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Quando apita o roubadômetro era: : O Samba é negroLista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros. |
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pl_PL: Fernando Toledo (fernandotoledo_at_hobeco.net)
Data: ter 02 abr 2002 - 14:03:12 EST
Srs. Povoa e Cláudio Jorge,
Esta questão da música, por ser considerada apenas por seu aspecto lúdico e
não de trabalho, é curiosa, e já fez muita gente boa partir para outras
carreiras.
Toquei profissionalmente durante alguns anos, e cheguei mesmo a viver
exclusivamente disto. Como trabalhava numa zona do Rio não muito valorizada
(Zona Oeste), e precisava desesperadamente de grana (plus ça change, plus
c'est la même chose :-)), aceitava qualquer trampo, inclusive o célebre
"tocar por couvert", ou seja, recebia apenas (infelizmente não posso botar
em itálico, né, anti-htmls...) o que dava, em termos de pagantes.
Pois bem: tive de aturar donos de casas que camuflavam o valor real dos
couverts, amigos de donos de casas que não pagavam o couvert, e,
principalmente, aquele papo que você ouve numa terça chuvosa em que você
teve que aturar um único casal lhe enchendo a bolsa escrotal pedindo para
tocar "Valei-me Deus" (nome de "Flor de Lis" após o sexto chope) e "Por onde
for" (nome de "Andanças" idem-idem) cinquenta e sete vezes. E, ao fim de tão
ingrato percurso, embolsando seus lindos dez reais no bolso, escutar, do
proprietário do estabelecimento: "Pelo menos vocês se divertiram, né?".
Essa maneira de encarar a execução musical como mero diletantismo é uma das
piores coisas por que já passei. Acredito que todo músico já teve um dia
desses, o dia em que o roubadômetro apita, acende a luz vermelha, tem
faniquito, mas, fazer o que, né? O aluguel já está atrasado...
Creio que deva haver uma forma de impedir este tipo de comportamento, que
ocorre principalmente com músicos iniciantes, gente ainda sem registro na
OAB (também não sei se adianta muito) mas que, venhamos e convenhamos, eles
tembém sentem fome três vezes ao dia, certo?
Deixo com vocês a(s) palavra (s).
Um abraço,
Fernando Toledo
P.S.: Quando é que eu vou ouvir o disco do Gallotti, hein, seu Helion?
Aliás, não encontro seu irmão faz um tempinho.
> É isso aí Helion. Você deu um exemplo do Camunguelo que mostra bem como as
> coisas funcionam por aqui. Nas internas da questão racial tem também
aquela
> história de que o artista popular faz aquilo por diversão e não por
> trabalho, então ele não tem motivo para se aborrecer se o pagamento não
vier
> no final. É mole? Um abraço.
> Cláudio Jorge
> PS: O disco do teu irmão está um arraso.
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