Chico Buarque nos anos 60.

Abraço

Alberto

Em tempo: transcrevi os versos do Noel da pág. 287 de "Noel Rosa, uma
biografia", de João Máximo e Carlos Didier. Não é o máximo?

Em 11.6.02, Sergio Mazzei analisou:

> A evocação do Wilson como paralelo ao Caso Belo é exagerada e injusta.
> Não quero nem me ater à diferença artística, para não cair no óbvio.
> O que deve ser notado é o absurdo de comparar o incipiente comércio de
> drogas dos anos 30 com a estrutura criminosa que hoje flagela a nossa
> sociedade. Da mesma forma que é absurdo não reconhecer que AR-15 (seja

> onde ele esteja pendurado) sempre vai ser potencialmente mais perigoso
que
> uma navalha ("para compor o tipo de malandro...").
> É importante que se perceba a diferença entre um (Wilson) que - se
realmente
> teve alguma relação com delinquentes - era um "peixinho" que devia
arrumar
> "algum" pro almoço, enquanto outro (Belo), já rico e famoso, buscava
mais
> lucro ao financiar a atividade criminosa.
> Riqueza e fama; carros importados e mulher siliconada não foram
suficientes
> para satisfazer o ego de Belo. O AR-15 era quase um acessório para
> atribuir-lhe importância, conferindo-lhe status de poderoso. Era como a
> caneta Mont Blanc para o banqueiro, a bolsa Louis Vuitton para a
socialite.
> No mais, por favor, nos poupem os demagogos de plantão, do tipo que diz
que
> "crime é crime". É por conta do suporte financeiro prestado com dinheiro
> sujo que as quadrilhas evoluíram para corporações criminosas, e crimes
cada
> vez mais brutais - como a execução do Tim Lopes - nos chocam todos os
dias.

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